Mês: maio 2010

As 8 Casas mais Assustadoras dos filmes de horror

Filmes de casas mal-assombradas são um clichê no cinema de horror. Não apenas casas, mas todo o tipo de moradia possível já ganhou alguma assombração para contar sua história.

Nem sempre casas precisam ser o motivo da assombração para desempenharem um papel importante em um filme de terror, elas podem ser um personagem oculto, oprimindo os personagens ou mesmo criando uma ilusão de serenidade e aconchego que abriga um pesadelo dentro de sí.

8 – “A Casa da Família Sawyer” de O Massacre da Serra Elétrica (1974)

O clássico de Tobe Hooper não trata de uma casa mal-assombrada, muito menos de fantasmas e espectros de outro mundo mas sim de seres humanos insanos, canibais e deformados que caçam outras pessoas para saciar sua sede de carne humana. O filme que praticamente criou um gênero “slasher Redneck” não apenas vê em seus brutais personagens os únicos vilões mas convida o espectador a entrar em seus domínios, uma casa decorada com ossos humanos, com crânios em cima de movéis (baseada em uma verdadeira casa dos horrores, o lar de Ed Gein), um verdadeiro açougue humano em suas entranhas.

O efeito é tão impressionante que é possível até imaginar o cheiro da casa, restos de pessoas apodrecidas e um maníaco doentio como anfitrião. E o pessoal nas filmagens pôde REALMENTE sentir esse horror enquanto o filme era rodado, já que a casa estava isolada para que as cenas que acontecem a noite no filme pudessem ser gravadas, o Texas vivia o seu famoso verão escaldante e a equipe teve de passar por 32 dias em um forno humano, sem poder ligar ventiladores e nem mesmo que a casa fosse aberta para ser ventilada!

Isso para não falar do cheiro da carne podre e de esqueletos de plástico queimando, na clássica cena do jantar …

Cena na casa maldita:

No momento em que Pam entra na casa e se depara com crânios, ornamentos feitos com ossos e é levada por Leatherface para conhecer seu “açougue” cheio de pedaços humanos em conserva, tudo isso enquanto é impalada em um gancho de açougue.

Vale a pena comprar ?

Se você estiver acostumado a encontrar pedaços de pessoas espalhados por sua casa e considerar um abajur feito de pele humana como um bom enfeite, talvez faça negócio com os Sawyers.

7 – “Black Wood Castle” de Castle of Blood (1964)

Você deve saber que uma das regras que os filmes de terror nos ensinaram é que não se deve aceitar passar a noite em um lugar longe da civilazação, habitado por alguém misterioso e aparentemente simpático que oferece gratuitamente a sua morada.

As coisas pioram quando você é um reporter cético e é convidado por um misterioso Lord Blackwood para provar que o sobrenatural existe, em seu enorme castelo gótico e cercado de densas sombras, cheio de espíritos que precisam se alimentar de sangue humano … no dia do halloween!

E é isso que acontece neste bom filme italiano de Antonio Margheriti, colocando a figura do imponente (e belo) castelo como lar de almas penadas sedentas por vingança misturado à hipnótica e misteriosa trilha sonora de Riz Ortolani.

Cena na Casa Maldita:

O momento onde Foster, o repórter, desce as escadas até a cripta do castelo e encontra uma criatura esquelética se levantando do túmulo apenas com a luz de velas iluminando o local.

Vale a pena comprar ?

Apesar de grandioso e imponente, não apenas não vale a compra como não está a venda e nada que você faça vai mudar a mente de Lorde Blackwood. Se passar no Halloween por lá, provavelmente poderá ficar de graça a noite, com o custo adicional da possibilidade de não sair vivo.


6 – “A casa de Belasco” em Legend Of The Hell House (1973)

Esta casa, designada pelo adorável Emeric Belasco (um pervertido com fantasias sexuais mortais) em 1919, vai além das demais da lista porque foi construída com o intuíto de ser mal-assombrada. Como ? um santuário com corpos enterrados foi construído dentro dela com a idéia de criar um campo de forças sobrenaturais possibilitando todo tipo de fenômeno como mesas se mexendo sozinhas e locais que pegam fogo sem motivo.

E para piorar tudo, temos um pequeno gato preto que dá as boas vindas aos visitantes com o simpático hábito de mutilar pessoas com suas garras.

Este filme britânico dirigido por John Hough baseado em um livro de Richard Matheson trata sobre repressão sexual, parafilias bizarras e fantasmas assassinos.

Cena na Casa Maldita:

A medium Florence Tanner vai até a insólita capela no coração da casa para tentar avisar os espíritos sobre uma maquina que Lionel Barret, o protagonista, criou para livrar a casa das entidades. Chegando lá, é recebida por um enorme crucifixo caindo em sua cabeça, que a esmaga instantaneamente.

Vale a pena Comprar ?

Se você possui algum tipo de repressão sexual ou alguma fantasia bizarra que envolva amputação, fique bem longe da mansão Belasco!

5 – “Seven Doors Hotel” de The Beyond (1981)

Neste clássico “blood feast” de Lucio Fulci, o hotel supracitado, situado na Lousiana, é o local onde o espancamento, crucificação e corrosão de um artista local acusado de bruxaria abre uma das sete portas da morte que permite o trânsito de mortos entre o nosso mundo e o inferno.  Muitas décadas depois, uma mulher decide reabrir o hotel e faz uma reforma geral, causando a reabertura da porta infernal e tendo de enfrentar desde zumbis até aranhas demoníacas comedoras de faces.

A história conta que o hotel foi construído exatamente em cima de uma das portas e o sangue e sofrimento do artista morto foram suficientes para permitir a abertura da mesma, neste filmaço de Fulci, considerado por muitos como um dos melhores filmes de horror italianos.

Cena na Casa Maldita:

A tétrica e impactante cena onde todos os zumbis criados desde a reabertura da porta infernal se juntam na sala para matar a misteriosa garota cega, são destruídos pelo seu fiel companheiro canino até o momento em que o cachorro é possuído e estraçalha sua jugular.

Vale a Pena comprar ?

A julgar pelo final do filme, se você acabar zanzando cego entre o mundo dos mortos e dos vivos, não se preocupe porque alguém pode reabrir a porta novamente em um futuro muito distante.


