Mês: janeiro 2010

Os 5 piores Games baseados em filmes de terror

Quando o cinema cria personagens icônicos e uma franquia razoavelmente grande (em alguns casos, gigante!), é praxe que ganhe uma adaptação para videogame, seja no console do momento, seja na máquina mais desconhecida possível.

Estes jogos variam de injogável até razoável, sendo essa ultima opção uma raridade muito grande.

Assim como games adaptados para filmes costumam ser desastrosos, a recíproca é verdadeira quando acontece o contrário.

5 – Halloween

Plataforma: Atari 2600
Ano de lançamento: 1983

Pode ter sido um marco por ser um dos primeiros “survival horror” para consoles mas, sejamos francos, o jogo é uma tremanda bobagem que acabou servindo de inspiração para outros jogos baseados em filmes de horror.

A missão é cuidar de uma casa com várias crianças e protegê-las de um maníaco homicida pixelizado.

Em algumas salas se encontra uma espada que mais parece um crucifixo que podem ferir Michael Myers e faze-lo se retirar mas não pense que ele morre em alguma hora, ele sempre volta para aterrorizar Laurie Strode e as crianças que surgem do nada e vão para lugar nenhum.

Até que lembra o clássico independente de John Carpenter, vai ...

O melhor momento do jogo é quando Michael Myers consegue matar sua perseguida Laurie, onde ele arranca sua cabeça e o corpo fica jorrando ondas de sangue no chão, uma boa maneira de ensinar as crianças o porquê se deve fugir de um mascarado que não fala uma palavra e tem um facão na mão (levando em conta que o alvo do jogo era, realmente, as crianças e adolescentes).

O jogo encalhou pela violência e nem teve tempo de fazer algum frisson já que foi esquecido rapidamente. No nosso país, um detalhe bizarro é que foi lançado como “Sexta Feira 13”.

É o tipo de jogo que é legal até uns 30 segundos de jogatina e depois se torna um saco.

4 – Psycho

Plataforma:  Amiga, Atari ST, Commodore 64, DOS
Ano de lançamento: 1988

Imagine uma continuação de Psicose, clássicos de Hitchcok que influenciou uma geração de cineastas, onde um detetive atrapalhado, portando uma lupa como seu instrumento de trabalho e andando de maneira esquisita sai a procura de pistas para resolver o roubo de algumas jóias e o sequestro do curador de um museu e acaba em uma casa onde enfrenta um fantasma randômico, um cão e a senhora Bates que colocam nosso detetive para dormir a cada vez que o pegam.

Tudo isso para descobrir que Michael Bates, o célebre personagem que se veste de mulher e escuta a voz da sua mãe, foi quem roubou as tais jóias … Sim, o jogo transformou Bates, um dos mais célebres maníacos da história do cinema, em um simples ladrão de jóias!

Sim, Vince Vaughn como Norman Bates é quase tão ruim quanto esse jogo ...

Felizmente, essa história não foi adaptada para o cinema (apesar de a grife Psicose ter sido explorada com filmes de qualidade bastante duvidosa) mas foi o plot para este lamentável jogo “baseado” na obra-prima de Hitchcok.

Tudo neste game de 1988, lançado pela famosa Box Office (conhecida por jogos horrorosos), é desastroso desde os gráficos hilariamente ruins para a época, bugs frequentes até a história patética e confusa, o que me faz imaginar COMO a licensa da série Psicose foi liberada para gerar esta vergonha.

3 – The Texas Chainsaw Massacre

Plataforma: Atari 2600
Ano de lançamento: 1983

Agora me foge da memória em que momento do filme o Inspetor Bugiganga atira em Leatherface

A adaptação de O Massacre da Serra Elétrica, mais um “clássico” do Atari 2600, é ao menos pioneira e corajosa ao colocar um vilão como playable character, tendo sua missão em matar o maior número de pessoas possíveis.

O gameplay consiste em, exclusivamente, matar e acumular pontos com isso. 5 mortes correspondem à mais combustível para a serra elétrica, em um verdadeiro massacre sem sentido e sem explicação.

Olhe nos olhos da moça de amarelo e me diga: Ela esta com cara de alguém que se importa de ser perseguida por um maníaco ?

