Mês: agosto 2010

Algumas palavras sobre o remake de Last House On The Left …

*Esse texto contém SPOILERS

Após reassistir a refilmagem de The Last House On The Left, intitulada no Brasil de “A Última Casa”, desta vez completa e sem cortes, fiquei imaginando o que havia me dado na cabeça para ficar acordado até as 3 horas da manhã esperando tal filme começar a ser exibido na televisão. Uma tendência sado-masoquista talvez ? Falta de bom-senso ? Bem, independente do que seja, ao fim da exibição guardei na cabeça a idéia de escrever um texto para o blog, muito provavelmente o texto que abrirá a volta à normalidade já que estive ausente por um bom tempo com um ritmo de tartaruga nas postagens.

Vejamos por onde começar … Se o original é um exploitation, ou seja, um filme que prende com uma trama interessante mas se segura mesmo nas cenas de violência física e moral, o remake de 2009 é uma versão “soft”, adaptada para platéias adolescentes, excluindo conteúdo mais pesado (e não me refiro apenas à violência gráfica) e apelando para soluções politicamente-corretas o tempo todo. A primeira, visível aos olhos do público, é o aumento de idade das duas meninas que serão vitimadas pela “quadrilha de sádicos”. Se no original, Mari Collingwood está prestes a completar 15 anos (e enquanto ela sai de casa para passar um tempo com a amiga, seus pais preparam uma festa surpresa em casa), aqui ela e Paige já são maiores de idade, inclusive sabendo dirigir. Muito provavelmente é resultado da “tesoura” dos produtores que acharam que seria muito imoral expor duas meninas de 15 anos à atos extremos de crueldade sexual e brutalidade, isso em tempos onde adolescentes de 15 anos ou menos usam pulseiras que indicam qual seu tipo de posição sexual preferida por vontade própria!

Continuando, a família Collingwood chega à sua casa de lago para passar as férias de verão e, Mari, pede o carro emprestado afim de encontrar sua amiga Paige. Assim como no original, elas encontram um garoto afetado chamado Justin que as convida para fumar erva no hotel onde está hospedado. Tudo vai bem até o “bando” que acompanha o rapaz retornar, liderados pelo seu pai Krug. Completam uma menina feiosa, Sadie, namorada de Krug e o tio de Justin, Francis.

Krug mostra a capa do jornal local onde os três estão como foragidos da justiça já que fugiram do carro que os transportava para a cadeia e assassinaram dois policiais, o que leva as duas meninas a perceberem que se meteram em uma boa enrascada. O bando decide sequestrá-las porque seria arriscado liberá-las após os verem. Roubando o carro de Mari, eles seguem sem rumo até que a menina insiste que vão em direção à sua casa, afim de tentar fugir de alguma forma. Em um ato de coragem e esperteza (mesmo em uma situação extremamente estressante) típico dos filmes teen, Mari utiliza um isqueiro de carro para queimar o rosto de Sadie e provoca um acidente que machuca o nariz de Francis. Paige tenta fugir e consegue seguir floresta afora até chegar na entrada de uma área de construção, onde inexplicavelmente para e começar a berrar por socorro enquanto Francis e Sadie à procuram. Porque não adentrar o local para chegar até alguém e buscar socorro, realmente não sei. Feito isso, se dá início à famosa cena na floresta. Se no original, este é um dos momentos mais excruciantes e perturbadores, com todo tipo de perversão moral e agressão física às duas adolescentes, temos uma versão reduzida e suavizada dos fatos. Paige é assassinada por Krug com algumas facadinhas enquanto Mari é estuprada “de forma limpinha, quase toda vestida” pelo vilão. Os demais parecem estar em um funeral, como se rezando para que suas almas sejam salvas, enquanto no original os vilões se deliciavam de forma doentia e perturbadora com o sofrimento das vítimas. Um pouco antes na mesma cena, Justin, o representante da geração Emo no longa, chora enquanto é forçado pelo pai à agarrar o peitinho de Mari. Não aprovo estupro mas é no mínimo curioso, um adolescente chorar por ser “forçado” à agarrar o peito de uma gatinha como Mari, mundo estranho esse de hoje …