4 – “The Bly House” de The Innocents (1961)

Na obra prima do terror psicológico dirigida por Jack Clayton, com a participação de Truman Capote como roteirista, temos a Bly House, uma lindíssima mansão britânica, com direito a enormes cômodos e até mesmo um lago particular.

Diferente do castelo Blackwood e da Casa de Belasco, esta mansão não oferece uma imagem tétrica e horripilante … até que a noite caia e o escuro tome conta, é claro.


No filme, a casa tem um papel decisivo, em especial pelos seus diversos locais “secretos”, suas instalações diversas e o lago particular também ganha seus momentos, como aparições de fantasmas ao seu redor. Mas certamente o ponto alto são as imagens de tirar o fôlego da Bly House na penumbra total, provocando uma tensão no espectador pelo que espera a simpática (e perturbada) personagem de Deborah Kerr.

Cena da casa maldita:

A perturbadora cena em que Deborah Kerr vai fechar uma janela e se depara com o espírito do caseiro Quint, que logo desaparece em meio à escuridão da noite, deixando-a confusa e assustada.

Vale a Pena Comprar ?

Se você for morar com um casal de crianças estranhas, sendo que uma delas foi expulsa do colégio sem explicações, que recitam poemas bizarros e costumam brincar de esconde-esconde, evite a estadia na Bly House.


3 – “Dakota Building” em Rosemary’s Baby (1967)

Baseado em um livro de Ira Levin, Roman Polanski dirigiu uma das maiores obras primas do horror de forma com que o torna um dos filmes mais assustadores de todos os tempos sem a aparição de nenhum monstro ou fantasma.

O lugar que abriga a seita diabólica liderada por velhinhos simpáticos é o Dakota Building, um edifício real situado em Nova York, construído em 1880, sendo frequentado por muitas pessoas famosas como Boris Karloff e Judy Garland.


Apesar de não ser exatamente ameaçador em termos de aparência, o fato de ser o lugar onde uma seita de adoradores do demônio reside já seria o suficiente para ser evitado. Para piorar, Rosemary é atormentada por estranhos barulhos e conversas que escuta através das paredes.

Ah, e para não dizer que não mencionei, John Lennon foi morto saindo deste mesmo hotel, em 1980. Brrrr.

Cena na Casa Maldita:

Apesar de o estupro demoníaco ser a cena mais emblemática do filme, é no momento final em que o insuspeitável apartamento do casal Castevet abriga o filho do diabo onde o Dakota Building se torna o centro do apocalipse.

Vale a Pena Comprar ?

Se você é um homem solteiro, evite de levar a namorada para passar uma noite no Dakota, em especial se ela costuma tomar chá de raíz de Tanas …

2 – “A Mansão Vitoriana” de The Changeling (1981)

Se você  procura o arquétipo de casa mal-assombrada, a mansão de “The Changeling” é sua melhor opção. Enorme, escura, velha, com um piano pronto para tocar sozinho e cômodos trancados da qual você não terá acesso são algumas das características que foram oferecidas ao personagem de George C. Scott.

Ao longo do filme, descobrimos que o fantasma de um filho deficiente e renegado assombra a velha mansão a procura de justiça contra aqueles que o abandonaram.


Cena na Casa Maldita:

O momento em que o dr. John Russel esta lendo e é perturbado por uma bolinha jogada pela escada. Russel pega a bola e a leva até um rio na cidade para se livrar dela até chegar em casa e ser recebido pela mesma bola caindo pela escada.

Vale a pena comprar ?

Se você tiver tempo para solucionar um mistério de 70 anos atrás envolvendo uma família influente e um filho renegado, negócio fechado.

1 – “Overlook Hotel” de The Shining (1980)

Jack Torrance era um escritor a procura de um emprego para poder se sustentar enquanto finalizava seu mais novo livro. Um enorme hotel, fechado no inverno, estava precisando de um caseiro para cuidar até a reabertura no verão. Parecia o emprego perfeito, simples, apenas seguir algumas regras e ter a liberdade de um lugar enorme para poder viver e acabar de escrever seu livro. O que poderia dar errado ?

Este é o problema para Jack, seu filho era um “iluminado” e mexeu com as entidades que residiam no local, provocando sua possessão e descontrole total para matar sua família, mantendo um ciclo de anos e anos.

O Verdadeiro "Overlook": Stanley Hotel

O Overlook é o lugar perfeito para que fantasmas atormentados façam suas vítimas, construído sobre um cemitério indígena, com diversos cômodos, salões de festas antigos, quartos em que não se pode entrar, corredores extensos, afastado da civilização.

Se as entidades fazem o trabalho de enlouquecer Jack, o hotel é decisivo por seu clima de opressão total, filmado de forma brilhante pelas câmeras Steadycam, acompanhando os personagens em planos fechados e sem permitir um ângulo de visão extenso ao espectador.

Até mesmo cenas antológicas como o momento em que o garçom interpela Jack no banheiro, não teriam tanto impacto se não fosse pela decoração com um vermelho forte ao fundo e cores carregadas que permeiam todo o lugar.


E, se ainda não é suficiente, o hotel tem um enorme labirinto, palco da cena final de “The Shining”.

Cena na Casa Maldita:

O clássico momento em que Jack visita o misterioso quarto 237 e descobre o porquê da recomendação de mantê-lo fechado. Ou o momento em que visita o bar e Lloyd libera a bebida por conta da casa. Ou o momento em que vai ao banheiro com o garçom. Ou quando quebra a porta com o machado e diz a antológica linha “Here’s Johnny”. Ou … impossível escolher!

Vale a pena comprar ?

Talvez no verão valha a pena passar uma noite ou duas mas no inverno, é bom se certificar de nunca ter problemas com bebida, não ter traumas familiares no passado e que seu filho não seja um medium. Ah, se nada disso adiantar, lembre sempre de ter uma bateria reserva para o carro limpa-neve.

Trailers From Hell

Joe Dante, diretor de clássicos como “The Howling” e “Piranha”, agora ataca também na internet através do site Trailers From Hell, uma espécie de arquivo virtual de trailers criados pela equipe do site para filmes b, exploitations e filmes antigos.