Para atrapalhar Leatherface, ao invés de alguma jovem que corre e grita como louca, surgem cercas, crânios e qualquer tipo de coisa no chão, que o desafiam a desviar (o que não é NADA difícil).

Quando o combustível acaba, Leatherface recebe um chute na bunda e GAME OVER, você perdeu. Sim, depois de massacrar um número absurdo de pessoas que surgem do nada, a motos-serra enguiça e Leatherface é morto por um chute na bunda!

Este jogo subestima a inteligência e paciência de qualquer um com um enredo ridículo (que enredo ?), a falta de propósito, a musica irritante e a total discrepância com o clássico filme que o originou.

Se não houvesse a indicação que o jogo é baseado no filme, seria impossível de notar.

2 – Dr Jekyll and Mr Hyde

Plataforma: NES
Ano de lançamento: 1989

Este jogo não é baseado em um filme mas, dada a quantidade de adaptações que a novela de Robert Louis Stevenson ganhou no cinema, pode-se considerar na lista.

E, para falar a verdade, essa desgraça é peça obrigatória em QUALQUER artigo, lista ou citação sobre jogos ruins.

Você tem o trabalho de guiar Dr. Jekyll para o seu casamento com um bastão na mão (quem, no dia do casamento, vai sair com um bastão na mão ?) e é atacado, sem qualquer motivo, por pessoas e animais na rua. Quando ele chega em um nível de enfurecimento medido por uma barra na tela, ele se torna Mr. Hide e a cidade se transforma em um mundo sombrio com criaturas bestiais que, adivinhe, lhe atacam.

Quando a raiva passa, Dr. Jekyll retorna e as pessoas voltam a atacar sem motivo nenhum.

Hoje é um belo dia para sair de casa e ser atacado por pessoas histéricas sem nenhum motivo aparente ...

Agora, me digam, qual seria a conexão desta bobagem com a história clássica sobre um homem com personalidade dupla, atormentado pelo seu lado maligno ?

Onde, na história original, aparecem monstros, civís atacando sem motivo algum, raios vindos do céu ?

Não tem como entender o porquê de adaptar este tipo de história para um jogo de videogame, sendo que as possibilidades de se manter fiel ao original são muito pequenas pelas diferenças das duas mídias.

Além de tudo, a jogabilidade é patética e você NÃO pode se defender dos ataques porque seu bastão na causa dano nenhum no inimigo!

Assim, vão seguindo 6 fases, até chegar na igreja e se casar com sua amada, Miss Millicent. Depois de ser atacado sem motivos por pessoas e animais na rua, se transformar em um monstro que combate outras criaturas na noite, você chega na igreja, casa e END surge na tela.

Inacreditável!

1 – A Nightmare On Elm Street

Plataforma: Commodore 64 e IBM PC
Ano de lançamento: 1989

Para encurtar, aqui está a trajetória do jogo descrita:

Você controla um personagem que vai andando pela rua, dá socos na cara de cobras gigantes, desvia de pedras que caem do céu, entra em casas aleatórias, dá socos em aranhas gigantes, sobe em escadas, anda por cima de plataformas que descem e sobem, coleta ossos no chão, entra em um buraco que indica o fim da fase (se você coletou todos os ossos).

Sim, isso é o jogo, um side-scrolling onde você bate em animais gigantes e coleta ossos.

Eventualmente você cai no sono (compreensível) e o jogo muda para o “mundo dos sonhos” onde os inimigos ficam mais fortes (“mais fortes” corresponde a dois socos ao invés de um para matar), o que não faz diferença nenhuma.

O temível mundo dos sonhos ...

A “novidade” é coletar itens especiais que lhe dão a possibilidade de virar um guerreiro dos sonhos (em alusão ao terceiro filme da série, com o subtítulo de Dream Warriors).

Se você fica muito tempo no mundo dos sonhos, Freddie surge após uma tela histérica e cheesy surgir dizendo “Freddie’s Coming”.

A luta contra o temível personagem de Wes Craven é bastante decepcionante por ser muito fácil, em um estágio onde mãos saem do chão e Freddie fica pulando histéricamente (e nunca o alcança).