Em um lance de sorte, enquanto Krug balbucia um discurso vilanesco, Mari pega uma pedra no chão e bate na cabeça do vilão, conseguindo fugir pela floresta até chegar ao lago e começar a nadar. Chegando no local, o bando maligno começa a praticar tiro-ao-alvo na água, já que a menina parece ter criado um motor nas costas e em segundos já chega à metade do percurso. Um tiro à acerta nas costas e ela tomba, enquanto o sangue toma a àgua. Duas coisas chamam a atenção nesse momento, uma delas o fato de que os vilões vão embora deixando o corpo à deriva. Se sequestraram as duas meninas para não dar pistas de seus desaparecimentos, qual o motivo de deixar um corpo à deriva em meio ao lago ? Criminosos brutais e cruéis com medo de se afogar ?

O segundo fato constrangedor da cena se deve à Sadie chorando enquanto vê o corpo da vítima, algo que até agora não entendi. No original, em nenhum momento os vilões mostravam traços de humanidade, apenas adoravam cada momento de tortura que afligiam, no remake eles têm lapsos de consciência ?

Se a tal cena da floresta já é vergonhosamente uma versão extremamente picotada da original, em que as meninas eram forçadas até mesmo a urinar na frente de seus agressores, a parte seguinte em que os pais se vingam dos assassinos é uma piada de muito mal-gosto.

Assim como no filme de 1972, o bando chega até a casa dos pais de suas vítimas em uma terrível coincidência tentando se refugiar de uma tempestade. Justin, como sempre, começa a dar um ataque e se sentir mal, pedindo para ir ao banheiro. É bom devotar algumas linhas sobre ele, provavelmente o personagem mais insuportável do remake. No original, o rapaz parecia estar sempre chapado (e estava!) como uma fuga da opressão e mal-estar que sentia ao ver o pai e o tio fazerem tanta maldade, perdido entre aceitar e fazer parte daquilo ou se rebelar e ajudar as vítimas. No remake, nada disso acontece porque Justin é um guri xarope, extremamente chorão e covarde desde o primeiro momento, que só sabe passar mal para não ter de enfrentar a terrível realidade que o cerca, um autêntico “emo”, talvez inserido pela produção para que as platéias tivessem com quem se identificar.

Enfim, Justin descobre que está na casa dos pais de Mari e deixa uma medalha que pertencia à menina em cima de uma mesa na cozinha, afim de dar a pista para que a família descubra, posteriormente é abordado por seu pai que o diz para “não estragar tudo outra vez”, dando a entender que já descobriram que estão na casa de Mari, algo da qual o roteiro não se importa em mostrar como eles chegaram até a conclusão … telepatia talvez ? Decidido que Krug e seus comparsas passarão a noite na casa, o filme até “conserta” algo que era difícil de engolir no original, já que no remake a família possui uma casa auxiliar nos fundos para hospédes (algo que eu nem imaginava que existia!), enquanto no original um bando de desconhecidos mal-encarados passam a noite sob o mesmo teto da família Collingwood.

Mari, por mais incrível que pareça, está viva e tirou forças não sei da onde para conseguir se arrastar até sua casa, contendo o sangramento do ferimento de bala, provavelmente, com a força da mente. Chegando em casa, seus pais a recebem e a tratam premilinarmente. Jonh Collingwood, que é doutor, faz procedimentos de emergência, algo que fica claro, e diz que eles precisam de urgência para chegar até um hospital. No mesmo momento, a mãe acaba descobrindo a medalha e liga os pontos na hora, descobrindo que aqueles que abrigam foram os responsáveis pelo abuso da filha, inclusive matando na hora a charada que Justin deixou propositalmente a jóia para que eles descobrissem (outro caso de telepatia ?)!