A diversão fica por conta de que esses trailers capturam os melhores momentos de cada filme, incluindo divertidos e estrondosos letreiros com informações e comentários dos realizadores e da equipe do site (incluindo Dante!) em 2 minutos e meio de video.

E essa equipe não se resume apenas aos “gurus” do site mas também gente como John Landis, Mick Garris, Rick Baker, Larry Cohen, Mary Lambert, Jack Hill e muito mais.

E o que é melhor, claro, tudo de graça!

O formato inclui dois videos para cada filme, um sendo o comentário e outro o trailer editado pelo site.

A Arte dos Posters – Parte 1

Pode parecer pura nostalgia mas uma das características mais marcantes do cinema, sem dúvidas, eram as artes gráficas feitas por artistas para ilustrarem posters promocionais e capas de VHS (posteriormente, dvds).

Grandes artistas contribuiram com belas artes conceituais, constituindo em alguns casos um interessante efeito de serem mais interessantes e chamativos que os próprios filmes que promoviam. E nessa mistura bem sucedida de arte gráfica e cinema, foi responsável por dar vida à imagens iconicas, perpetuadas para sempre na cabeça do público.

Quem não reconhece o poster de Vertigo, clássico de Hitchcock ? ou a misteriosa imagem que ilustra o poster de The Thing, o espetacular remake de John Carpenter ?

Saul Bass

"West Side Story" de 1961 e "Vertigo" de 1958

Saul Bass, nascido nos Estados Unidos em 1920, foi de diretor de cinema até colaborador e desenhista. Mas foi através de seu design gráfico de posters e sequências de aberturas de filmes animadas que fez fama, sendo reconhecido como um dos maiores artistas do segmento.

Saul trabalhou com alguns dos maiores nomes do cinema como Alfred Hitchcock, Kubrick e Martin Scorsese. Alguns dos seus trabalhos mais famosos incluem a bela cena de introdução de “Norte por Nordeste”, “Spartacus”, “Psicose” e “Casino”.

No ramo dos posters promocionais, Bass ilustrou diversos filmes famosos como “O Iluminado”, “Vertigo”, “Anatomia de um crime”  e o épico de guerra “Exodus”, ambos dirigidos por Otto Preminger.

"The Man With The Golden Arm" de 1955

Apesar de ser um artista bem sucedido como ilustrador de posters, sua dedicação maior era com as cenas de aberturas que o fizeram famoso e reverenciado. Se aventurou em outros meios e, em 1974, dirigiu a desconhecida pérola de ficção científica “Phase IV”.  Morreu em 1996, seu ultimo trabalho foi com Casino, junto de Martin Scorsese.

"The Shining" de 1980 e "Anatomy of a Murder" de 1959

Richard Amsel

"Chinatown" de 1974 e "Murder on The Orient Express" de 1974

Amsel nasceu nos Estados Unidos, em 1947. Após estudar na escola de arte da Filadélfia, acabou por ser escolhido pela Fox para ser o ilustrador do musical “Hello, Dolly!” e, apartir daí, se tornou famoso na cena nova-iorquina, ilustrando capas de albuns e posteriormente posters promocionais de filmes.

Sua qualidade como artista era o poder de criar ilustrações remetendo à nostalgia, posters em um estilo clássico como em “The Shootist” de Don Siegel e “The Big Sleep” de Robert Mitchum, até artes conceituais modernas, coloridas e vibrantes como os trabalhos que fez para a série “Indiana Jones” e “Flash Gordon”.

"The Big Sleep" de 1978

Ilustrou capas de diversas revistas como a Time e Tv Guide, sendo seu ultimo trabalho para o filme “Mad Max Beyond Thunderdome” em 1985, morrendo no mesmo ano devido à complicações decorrentes da AIDS.

"Raiders of The Lost Ark" de 1981 e "The Dark Crystal" de 1982

Bob Peak

"Apocalypse Now" de 1979 e "Camelot" de 1967

Nascido em 1927 no Colorado, Peak se formou em 1951 em arte e começou a trabalhar em agências de anuncios. Seu talento o levou a ilustrar mais de 130 posters de filmes e diversas capas de revistas, além de até mesmo ter criado artes para selos.

Seu trabalho é reconhecido como um ponto crucial de modernização dos posters promocionais, já que se usava de cores vibrantes e belas ilustrações.

Anuncio da bebida "7-up" em 1964

Trabalhou em posters de filmes como a série “Star Trek”, “Apocalypse Now” de Coppola, “Superman”, “Camelot”, “Rollerball” de 1975 e a icônica arte para “Enter The Dragon” com Bruce Lee.

Morreu em 1992, seus últimos trabalhos foram como ilustrador das olimpíadas de verão de 1984.

"Star Trek" de 1979 e "My Fair Lady" de 1964

"Enter The Dragon" - 1973

Renato Casaro

Nascido em 1935, Casaro é um ilustrador italiano que ganhou fama como ilustrador de diversos filmes da poderosa compania de Dino de Laurentiis, colaborando com diversos diretores renomados como Sergio Leone, Francis Ford Coppola, Bernardo Bertolucci e Luc Besson.

Alguns de seus trabalhos mais famosos incluem “Running Man” com Arnold Schwarzenegger, “Amadeus”, “Dune”, “Rambo” e “Conan”.

Seu estilo se popularizou entre filmes de ação, por ilustrações realistas e dinâmicas, apesar de também ter ilustrado posters de forma mais clássica e com traço refinado.

Tom Chantrell

"Star Wars" de 1977

Nascido na Inglaterra em 1916, Tom Chantrell ficou conhecido por ser ilustrador de diversos filmes da Hammer, produtora britância especializada em horror.

Seu metodo era pouco ortodoxo, não assistia aos filmes que ilustrava mas apenas pedia o plot e chamava amigos pessoais e familiares para posarem para as fotos. Entre seus diversos trabalhos, se destacam o poster original de “Star Wars” e diversos filmes da Hammer como “Dracula Has Risen From The Grave”, “Quatermass and the Pit”, “The Scars of Dracula”, “Horror Express”.

"One Million Years B.C." de 1966

Morreu em 2001, após ter trabalhado durante os anos 80 e 90 como ilustrador de capas de VHS.

"Vampire Lovers" de 1970

Review – Never Sleep Again: The Elm Street Legacy (2010)

Depois de assistir o remake de A Hora do Pesadelo, passei a ter um interesse renovado na série clássica de Freddy Krueger, um vilão da qual nunca fui tão fã.