Para sair do mundo dos sonhos é preciso coletar um rádio (???) e assim retornar ao mundo real. Fico imaginando o porquê de as aranhas gigantes não terem matado o nosso personagem enquanto ele dormia …

Então, você acaba de coletar todos os ossos e é levado para o mundo dos sonhos para lutar contra Freddie de novo, o derrotar facilmente de novo e levar seus ossos para queimar (queimar os ossos de alguém que já está morto é uma boa maneira de fazer com que seu espírito desapareça, certo ?).

Até o pinball tinha mais a ver com os filmes ...

E é para esta lambança que pouco tem a ver com o universo de Freddie Krueger, o primeiro lugar.

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Inappropriate Soundtracks

O Youtube é a ferramenta perfeita para as mentes criativas ao redor do mundo nos brindarem com boas idéias.

Uma série de videos que faz justiça à isso é “Unappropriate Soundtracks” onde um usuário chamado Boonehams arruina cenas de filmes famosos ao inserir trilhas sonoras completamente avessas ao clima da cena.

DVD Review – A Mosca Edição Especial

Em 1986, David Cronenberg decidiu lançar um remake de uma obra de ficção científica da década de 50 chamada “A Mosca da Cabeça Branca”.

Entretanto, apesar de sustentar a idéia de que a inspiração veio de lá, o diretor canadense criou um filme completamente novo, com uma história atualizada sobre um cientista que descobre o teletransporte mas sofre as consequência quando tem seu DNA somado ao de uma mosca.

No filme original, a idéia era semelhante mas alguns momentos típicos dos sci-fi cinquentistas como uma mosca com a cabeça de David Hedison, foram modificados e até mesmo retirados desta adaptação de Cronenberg.

Somado a isso, é claro que o canadense não poderia deixar de nós presentear com uma dose espetacular de nojeira, na terrível transformação de Seth Brundle na criatura meio-mosca, o Brundlefly.

Entretanto, o filme não se resume à isso, construindo um momentum dramático apartir do romance do tímido Brundle com a personagem de Geena Davis, confusa entre continuar a ver o amado que se transforma em uma criatura bizarra e sua própria segurança, ao passo que Brundle começa  a perder os sentidos para se tornar uma criatura instintivamente reclusa e assassina.

Este clássico é, particularmente, um dos meus filmes preferidos, um filmaço único e diferente, com todo gore e nojeira até a exploração de aspectos sombrios e uma relação amorosa fadada ao terrível desfecho.

A raposa decidiu dar ao bem-sucedido filme de Cronenberg, uma edição digna de sua grandeza com direito à um discos de extras com uma tonelada de conteúdos  e um cuidado visual e técnico que deve agradar a todos os fãs deste classico moderno de horror.

Video:

A Mosca ganha uma transferência superior ao do lançamento original que a Fox havia colocado no mercado.

Presente em 1:85:1, seu formato original, as cores são bem definidas nos diversos detalhes que o filme apresenta, com um bom contraste sem deixar o filme carregado demais.

Não há artefatos de compressão evidentes e a granulagem da imagem não é excessiva, garantindo uma imagem nítida, que não esconde a idade do filme mas deixa claro que a Fox fez um bom trabalho.

Som:

O dvd traz 3 opções, um mix em 5.1 no audio original e audios em espanhol e português em mono, com a dublagem nacional original.

O som em 5.1 é excelente, dividindo os diálogos e sons ambientes da excelente trilha sonora de Howard Shore, permitindo um entendimento claro de cada fonte de som presente nas cenas do filme.

O som em mono é interessante e claro e a dublagem nacional deve satisfazer os nostálgicos.

A única reclamação é a falta da trilha DTS que acompanha o lançamento R1 e a falta do audio original em mono.

Extras:

Disco 1 (Filme):

– Trilha de comentários de David Cronenberg

Certamente, Cronenberg é um dos melhores na arte de comentar os seus filmes porque o faz com clareza, de forma divertida e reveladora. E é por tudo isso que o pecado mortal da Fox nesse lançamento foi não legendar essa bela trilha, mantendo a tradição das distribuidoras brasileiras de não darem a mínima para o fato de que é difícil, até mesmo para quem entende inglês, acompanhar uma trilha de comentários.