Lembra da “urgência” mencionada pelo pai para chegar até um hospital ? Bem, tudo o que ele faz é correr atrás das chaves da lancha que desapareceram enquanto a mãe recebe a visita de Francis. Se no original tal cena culmina na famosa “castração à dentadas”, aqui o fim do vilão é extremamente convencional, já que Emma o seduz até ele perceber a presença de Mari na sala. Para tentar compensar no “gore”, o papai John acerta uma martelada na cabeça e Francis tem sua mão deformada pelo triturador da pia. Sem sombra de dúvidas, mesmo três vezes menos sangrenta e explícita, a cena do original era bem mais impactante, a despeito de ser totalmente off-screen!

Esquecendo das necessidades de cuidado médico da filha, os papais Collingwood decidem partir em busca de vingança e vão até o cômodo onde Krug e Sadie estão dormindo. Chegando, são recepcionados pelo garoto-problema Justin que os entrega a arma do pai. Sadie acorda e leva um tiro no pescoço, enquanto Krug arruma um jeito de fugir pela janela. A namoradinha do vilão é morta posteriormente com um tiro no olho (em um CGI safado). Krug, talvez querendo achar seu irmão, volta à casa principal, algo da qual nem passaria pela cabeça de um assassino esperto e cruel como ele, com o risco enorme de ser pêgo pela polícia ou ser morto em alguma armadilha. Polícia essa que é 100% ignorada como opção pelos pais, já que surpreenderiam os criminosos caso tivessem a brilhante idéia de ligar e pedir ajuda … Será que não haviam telefones, celulares ou qualquer coisa, como em 99% dos filmes de horror modernos ?

Voltando à casa, John se defronta com Krug, apanha muito a ponto de quase ser morto quando está desacordado, após Krug lhe dar todo o tempo do mundo para bolar alguma idéia enquanto brada algum discurso imbecil. Justin, o emuxo revoltado, surge e aponta a arma para o seu pai. Nesse momento, no original, Krug faz uma enorme pressão emocional em cima do filho e o oprime a ponto de acabar cometendo suicídio. Na refilmagem, os produtores devem ter achado que era demais tê-lo morto já que as audiências teens iriam ficar chocadas e ele acaba ferido pelo pai, quando em um timing impressionante, a sra. e o sr. Collingwood acertam a cabeça de Krug e o deixam desacordado.

No plano seguinte, vemos a família fugindo através de uma lancha, junto de Justin (da qual o ferimento que parecia bem feio fora totalmente ignorado pelo roteiro), enquanto cenas de Krug preso à uma mesa são mostradas de forma intercalada. Quando corta para a tal cena, imaginei que o pai de Mari utilizaria seus conhecimentos médicos para torturar de todas as formas o vilão. Mas não, o roteirista preferiu fechar o filme com “chave de bosta” e incluir um dos momentos mais ridículos que já vi. A cabeça de Krug é colocada dentro de um microondas, começa a queimar e acaba por explodir … em um dos piores efeitos CGI possíveis, algo que soa tão falso como se fosse um daqueles videozinhos que acompanhavam os jogos no saudoso Playstation 1. O horror, o horror …

Na linha que segue fielmente a cartilha dos remakes anos 2000, Last House On The Left 2009 é um filme “limpinho”, com personagens bontinhos e fortões com o qual a platéia possa se identificar (mesmo os vilões). Krug, um dos pontos mais altos do original, interpretado de forma assustadora por David Hess da qual era um sujeito “normal” que poderia ser seu vizinho, aqui ganha uma forma canastrona e vilanesca no estilo hollywoodiano pelo marombado Garret Dillahunt, na veia “maldade é medida pelos músculos e altura do vilão”.

As meninas, no original, eram única e exclusivamente vítimas, lutando por suas vidas mas sem lapsos de super-coragem ou idéias rapidamente tomadas em situações extremas. No remake, Mari acaba como “protagonista”, onde Paige é uma completa zero à esquerda que logo logo acaba por ser morta.

Em alguns momentos (e talvez, de forma geral), a refilmagem é mais sangrenta que o original. Entretanto, uma das características do clássico exploitation de Wes Craven era a completa degradação moral das vítimas, o descaso total dos vilões com suas vidas e, posteriormente, a desumanização dos pais de Mari, cegos pelo ódio e pela vingança. Nada disso acontece aqui, trocando cenas de humilhação e todo tipo de violência psicológica por sanguinolência on-screen parecem suficiente para os produtores na tentativa de chocar o público, quando vivemos ás voltas de notícias diárias reais com todo tipo de violência contra seres humanos.