Procurando informações sobre dvds dos filmes da longa franquia, achei um que me chamou a atenção, um tal de “Never Sleep Again”, da qual eu nunca havia ouvido falar. Com a ajuda do Google, descobri que se tratava de um documentário sobre a série com duração de 4 horas (!!!), enfocando do original até “Freddy x Jason”, contando com diversos atores, diretores e membros do cast que trabalharam na longa franquia “Nightmare on Elm Street”.

O documentário impressiona não apenas por sua duração mas também pelo cuidado e entrega que os realizadores demonstram,  feito de fãs para fãs, já que esmiuça cada detalhe nos filmes, presenteando o espectador com diversos pontos de vistas e explicações sobre a mitologia da série.

De início, somos presenteados com uma animação em stop motion fantástica, com um clima oitentista, sem CGI ou efeitos modernosos, recriando cenas clássicas presentes nos filmes, uma bela apresentação com clima nostálgico.

Os filmes são abordados de forma cronológica, iniciando pelo original e um pouco do background de seu criador, Wes Craven, em especial contando de onde tirou a idéia para a história de “A Hora do Pesadelo” e porque escolheu a tal “Elm Street”, a famosa rua onde Freddy viveu e faz suas vítimas, curiosamente a rua onde o presidente Kennedy foi baleado e morto. Além disso, Craven fala sobre dificuldades que enfrentou para conseguir financiar seu filme até chegar a New Line, pequena produtora que acabou explodindo com o sucesso da produção, fazendo referências ao mockumentary Refeer Madness e Pink Flamingos de John Waters.

O processo de casting ganha bastante atenção no documentário, passando a limpo a escolha de atores como John Saxon e um desconhecido Jonny Depp (que parece ter recusado a participar), com uma atenção especial sobre Heather Langekamp (Nancy) e, claro, Robert Englund, o homem que dá face a um dos ícones do horror moderno. A maquiagem de Freddy também ganha um capítulo a parte, com um interessante comentário do maquiador David Miller sobre formular a idéia inicial para a maquiagem do rosto do vilão baseado em uma pizza!

Um detalhe interessante sobre a abordagem ao filme original é a clara intenção dos realizadores de evitar que “Elm Street” fosse um genérico de “Sexta-Feira 13”, sempre apostando na idéia de fazer um filme mais profundo psicologicamente e sem investir no assassino como personagem principal, apesar de ainda ter características em comum com os diversos slashers da época.

A parte focada no segundo filme guarda um detalhe interessante, a discussão sobre um assunto que era tabu na fanbase da franquia há anos, uma teoria de que o filme possui uma inclinação homoerótica com cenas de nudez masculina, uma certa aproximação “sensual” entre o protagonista e o vilão e o fato de que, nesse filme, era um homem a vítima frágil e não uma mulher como usualmente acontecia nos slashers, além de o ator Mark Patton ser homossexual assumido na época.

Outro ponto que é bastante aborbado é a dissatisfação de alguns produtores e do próprio “pai” da franquia, Wes Craven, com o final que traz Freddy para o mundo real, considerado como indo contra a mitologia do original.

O terceiro filme ganha bastante destaque no documentário, como a melhor sequência da série,  além de abordar as tensões que ocorreram no set pela falta de experiência dos atores e do diretor Chuck Russel. Nesse ponto, a fama mundial de Freddy como ícone pop também é discutida, por ter se tornado um personagem mais cômico e diverso e menos sombrio como foi concebido.

Apartir do quarto filme, o documentário enfoca bastante o aspecto mais “light” dado à franquia, se distanciando do tom sombrio e pesado do original e indo em uma direção mais comercial. Se no terceiro filme isso é aceito como uma nova direção, os três próximos são explícitos em termos de fazer dinheiro com o nome do personagem, algo que é discutido sem barreiras pelos realizadores e até, de certa forma, se mostram envergonhados pelo caminho que uma franquia originalmente de horror, vinha tomando. Apesar de serem capítulos normalmente preteridos pelos fãs da série (em especial, quem aprecia o antagonista sombrio do primeiro filme), é divertido ver como se deram cenas tão absurdas e efeitos cheesy através das lembranças bem humoradas das pessoas que trabalharam neles.

Foi só após o universo de “A Nightmare on Elm Street” virar uma zona, resultando até na morte de Freddy no sexto filme que Wes Craven decidiu colocar ordem na casa e voltar a cadeira de diretor com um argumento simples mas genial, evitando ter que seguir de onde o ultimo filme deixou e voltando às origens de horror. O retorno do criador da franquia é um ponto alto no documentário, analisando o impacto da volta de muitos atores do original (incluindo Heather Langenkamp interpretando … ela mesma!), com uma idéia completamente nova mas também uma homenagem ao original, que completava 10 anos na época.

Craven não apenas trouxe de volta ícones da série, como também reuniu uma equipe de peso para “New Nightmare”, o diretor de fotografia Mark Irwin, colaborador frequente de David Cronenberg, além de novos atores como Miko Hughes, estrela mirim imortalizada como Gage de “O Cemitério Maldito” e Tracy Middendorf, todos presentes sendo entrevistados.

Por fim, Freddy x Jason surge em pauta e são abordados os problemas que o filme enfrentou como os diversos roteiros rejeitados, a dificuldade para achar um diretor, a necessidade de reiventar ambas as franquias e o resultado de um projeto de anos que dividiu opiniões tanto dos fãs quanto dos próprios realizadores.

Como epílogo, somos apresentados à história da New Line Cinema, produtora que antes do filme original era uma pequena distribuidora americana e se tornou um dos principais estúdios de Hollywood, já fazendo parte do império Time Warner e um resumo do impacto que a série causou no mundo do cinema e na cultura pop geral, com considerações finais dos atores e diretores envolvidos.

O documentário não trata apenas dos filmes mas também de tudo que envolveu o “astro” Freddy Krueger no auge de sua popularidade como a divertida série de tv “Freddy’s Nightmares” devotando um capítulo inteiro à ela, contando histórias de diretores que trabalharam em episódios como Mick Garris e Tom McLoughlin, demonstrando que o “legacy” do título realmente faz sentido, indo além da franquia e trazendo ao fã curiosidades sobre todos os meios que o personagem se aventurou.