Disco 2 (Conteúdo adicional):

– Medo da Carne: O Making Of de A Mosca

Este gigantesco documentário, dividido em 3 partes (com a opção de ser visto completo e extendido)  é uma aula sobre o filme de Cronenberg, focando desde a escolha do cast até os efeitos especiais, os conceitos de arte, o tipo de efeitos, os testes, cenas cortadas …

Com entrevistas recentes de Chris Walas, Jeff Goldblum e Geena Davis, o making of é muito bom e, ao longo de suas mais de duas horas (extendido, chega a 2 horas e 40 minutos!), entretem e esmirilha o filme.

Seu único defeito é a ausência de David Cronenberg nas entrevistas.

– O Museu Brundle de História Natural

Com 11 minutos, esse featurette se concentra na parte visual do filme, mostrando os conceitos em desenho da criatura e dos cenários assim como os efeitos concretizados, parte da coleção de Bob Burns.

Tudo isso narrado e apresentado pelo maquiador e responsável pelos efeitos especiais do filme, Chris Walas.

– Cenas excluídas

3 cenas filmadas e uma cena escrita no roteiro compõe essa seção do dvd, entre elas, a famosa cena do Macaco-Gato.

Há também as cenas extendidas, compreendendo duas delas, a cena da reconciliação entre Seth Brundle e Veronica e a cena da poesia do bife, onde o personagem de Goldblum tem um insight enquanto prepara um bife “clonado”.

– Trabalhos escritos

O conto de George Langelaan que saiu na playboy, o roteiro original de Charles Edward Pogue, o roteiro reescrito por Cronenberg e artigos de revista sobre o filme, todos em inglês.

– Testes para o Filme

Esta seção possui videos retirados do negativo original, mostrando os testes feitos pela equipe na pré-produção do filme.

Começando pelas diferentes idéias e tratamentos visuais para a cena de abertura até efeitos da iluminação dos pods de teletransporte, os testes com diferentes maquiagens para Brundlefly, a explosão da cabeça da criatura no fim do filme e um divertido video com Cronemberg vestido de mosca demonstrando como Goldblum deveria caminhar nas paredes nas cenas onde isto acontece.

– Materiais promocionais

Trailers e teasers (tanto deste filme quanto de sua continuação e dos dois filmes que inspiraram Cronenberg), o press kit original do filme (único featurette com Cronenberg sendo entrevistado), um perfil em video de David Cronenberg fazendo um recap da carreira do diretor canadense até realizar A Mosca.

Por fim, uma interessante galeira de posters e materiais promocionais impressos.

– Galeira de fotos

Uma extensa galeria de fotos publicitárias, dos bastidores, desenhos conceituais e dos efeitos especiais do filme.

A Mosca Edição Especial é, talvez, um dos dvds mais fartos em materiais extras que já sairam em nosso país.

Veredito:

A edição é definitiva para um filme definitivo em termos de horror e efeitos especiais, com uma transfer fantástica e extras que focam todos os aspectos imagináveis da produção.

Be Afraid, Be very afraid … mas não se sinta com medo de comprar essa edição perfeita em dvd!

Geena Davis, sempre linda ...

Dvd Review – O Iluminado Edição Especial

No início dos anos 2000, a Warner Home Video, detentora dos direitos sobre os filmes de Stanley Kubrick, decidiu lançar pela primeira vez de forma decente em formato digital, parte da obra do visionário diretor americano, parte essa que eles talvez julgassem mais importante.

Alguns anos se passaram e foi decidido que, em 2007, era uma boa hora para relançar toda essa coleção em uma nova versão, dupla, com direito à disco de extras e a adição de melhorias gerais nos filmes como acerto das cores, resizes no formato de tela e tudo mais.

O Iluminado, influente filme de 1980, foi recebido com uma certa espectativa a mais quando foi anunciado que seria lançado em Widescreen, como no seu Teathrical Cut, após o lançamento da coleção de 2001 preservar o formato fullscreen.

Mesmo que essa adaptação tenha agradado a uma nova geração acostumada às televisões próprias ao formato, os mais puristas temeram perda de informação na tela e uma diminuição do valor artístico do filme … Teria isso acontecido ?

Video:

NÃO!

O Iluminado em toda sua glória 16:9 está melhor do que nunca!