Os cenários, personagens e situações foram polidos, para saírem da realidade suja e maltrapilha do filme de 1972 e entrarem para a realidade limpinha, organizada e pasteurizada dos remakes atuais, uma troca que não acrescenta nada à história, apenas tira tensão e o clima opressivo que dava o tom do original.

E imaginem só, além de perder quase duas horas assistindo essa porcaria, perdi mais de 30 minutos para escrever sobre ele … vá entender!

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Session 9 – Review

Diretor razoavelmente desconhecido, uma pequena produtora por trás, pouco dinheiro e uma boa idéia. Essa combinação já rendeu frutos inestimáveis no meio do cinema de horror/ficção científica, trabalhos seminais na formação do cinema fantástico foram feitos sem chamar tanta atenção, sem budget de super-produção mas sempre servidos de bons roteiros, atores talentosos e boa vontade.

Em tempos onde cinéfilos estão saturados de remakes e filmes onde o que valhe é derramar litros e litros de sangue na cara do espectador, Session 9 de 2001 é um oasis, uma miragem no deserto seco de originalidade do cinema americano. Não que o longa do diretor Brad Anderson se baseie em uma idéia totalmente nova e original mas sua qualidade é fazê-lo de forma competente e interessante, movendo o espectador para uma atmosfera densa e sombria na tradição de clássicos do horror psicológico como “O Iluminado” de Kubrick, brincando com o limite entre a insanidade causada pela pressão do dia-a-dia e a intervenção do sobrenatural.

A história se passa em um gigantesco hospital psiquiátrico abandonado (Danvers State, que realmente existiu e recentemente foi colocado abaixo), onde um grupo de trabalhadores especializados em remoção de amianto é contratado para limpar o local. Liderados por Gordon Fleming (Peter Mullan), a equipe ainda conta com Mike (Stephen Gevedon, um dos roteiristas) que demonstra ter um grande conhecimento e remorso por ter abandonado a faculdade de direito quando jovem, Phil (David Caruso), o braço direito de Fleming, amargo por ter perdido sua namorada para Hank (Josh Lucas), que passa o tempo inteiro o provocando por isso. Jeff completa o time, membro mais novo e sobrinho de Gordon.

Ao longo do tempo, os personagens principais são afetados de diferentes formas por sua estada no hospital. Gordon vive o estresse  por ser pai pela primeira vez, enfrentando problemas em casa também devido a falta de dinheiro, motivo pela qual prometeu entregar o trabalho pronto em apenas duas semanas afim de desesperadamente conseguir o trabalho. Mike vive com o drama de ter desistido de seu grande sonho, tornar-se um advogado, e acaba se envolvendo com a história do misterioso hospital através de fitas contendo sessões de psiquiatria de uma paciente, Mary Hobbes, que demonstra ter diversas personalidades e é questionada aparentemente por um assassinato. Phil, interpretado pelo veterano e conhecido ator de seriados de sucesso, David Caruso, é atormentado por ter perdido sua namorada para o colega de trabalho Hank, um irresponsável e satírico personagem que revela ter o sonho de abrir um Casino em Las Vegas. Jeff é chamado para ajudar seu tio e demonstra problemas com locais escuros, alegando ter uma doença chamda Nictofobia.

Em determinado ponto, Hank desaparece (supostamente fugiu para Las Vegas) e Phil decide chamar um outro trabalhador de uma compania rival, afim de completar o time para acabar o trabalho até o fim da semana. Gordon, visivelmente abatido e descontrolado, revela para o personagem de Caruso que bateu na mulher porque ela deixou uma panela de agua quente cair sobre ele. Preocupado com o estado mental do chefe e amigo, Phil acaba convencendo Mike que devem afastá-lo do trabalho, enquanto Gordon escuta a conversa do andar de baixo.