“Never Sleep Again” é o sonho de todo fã de A Hora do Pesadelo, um documentário espetacular feito com muita boa vontade de cada um dos envolvidos nesta longa franquia, contando histórias de bastidores, o impacto destes filmes em suas carreiras e a maneira com que cada um viu sua contribuição no vasto universo criado por Wes Craven.

Outro fator que precisa ser ressaltado é que cada um dos oito filmes revisados ganham a mesma atenção, mesmo os que não foram sucessos entre o público, algo que vai de contra-mão à tendência comum destes documentários de priorizar apenas os mais bem sucedidos e destinar pouquíssimo tempo para falar sobre as demais partes. Cada filme ganha seu momento, com apontamentos do que deu certo e errado, as frustrações e acertos …

Com participações de outras pessoas como o grupo de heavy metal Dokken e Alice Cooper, “Never Sleep Again” é a síntese perfeita e completa de uma série irregular, que continua a fazer fãs até hoje e tem lugar cativo como uma das principais franquias da história do cinema, liderada por um ícone moderno que certamente já pode figurar como um clássico do cinema norte-americano.

Seria fantástico para os fãs de horror se esta iniciativa louvável da produtora 1428 films, dirigida por Daniel Farrands (um especialista em documentários do gênero, por trás também do fantástico “His Name Was Jason” e “Halloween: The Shape of Horror”) e Andrew Kasch, acabasse fazendo com que outras séries clássicas de horror como “Evil Dead” e “Hellraiser” ganhassem seus próprios documentários neste mesmo padrão incrível de qualidade e dedicação, uma verdadeira produção de fã para fã. Recomendadíssimo!

Review – A Hora do Pesadelo (2010)

*Este texto contém SPOILERS

Os remakes no cinema não são exatamente uma tendência nova, eles existem desde o início da sétima arte mas o que mudava eram as motivações para que estes fossem feitos.

Nas décadas iniciais do cinema, remakes eram comuns como sendo atualizações tecnológicas de filmes feitos em um período onde poucos recursos estavam disponíveis e, as vezes, até mesmo contavam com atores que haviam feito parte do cast da versão original. Ou seja, filmes que originalmente surgiram no cinema mudo eram refeitos com som, filmes em preto e branco eram refeitos com cor e pouca coisa em termos de roteiro era mudada, para manter fiel a idéia de uma refilmagem estritamente baseada nos novos artifícios que surgiam.

Depois, o remake ganhou o papel de ser uma re-imaginação de um filme, uma versão atualizada e que tomava liberdades poéticas dentro da idéia original. Dessa forma, filmes que originalmente eram ambientados em uma determinada época e eram escritos dentro dos modismos que eram comuns aos seu gênero, ganhavam versões mais adultas e maduras, dentro de uma linguagem mais próxima do ano de seu lançamento e tornando uma idéia antiga novamente interessante ao público.

Foi assim que clássicos como “A Mosca da Cabeça Branca” e “The Thing”, filmes cinquentistas de sci-fi, ganharam atualizações bem mais adultas e violentas, dentro de uma estética mais agressiva e menos “camp” através de diretores fãs dos originais.

Não apenas dentro do cinema fantástico, remakes também deram versões definitivas para filmes como Scarface que, nas mãos de Brian de Palma, redefiniu as produções do estilo.

Nos anos 2000, o fenômeno retornou com força e ganhou terreno dentro do cinema de horror e dividindo a opinião dos fãs do gênero. Se na década de 70 e 80 remakes tinham o papel de reimaginar uma idéia, as novas refilmagens pareciam estar confusas quanto ao seu papel, sem saber exatamente para que lado seguir.

Para tornar a situação mais delicada, muitos destes remakes eram de filmes nem tão antigos assim, ainda frescos no imaginário do publico e idolatrados por uma legião de fãs (em alguns casos, já saturados pelas diversas continuações).

A saga dos zumbis de Romero, Massacre da Serra Elétrica, Sexta-feira 13, Halloween … nenhum destes remakes de filmes consagrados encontrou unanimidade entre os fãs e alguns receberam críticas pesadas ora por fugirem demais da idéia central do original, ora por refilmarem cena por cena.

E, para se somar à esta confusa e irregular leva, Freddy Krueger é o mais novo ícone do horror moderno a dar as caras no mundo das refilmagens e, provavelmente, não sera o último.

Um dos problemas inicias de “A Hora do Pesadelo” era justamente que seu vilão não era um mascarado que poderia ser interpretado por qualquer um, possuia uma face já imortalizada ao longo de uma enorme franquia. Robert Englund não aceitou participar, deixando um pepino na mão dos produtores e a dúvida de quem poderia interpretar esse novo Freddy.

A solução veio com Jack Earle Haley, ator com respeitável currículo, encarnaria o papel do famoso monstro dos sonhos. E esta escolha trazia junto consigo um anuncio que o novo Krueger seria muito mais sério e sombrio que a piada em que se tornou ao longo de 8 filmes. Boa notícia ? ótima, pensavam os fãs da série.

Com a chegada de um novo ator e uma nova premissa, a maquiagem clássica do vilão teve de mudar e a equipe de produção adotou um visual mais realista, baseado em como uma pessoa real ficaria com a face queimada e menos em criar um tom vilanesco como era originalmente.

Com o filme pronto e muita expectativa sobre esse tom mais sério, era hora de revelar ao mundo o que o novo Freddy tinha a dizer … será que ele tinha algo a dizer mesmo ?

A Hora do Pesadelo 2010 é um remake previsível e extramemente confuso, oscilando entre a reimaginação de um clássico e refilmagem cena por cena. Se por um lado a origem do vilão ganha mais ênfase e a idéia implícita no original de que Freddy seria um pedófilo aqui se torna óbvia, o filme envereda por um caminho de remontar o original com novos atores, muito bla bla bla, sustos falsos e pouquíssimos momentos memoráveis.

Como liberdade poética, o filme de Samuel Bayer apenas cria um formato mais atual, munido de clichês do gênero como o casal que chega até o final do filme vivo e unido e cenas bastante difíceis de engolir com pessoas dormindo durante atividades como nadar (???). A melhor adição fica por conta da idéia de que os adolescentes que Freddy persegue são as crianças abusadas pelo mesmo enquanto vivo, que torna a motivação do monstro mais convincente.