De fato, a perda de informação existe mas é mínima e não compromete nada no filme, na verdade esta mudança de formato torna a experiência mais aterradora quando comprime nosso campo de visão e oferece um ambiente ainda mais claustrofóbico e insano.

As cores vívidas e o contraste continuam lá, exatamente como na versão de 2001, mantendo o que havia de melhor na edição original.

Entretanto, é claro, com as altas resoluções que tvs e monitores oferecem hoje em dia (além de possibilidades de upscaling), se torna mais nítido a granulação e, em alguns poucos momentos, artefatos de compressão que podem causar algum transtorno aos mais atenciosos mas não comprometem em nada, podendo até mesmo resultar em efeito placebo para quem procura pêlo em ovo.

Som:

O som é exatamente igual ao contido na versão de 2001, um mix em 5.1, com um surround focado mais em sons ambientes e, em alguns momentos, na trilha sonora. O mix é fiel ao mono original, com a marcante trilha sonora soando mais rica e intensa. O Dvd nacional apresenta o audio original e a dublagem clássica do filme.

Extras:

Uma das maiores adições contidas nesses relançamentos foram, claramente, os discos de extras, featurettes novas criadas especificamente para estes dvds com materiais promocionais originais do filme.

Disco 1 (Filme):

– Comentários em Audio de Garret Brown e John Baxter

Uma trilha de comentários do operador da SteadyCam Garret Brown e o crítico John Baxter. É interessante mas, obviamente, a Warner mantém o hábito de NÃO legendar as trilhas de comentários.

– Trailer de cinema

O memorável e enigmático trailer original, com a famosa cena do elevador (que, inicialmente, teria sido feita exclusivamente para o trailer e acabou no filme)

Disco 2 (Informações Especiais):

– Uma visão Geral : Montando “O Iluminado”

Este documentário de cerca de 30 minutos sobre o filme é feito apartir de “pedaços” e outtakes do documentário “Stanley Kubrick: A Life In Pictures”.

Bastante didático, é um review muito bem feito sobre diversos aspectos do filme desde a produção, a influência do uso da SteadyCam, os momentos tensos no set de filmagem, a habilidade de Kubrick em manipular a fotografia do filme além de entrevistas com Jack Nicholson, Shelley DuVall e a estrela mirim Danny Lloyd.

– As Visões de Stanley Kubrick

Esse featurette de 17 minutos fala mais sobre o diretor em perspectiva ao filme O Iluminado, contando com opiniões de grandes diretores, amigos pessoais de Kubrick e os atores que fizeram parte do cast desse filme.

O Making Of de O Iluminado

O grande featurette desta edição, já contido na anterior, é o making of de Vivian Kubrick, filha do diretor, que mostra livremente desde momentos de descontração com Jack Nicholson até as brigas entre Shelley DuVal e Stanley Kubrick, que esgotava a atriz até o limite procurando a histeria necessária para a personagem. Esta featurette oferece a opção de comentários da “diretora” Vivian que, para surpresa geral da nação, não são legendados.

– Wendy Carlos, o Compositor

O (ou A) bizarro Wendy Carlos conta como compôs a marcante trilha sonora do filme, baseada em densos e macabros sintetizadores.

Todos os extras legendados, exceto os comentários de Vivian Kubrick.

Veredito:

Se eu tenho a edição de 2001, vale a pena trocar por esta nova ? Sem dúvidas, por vários motivos, desde a formatação em 16:9 em um aspecto da versão de cinema até o disco de extras que traz uma bela coleção de memórias e imagens da época de gravação deste filme, o ante-penultimo que o diretor Kubrick fez em sua irretocável carreira.

Review – Martyrs (2008)

*Este texto contém SPOILERS

O cinema de horror americano, o maior centro mundial de produções do gênero, anda bastante desgastado em meio a toneladas de remakes e filmes nada originais, pavimentados em meio a diversos clichês que já não funcionam mais.

O fã do horror acabou encontrando outros lugares para garimpar novas produções, como os filmes asiáticos que tomaram de assalto o gênero até acabarem sendo saturados pelas refilmagens norte-americanas que tratavam o seu público como bestas que não soubessem ler legendas.