Neste momento, Jeff surge e alega ter visto Hank nas escadas de uma ala do hospital, deixando Phil nervoso e fazendo com que Gordon ordene todos à partirem para diferentes setores do hospital afim de achar o membro desaparecido. Mike aproveita o momento para ouvir mais das fitas contendo as confissões da paciente Mary, ouvindo sobre três personalidades distintas, incluindo Simon, uma voz masculina e ameaçadora que revela ter mandado a paciente assassinar uma pessoa. Enquanto cada membro da equipe procura Hank por diferentes lugares, uma estranha presença surge e assassina um a um, sobrando apenas Gordon.
Em flashback, descobrimos que o chefe do grupo matou toda a família no dia em que alegou ter batido na mulher, por ter ouvido a voz de “Simon” ordená-lo a fazer. Phil acaba descobrindo e é morto, levando Gordon ao desespero por ter assassinado sua família e seus amigos, enquanto ao fundo a fita da “sessão 9” de Mary Hobbes é tocada.

Apesar de Caruso ser o ator mais conhecido do cast, Peter Mullan é quem realmente merece grande destaque pela tensa interpretação de Gordon, um homem perdido entre a responsabilidade de cuidar de uma família e a falta de dinheiro para tal. A trama vai em um crescendo, levando o espectador a imaginar que Phil pode ter sido o responsável pela morte de Hank até a revelação final, sugerindo que a personalidade “Simon” acabou também por se manifestar no personagem de Mullan.

O filme transita com naturalidade entre o clima pesado que cria, demonstrando as vidas conturbadas do grupo de trabalhadores através de flashbacks e conflitos internos na equipe. Assim como na antiga tradição de longas nesse estilo, Session 9 não escancara a intervenção sobrenatural, preferindo se concentrar na degradação mental dos personagens e a influência do imponente prédio nesta situação.

Apesar de poder ser interpretado como um caso claro de insanidade, o plot central pode sugerir diversas interpretações como a real presença de uma entidade trazida pela paciente Mary Hobbes e que passou a habitar o local. Ao fim, na gravação, “Simon” conta ao doutor que habita os fracos e machucados, levando a crer que Gordon era o elo mais fragilizado devido aos problemas pessoas que enfrentava, um outro ponto de encontro entre a produção americana e o clássico “O Iluminado”, permitindo o debate sobre a dubiedade da história. As cenas excluídas (presentes no dvd) ajudam a elucidar a existência de uma manifestação demoníaca já que mostram uma entidade escondida entre as paredes do hospital, espreitando o time. No dvd, há também um final alternativo onde uma mendiga presencia os assassinatos e acaba entregando Gordon Fleming à polícia.

O trabalho do diretor Anderson é um ponto central no resultado assustador e atmosférico de Session 9, o ritmo é lento (sem exageros) e vai crescendo sem a necessidade de sustos falsos e cenas gráficas, também sem utilizar “monstros”, apenas apostando em momentos de tensão da qual os personagens vivem enquanto trabalham no hospital. Outro êxito total de Anderson é a filmagem em um estilo “old-school”, sem a irritante tendência das câmeras tremidas e os cortes videoclipeiros, uma das pragas do cinema atual. A cor desbotada ajuda também na criação de uma atmosfera sombria e sufocante.

A falta de caras conhecidas no elenco é outro ponto positivo, permitindo dar credibilidade aos personagens e ao espectador simpatizar sem dar uma idéia concreta de quem vai ver ou morerrá ao fim do filme. Além de Mullan, o cast é relevante, com boas atuações de Caruso até o curioso e inteligente personagem de Stephen Gevedon,Mike, importante no roteiro para explicar a história do hospital ao espectador.

É uma pena que tal produção não tenha ganho muita atenção no Brasil (não foi lançada por aqui, um caso explícito do descaso de nossas distribuidoras), já que internacionalmente foi bem comentada e carrega uma nota alta na database IMDB. Para corrigir esta injustiça, procure assisti-lo e tirar suas próprias conclusões sobre um dos melhores longas de horror psicológico da década de 2000.