Um dos momentos mais corajosos do filme é uma brincadeira a lá Psicose onde Kris, personagem que parecia tomar o rumo de protagonista é assassinada pelo vilão. Entretanto, para quem assistiu o original, sabe de antemão que a estrela é Nancy (queria ver Bayer ter colhão de matar a mesma, aí sim uma surpresa geral).

Os atores escolhidos para papeis importantes no filme são outro problema já que, na grande maioria do tempo, não são convicentes e pouco carismáticos. Se no original víamos Nancy e os outros personagens como adolescentes comuns presos à uma situação inimaginável, temos no remake personagens “fakes”, muito mais próximos de uma agência de modelos do que uma escola de atuação.

Nancy, a personagem central, é uma das piores coisas no filme, totalmente fraca e inexpressiva. Jack Earle Haley, no fim das contas, não faz tanta diferença já que poderia ser até Sam Worthington embaixo de toneladas de maquiagem e CGI, seria mais interessante se fosse um personagem “normal” do filme, o único ator em meio a toda patotada.

O próprio Freddy aqui sofre de uma tendência péssima dos remakes, uma mania de mostrar o vilão durante todo o tempo o que o desgasta ao longo de vários sonhos que os personagens tem (alguns desnecessários), prejudicando o ritmo e tornando a figura de Freddy mais próxima de um protagonista do que na ameaça dos adolescentes, como era no filme de Wes Craven.

E se A Hora do Pesadelo era um filme mais “atmosférico” que os slashers de sua época, seu remake trata de acabar com isso, impregnando o filme com sustos falsos a todo instante, em uma tentativa clara de fugir da responsabilidade criar um ambiente de tensão e fazer (tentar) com que o público pule da cadeira, o que pode funcionar durante algum tempo mas não sustenta um longa metragem.

A síndrome “Zombieween” também afeta a produção já que os roteiristas precisam mastigar para o espectador tudo sobre o vilão ao invés de manter um certo segredo sobre sua origem e torna-lo mais ameaçador, o mesmo que Rob Zombie fez com Michael Myers ao mostrar como um mero delinquente juvenil.

No fim das contas, colocando na balança os prós e contras, A Hora do Pesadelo pende mais para seus problemas e defeitos e não se justifica como remake já que não adiciona tanto ao original e é, de modo geral, um filme pior.

Podem não parecer justas as comparações mas, no caso de uma refilmagem que se preocupa mais em filmar o roteiro original com poucas mudanças, elas são válidas como forma de avaliarmos quem se sai melhor contando a história de Freddy Krueger.

Apesar de possuir algumas boas idéias esparsas, este mais novo remake só confirma o ceticismo geral da comunidade de fãs de horror quanto à este tipo de lançamento. Falta liga para o filme e seus defeitos claros como más atuações e exageros acabam fazendo com que o dvd do original seja uma melhor escolha.

E, em termos de reboot para a franquia, Wes Craven dirigiu em 1991 “O Novo Pesadelo” calcado em uma idéia muito mais criativa sobre metalinguagem do que todas as liberades criativas do remake somadas.

WHY???? Remake de Karate Kid!

Oh não, Mr Miyagi ...

Existem filmes que passam uma mensagem, por mais rasa e simples que seja, não precisam ser refeitos para continuar a passar essa mensagem.

Karate Kid é um clássico cult dos anos 80, quem cresceu vendo esse filme na sessão da tarde sabe do impacto que ele tinha sobre nossas pequenas mentes influenciáveis (a ponto de fazer escolinhas de luta um negócio beeem lucrativo). Hoje em dia, décadas depois, o filme continua a passar aquela mensagem batida de “você pode ser o que quiser, siga seus sonhos e nada impedirá”, mesmo em meio à um cenário completamente oitentista com cabelos toscos e musicas cheias de synths bregas, e continua a fazer crianças brincarem de lutinha após assistirem (felizmente, eles não decidem deixar mullets crescerem …).

Para a cabeça de uma criança não importa, exatamente, se um filme é da década de 70 ou da década de 90, o que importa é a diversão que irão ter ao assisti-lo e, para os pais, a lição que irão tirar disso tudo. Karate Kid original continua a ser divertido com cenas antológicas e inspirador e talvez não tenha tanto impacto aunda hoje porque pouco é apresentado para a geração atual de crianças.

Fazer um remake de um filme como O Gênio do Videogame é até compreensível porque se Super Mario 3 era o must daquela geração, Call of Duty e Resident Evil é o da atual (se bem que isso não ia dar muito certo …) mas, em Karate Kid, a idéia continua a vigorar e é facilmente entendida.

POR QUE então refilmar ?

Uma das idéias que os produtores devem querer passar é aceitação racial já que o menino que fará Daniel San é o filho de Will Smith, Jaden Smith mas sendo sincero, pra mim é uma questão corporativa e o pai famoso do menino deve ter pesado muito mais na decisão final. Se é assim, cada clássico infantil vai ter que ser refeito com o protagonista negro, me pergunto se isso não é uma espécie de segregação racial do tipo “eu tenho meu filme, você vai ter o seu” ?

"Nós vamos arruinar um dos seus filmes prediletos da infância"

Mr. Miyagi será interpretado por Jackie Chan, o patético e irritante Jackie Chan americanizado, certamente todo o carisma e charme do personagem na época de Pat Morita vai dar lugar  para um personagem bobão e metido a engraçado.

E o que será da trilha sonora ? Hip Hop cantado pelo papai Smith ? ou Lady Gaga ?

É a luta do Karate Kid x Monk Kid

Se tem algo que a geração atual não deveria aprender é apreciar os valores de sua própria geração, extremamente deturpados e ignorantes. É bem capaz que meninos de 10 anos esperem de um filme desses um monte de violência e sangreira, como devem estar acostumados à assistir em filmes de “gente grande”. O Karate Kid original era um filme que, sem ser adulto, não subestimava a inteligência de seu publico alvo mas também não o instigava a querer ser “grande”, como diversos filmes infantis costumam fazer hoje em dia.