Um destes lugares acabou sendo a França, terra de um cinema sempre clássico, ora inteligente e calcado em uma construção lenta, o que para muita gente caracteriza cinema “chato”.

Entretanto essa nova onda de horror do cinema francês não parece beber na fonte das características do cinema local mas sim procura criar um novo modo, uma maneira diferente de levar as telas estórias agressivas e desafiadoras, fugindo dos clichês, das câmeras epilépticas e de tudo mais que estamos acostumados a ver.

Martyrs de Pascal Laugier transita entre dois mundos, o da narrativa veloz e direta de produções como Ils e A Invasora e o da narrativa cadenciada, focando o dialogo e a construção de uma situação ao invés da ação.

Na verdade, o filme parece ter três momentos distintos, cada um com suas particularidades, levando alguns espectadores a imaginarem que assistiram três estórias diferentes.

O “primeiro ato” consiste em uma misteriosa menina de traços orientais chamado Lucie, que foge de um pavilhão e acaba sendo levado à uma clínica psiquiátrica.


Lá conhece Annie, que se torna sua protetora e a ajuda a reintegrar-se com a sociedade, após um estado selvagem causado pelo trauma.

Em meio à questionamentos das autoridades, Lucie se encontra transtornada ao ver uma estranha entidade que a persegue e a flagela, de modo com que viva pressionada pelo medo e angustia.

Nesta primeira parte, o filme nos leva a acreditar que se trata de um thriller sobrenatural onde uma menina é perseguida por um fantasma que busca algum tipo de vingança, um tema comum da qual já vimos em diversas outras produções.

O início da segunda parte reforça um pouco esse sentimento, quando Lucie vai buscar vingança contra seus algozes, cerca de 15 anos depois de fugir do galpão.

Em uma cena muito bem realizada, ela adentra a casa de uma família disparando, assassinando todos que encontra, incluindo os filhos adolescentes do casal, mesmo em meio à dúvida.

Essa cena, particularmente, é extremamente sangrenta e perturbadora pela frieza com que o assassínio acontece, tingindo a tela de vermelho. O efeito é ainda maior porque, antes de Lucie chegar, somos apresentados à uma familia normal, com alguns diálogos bem humorados até serem brutalmente mortos aparentemente sem motivo algum.

Logo, sabemos que Lucie fugiu com sua amiga Annie e a mesma vai até a casa para conferir o que aconteceu. Lucie novamente enfrenta a criatura que a perturba, uma mulher anoréxica, em uma maquiagem muito bem realizada, cheia de cortes e feridas expostas.

A criatura volta a agredir Lucie, enquanto esta questiona o motivo para ela continuar, mesmo com a família assassinada.

Annie chega e fica horrorizada com a situação mas decide ajudar a amiga a esconder os corpos.

Em uma cena no banheiro, as duas se abraçam em meio aos corpos da mãe e filha no banheiro. Annie se aproxima e lhe dá um beijo, sugerindo uma atração romântica, até ser afastada por Lucie que questiona o porquê daquilo.

Eu pensei que o tema do lesbianismo iria ser mais explorado durante o filme mas se resume a esta breve cena, demonstrando um possível amor platônico entre as duas personagens.

Annie começa a desovar os corpos em uma vala no quintal enquanto Lucie novamente luta contra a bizarra criatura que a atormenta. Neste momento descobrimos que a mãe ainda está viva. Annie tenta ajudá-la a sair da casa e é descoberta por Lucie que fica desesperada, já que mesmo sua amiga a trata como louca por não acreditar na sua história, após assassinar a mulher, em mais uma cena gore envolvendo uma marreta.

Neste momento, através do olhar de Annie, descobrimos que a figura que Lucie enfrenta não é real e os cortes e violência física são provocados pela própria, que tudo não passa de uma alucinação.

Uma surpresa acontece na cena seguinte onde Lucie comete suicídio pela desilusão de ver que a amiga não acredita no que ela conta. Essa parte é corajosa porque o diretor Pascal mata sua, até então, protagonista dando a impressão de que o filme está para acabar junto com a morte de sua personagem principal.

Assim começa o terceiro ato onde, em um resumo dos fatos, Annie descobre uma passagem para uma espécie de porão e logo percebe que a terrível história de um local de tortura que a amiga morta contava era verdade.