E cada vez mais Hollywood declara sua completa falta de imaginação inventando desculpas para refilmar filmes que ainda hoje carregam o mesmo apelo da época de seu lançamento … Qual será o próximo ?

Reciclagem em Hollywood Parte 3D – O Retorno dos Que não foram

A terra do cinema americano é um lugar semelhante à uma sala de aula do primário; há sempre o popular da classe, o mais influente, aquele que dita às regras e os outros o seguem.

Um belo dia, esse menino(a) popular traz para a classe um novo brinquedo, transado e irresistível e o proclama como sendo a melhor coisa que surgiu no mundo. No outro dia metade da classe estará com o seu em mãos até o momento em que saia de moda e o popular traga outro brinquedo para o desespero dos pais.

E o que tem a ver isso tudo com Hollywood ? Bem, por lá basta o”popular” da vez inventar uma nova tendência, que é rapidamente absorvida pela industria e os clones pipocam sem parar até tirar o ultimo centavo do bolso do espectador. O “bam-bam-bam” da vez foi James Cameron que, com seu épico orçamentário Avatar, “revolucionou” a industria com o uso do artifício 3D, o messias que veio trazer uma nova maneira de fazer cinema.

Os Na'vis antes do computador ...

Apartir daí, uma enxurrada de outras produções integraram o 3D em sua campanha promocional e lotaram os cinemas do mundo na procura pela última bolacha do pacote em termos da nova mania, desde “Clash of Titans” até pornografia em terceira dimensão!

Mas será que o 3D no cinema é uma novidade criada por James Cameron ? Será que é apenas um dejavu a sensação de que essa “mania” já aconteceu há um bom tempo atrás e se repete agora ?
Não, caro amigo, não é um dejavu, a industria do cinema não envisionou o poder da terceira dimensão junto de Avatar mas sim apenas reviveu um recurso que já havia virado piada, coisa antiga e ultrapassada e que agora é cool.

E até mesmo as cretinices atuais de colocar uma cena lá que outra que um personagem atira algo na tela e o filme já ganha o “3D” no cartaz são recursos que fizeram a fama de “tapa-furo para chamar gente para o cinema” do  3D no passado e, após um amnesia geral no planeta terra, fazem nos dias de hoje em pleno 2010.

A História do 3D no cinema

A idéia de juntar cinema com o recurso de terceira dimensão inicia em 1890 quando o britânico William Friese-Geene patentiou a idéia de colocar dois filmes distintos rodando em uma única tela, onde o espectador olhava através de um estereoscópico que “misturava” ambas as imagens e criava um efeito que a imagem saia da tela (semelhante ao processo de estereoscopia em fotos, as famosas fotos em 3D).

A idéia era boa mas impraticável e muito cara e já no início de 1900, Friese-Geene criou uma câmera munida de duas lentes que registrava em terceira dimensão diretamente, sem a necessidade do estereoscópico.

Em 1915 foi mostrada para audiências, pela primeira vez, os famosos anaglifos em vermelho e azul (padrão que continua até hoje) e a introdução do (desconfortável) óculos para assistir as produções.

Diversos curtas foram produzidos, ao longo dos anos, utilizando essa tecnologia até que em 1951 foi lançado “Bwana Devil”, um longa totalmente em terceira dimensão que iniciou a febre na década de 50, considerada os anos de ouro da técnica no cinema.

O primeiro filme em 3D de terror, genêro em que  a técnica mais prosperou, foi “A Casa de Cera” dirigido por André de Toth e estrelando Vincent Price, filme responsável pela mania terceira-dimensão no cinema americano. Ele também foi responsável por criar uma gama de clichês típicos de produções utilizando esta técnica como em um incêndio no museu de cera que “saia” da tela, um homem sendo lançado em direção aos espectadores e muito mais.

Jogando Ping-Pong com o público

Uma irônica curiosidade sobre o filme é que o diretor de Toth era cego de um olho e não pôde apreciar o filme em 3D, o que causou um divertido comentário por parte de Price: “Andre de Toth era um excelente diretor, mas ele realmente era errado para dirigir um filme em 3D. Ele ficava irritado e dizia, ‘Porque todos estão excitados a respeito disso?’ não fazia qualquer sentido para ele”.

Em 1953, a Universal lançou o sci-fi “A Ameaça veio do Espaço” dirigido por Jack Arnold, o primeiro do estudio utilizando a nova tecnologia. O filme foi um sucesso enorme de público, se tornando a sétima maior bilheteria do ano. Na mesma época, a primeira comédia em 3D foi lançada, um filme dos três Patetas Spooks and Pardon My Backfire”.

No ano seguinte, em 1954, um eterno representante do horror clássico foi lançado pela Universal utilizando a tecnologia, “O Monstro da Lagoa Negra” dirigido pelo mesmo Jack Arnold e que gerou uma continuação, “A Vingança da Criatura” que ainda usou o efeito e é lembrado como o último filme da “era de ouro do 3D” utilizando a técnica.

Um dos exemplos mais celebrados de bom uso da técnica é o clássico “Disque M para Matar” de Hitchcock que, ironicamente, não foi exibido na época de lançamento em 3D e só foi lançado desta forma na década de 80 após um enorme sucesso em exibições teste nos Estados Unidos.

Após 1954, a técnica perdeu força com a chegada  do formato Widescreen nos cinemas e a era de ouro teve fim com a continuação de um dos maiores sucessos no estilo que, ironicamente, fez um bom box-office na época de lançamento.

A volta do 3D na década de 80

Apesar de ter perdido força, o 3D nunca chegou a morrer e no início da década de 60 era comum o lançamento de exploitations obscuros utilizando anaglifos, levando a técnica para o “underground”.

Arch Oboler, responsável pela explosão do 3D na década de 50 reinventou criando uma nova forma de fazer, inventando um formato que utilizava sobreposição de imagens em apenas uma tela, o que facilitava a exibição e permitia ser exibido em Widescreen, sem possibilidade de ficar fora de sincronia.

A nova técnica trouxe de volta a possibilidade de exibição nos cinemas e uma nova compania especializada foi criada chamada Stereovision e, já nos anos 70, lançou a comédia erótica softcore “The Stewardesses” que custou a bagatela de $100,000 e rendeu incríveis $27,000,000, se tornando o filme 3D mais rentável da história até aquele momento, recriando o interesse das majors pela técnica até então adormecida.

Hmmm ... Não, obrigado!

Com a chegada da década de 80, horror e filmes eróticos acabaram se tornando o alvo da renovada tecnologia 3D, rendendo diversas continuações de franquias já consagradas no formato e tornando a idéia de 3D como sendo um dispositivo promocional poderoso, já que poucas vezes o artifício era usado e acabava sendo um recurso muito mais desviar a atenção do público de roteiros frágeis e ruins.

Se tornou comum o clichê de lançar a “parte III” de uma franquia em 3D, fazendo uma analogia ao numeral que o filme carregava. Abaixo uma lista de produções que utilizaram a técnica nos anos 80:

  • Parasite (1982) – Esta tranqueira dirigida por Charles Band e contando com Demi Moore no elenco, se usou da tagline “The first futuristic monster movie in 3-D” para fazer caixa no cinema.
  • Dogs of Hell aka Rottweiler (1982) – Esta desconhecida pérola conta com o técnico Chris Condon que serviu de consultor 3D para várias produções da época
  • Friday the 13th Part III (1982) – Dirigido por Steve Miner e conhecido por ser o primeiro filme da franquia a ter Jason com a máscara de hoquei, o filme reciclou clichês como jogar a toda hora pessoas contra a tela.
  • Amityville 3D (1983) – Considerado o início do declínio total de uma série já irregular, esta terceira parte foi lançada com recursos em terceira dimensão nos cinemas.
  • Jaws 3D (1983) – Terceira parte da franquia iniciada por Steven Spielberg, o filme se usa do recurso 3D especialmente nas partes finais com a destruição de um parque aquático pelo tubarão.
  • Hyperspace aka Gremloids (1984) – Estranho filme que parodia Star Wars, dirigida por Todd Durham e estrelando Chris Elliott (ator famoso posteriormente por estrelar em várias séries).
  • Plan 3-D from Outer Space (1985) – O filme mais famoso de Ed Wood foi relançado nos cinemas em 3D na década de 80

Foi nesse momento que o 3D ganhou fama de puro oportunismo por acompanhar produções pobres, com roteiros razos e até mesmo pouquíssimas cenas que utilizavam o recurso, sensação essa que perdura até hoje e fez escola para diversos diretores atuais voltarem a faturar dessa forma.

Ele vai te pegar!

Na década seguinte, alguns outros filmes de horror investiram na tecnologia como a sexta parte de “A Hora do Pesadelo” lançada em 1991 e tranqueiras como Dino Island II e T-Rex – Back to the Cretaceous.

James Cameron teve contato com a tecnologia em um curta para a Universal chamado “Terminator 2: 3-D: Battle Across Time” e posteriormente lançou “Into the Deep” para os cinemas Imax inteiramente filmado em terceira dimensão.

O Segundo retorno nos anos 2000

Durante os anos 2000, a tecnologia foi muito utilizada em produções para Imax como viagens ao fundo do mar e curtas infantis até retornar com força no cinema mainstream através de Avatar. Somado à isso, diversos filmes foram relançados para cinemas especiais usando a tencologia como “A Noite dos Mortos Vivos” original e “The Nightmare Before Christmas”.

No cinema de horror e fantasia em geral, o 3D voltou com força estampando cartazes promocionais de filmes como “Premonição 4” e  o remake de “Dia dos Namorados Macabro” além de estar confirmado em produções futuras como “Resident Evil: Afterlife 3D” e “Piranha: 3D”.

A antiga tecnologia não apenas pegou de assalto o cinema mas também contagiou a industria eletrônica que já lançou televisões que permitem o uso de efeitos em 3D além de videogames e outros dispositivos eletrônicos que prometem trazer uma experiência em terceira dimensão para o consumidor.

É bom ou é ruim ?

A volta do 3D no cinema sucita uma pergunta que qualquer cinéfilo deve estar se fazendo: “Isso vai ajudar a termos filmes melhores ou só vai piorar ?”.

Apesar de ser uma pergunta generalista, é difícil analisar se o uso da tecnologia é benéfica de um modo geral ou será apenas um dispositivo promocional usado por produtores para chamar público para os cinemas. Avatar pode ter inúmeros defeitos como filme mas dá uma aula de como usar o 3D de forma a contribuir para uma experiência audio-visual diferente, talvez porque James Cameron concebeu o filme pensando no uso da tecnologia.

Entretanto, por outro lado, a parte ruim é que iniciada a moda, diversas produções que nada tinham a ver com o pastel inseriram algumas (poucas) cenas que utilizam a técnica e sairam vendendo seu peixe como sendo a ultima novidade 3D do momento. Se por um lado isso é interessante para a industria do segmento, por outro é uma enganação total utilizando o hype para lucrar o que, por sinal, foi o que matou o 3D nas outras duas vezes em que se tornou mania.

E apesar de ser uma tecnologia promissora, em especial pela evolução enorme dos efeitos especiais, pode acabar sendo sinônimo de oportunismo na mão de produtores mal-intencionados que entreguem ao consumidor trabalhos mal feitos, sem sentido nenhum e que se escondem atrás de uma ceninha onde alguém é jogado contra a tela.

O próprio Tim Burton que, dirigiu o esperado “Alice in Wonderland” utilizando a tecnologia falou “Com certeza nós iremos ver vários filmes em 3D péssimos em um futuro próximo, porque Hollywood canibaliza qualquer coisa por sucesso, é como a industria funciona… É algo incrível quando você o usa como uma ferramenta técnica e não como uma arma poderosa”.

A tentativa de enfiar a tecnologia guela a baixo do consumidor também é cretina, televisões com 3D são caríssimas e não fogem do uso dos tradicionais (e incitadores de dores de cabeça) óculos, prometendo mundos e fundos com belos comerciais mas esbarrando nas limitações que já existem há, pelo menos, 5 décadas.

Se vai passar ? Bem, das outras duas vezes em que se tornou mania, o 3D acabou morrendo vítima de quem o explorou de forma errada e que minou as audiências a evitarem a sigla como sinônimo de coisa ruim mas agora, apesar de acontecer a mesma coisa, uma enorme parte da industria descobriu a nova mina de ouro e por algum tempo ouviremos falar desta antiga tecnologia requentada por quem a esqueceu …