Apartir desse ponto, o filme se transforma em algo maior, toma uma postura radicalmente diferente e uma narrativa bem mais cadenciada.
O posto de protagonista é assumido por Annie, sofrendo uma martirização na mão de uma estranha congregação que buscar levar o ser humano até o último estágio de sofrimento na tentativa de descobrir, através de uma expêriencia de quase morte, o que há após a morte.

Alguns espectadores reclamaram do ritmo deste terceiro segmento, pelo fato de se focar exclusivamente na excruciante martirização, retradada de forma cruel e violentíssima com espancamentos, humilhações, muita violência gráfica que resgata o tom do resto do filme.

Esta mudança na forma de narrar a estória não é acidental, a postura lenta e repetitiva é feita para causar um enorme incômodo em quem está assistindo, criando uma idéia de como seria viver durante dias uma tortura daquelas.

Na provação final, Annie é escalpelada e enfim sofre a experiência da qual a organização tanto quer saber. Neste ponto, o filme não nos mostra o que ela viu, apenas uma luz muito forte para acabar na penumbra em meio a uma bruma azul.

O final é dúbio e aberto para interpretações, o que certamente é uma medida inteligente em meio à um filme que chega um pouco desgastado aos seus últimos minutos.

Diversas pessoas, caracterizadas como velhos ricos, se reunem na casa acima do complexo de tortura em que a menina se encontra. Logo sabemos que eles estão lá para ouvir o que Annie revelou para a mulher que regia a instituição, sua experiência de quase morte.

Entretanto, enquanto se prepara no banheiro, a mulher é questionada por um dos homens se irá contar o que havia ouvido, ela pergunta-o se tem curiosidade de saber e, ao fim, saca uma arma e comete suicídio, cortando abruptamente para os créditos

Esta cena deixa em aberto qual teria sido a motivação para a mulher que buscou durante mais de 15 anos o que aconteceria após a morte.

Duas interpretações:

– O que ela ouviu era maravilhoso e ela decidiu tirar a vida para chegar neste estado.

– O que ela ouviu foi uma negativa de que exista algo após a morte ou que a experiência foi ruim e a mulher, desolada, decidiu cometer suicídio e não revelar para os outros o que havia ouvido.

Pela lógica pessimista, é mais provável que ela tenha ouvido algo ruim e, além da desilusão, tivesse a idéia de poupar os demais de saber da tão terrível verdade. Mas, pela imagem esparsa que nos é mostrada na experiência de Annie, talvez a primeira alternativa possa ser verdade.

O final desta forma é uma tendência comum a este cinema de horror menos padrozinado, nos instigando a imaginar o que poderia ter acontecido. Não é um mecanismo novo, muito pelo contrário, mas é um artifício inteligente e que permite a interação da platéia ao invés da necessidade de um posicionamento.

Martyrs vê em sua capacidade de mudança um grande mérito, já que surpreende o espectador a medida em que se transforma em algo mais grandioso, fugindo de soluções simples.

Essa responsabilidade é algo da qual hollywood foge como o diabo da cruz, o que cada vez faz este tipo de cinema corajoso prosperar em meio a mediocridade.

O diretor Pascal Laugier, que também assina o roteiro do filme, tem outro filme com temas fantásticos chamado Saint Ange de 2004 e está cotado para dirigir o remake de “Hellraiser”. Ele assumiu Martyrs quando Alexandre Bustillo, diretor de “A Invasora” largou a produção.

Sem dúvidas nenhuma, este é um dos grandes lançamentos de 2008 e não deve decepcionar quem assistiu outras obras recentes do cinema de horror francês, apesar de ter suas diferenças que podem desagradar um ou outro. E é bom saber que, de países como França e Espanha, podemos esperar novas boas produções, antes que Hollywood venha refaze-las (no caso de Martyrs, seria desastroso “desenhar” aquele final para as platéias acefálas) à seu gosto (duvidoso).

Sim Lucas, tu tem razão, nesse texto o final do filme é revelado e foi falha minha não incluir um indicador de Spoilers.
Entretanto, eu escrevi esse texto imaginando falar com quem já viu o filme e quer saber a opinião de outra pessoa