Never Sleep Again The Elm Street Legacy Review Freddy Krueger Wes Craven

Algumas palavras sobre o remake de Last House On The Left …

*Esse texto contém SPOILERS

Após reassistir a refilmagem de The Last House On The Left, intitulada no Brasil de “A Última Casa”, desta vez completa e sem cortes, fiquei imaginando o que havia me dado na cabeça para ficar acordado até as 3 horas da manhã esperando tal filme começar a ser exibido na televisão. Uma tendência sado-masoquista talvez ? Falta de bom-senso ? Bem, independente do que seja, ao fim da exibição guardei na cabeça a idéia de escrever um texto para o blog, muito provavelmente o texto que abrirá a volta à normalidade já que estive ausente por um bom tempo com um ritmo de tartaruga nas postagens.

Vejamos por onde começar … Se o original é um exploitation, ou seja, um filme que prende com uma trama interessante mas se segura mesmo nas cenas de violência física e moral, o remake de 2009 é uma versão “soft”, adaptada para platéias adolescentes, excluindo conteúdo mais pesado (e não me refiro apenas à violência gráfica) e apelando para soluções politicamente-corretas o tempo todo. A primeira, visível aos olhos do público, é o aumento de idade das duas meninas que serão vitimadas pela “quadrilha de sádicos”. Se no original, Mari Collingwood está prestes a completar 15 anos (e enquanto ela sai de casa para passar um tempo com a amiga, seus pais preparam uma festa surpresa em casa), aqui ela e Paige já são maiores de idade, inclusive sabendo dirigir. Muito provavelmente é resultado da “tesoura” dos produtores que acharam que seria muito imoral expor duas meninas de 15 anos à atos extremos de crueldade sexual e brutalidade, isso em tempos onde adolescentes de 15 anos ou menos usam pulseiras que indicam qual seu tipo de posição sexual preferida por vontade própria!

Continuando, a família Collingwood chega à sua casa de lago para passar as férias de verão e, Mari, pede o carro emprestado afim de encontrar sua amiga Paige. Assim como no original, elas encontram um garoto afetado chamado Justin que as convida para fumar erva no hotel onde está hospedado. Tudo vai bem até o “bando” que acompanha o rapaz retornar, liderados pelo seu pai Krug. Completam uma menina feiosa, Sadie, namorada de Krug e o tio de Justin, Francis.

Krug mostra a capa do jornal local onde os três estão como foragidos da justiça já que fugiram do carro que os transportava para a cadeia e assassinaram dois policiais, o que leva as duas meninas a perceberem que se meteram em uma boa enrascada. O bando decide sequestrá-las porque seria arriscado liberá-las após os verem. Roubando o carro de Mari, eles seguem sem rumo até que a menina insiste que vão em direção à sua casa, afim de tentar fugir de alguma forma. Em um ato de coragem e esperteza (mesmo em uma situação extremamente estressante) típico dos filmes teen, Mari utiliza um isqueiro de carro para queimar o rosto de Sadie e provoca um acidente que machuca o nariz de Francis. Paige tenta fugir e consegue seguir floresta afora até chegar na entrada de uma área de construção, onde inexplicavelmente para e começar a berrar por socorro enquanto Francis e Sadie à procuram. Porque não adentrar o local para chegar até alguém e buscar socorro, realmente não sei. Feito isso, se dá início à famosa cena na floresta. Se no original, este é um dos momentos mais excruciantes e perturbadores, com todo tipo de perversão moral e agressão física às duas adolescentes, temos uma versão reduzida e suavizada dos fatos. Paige é assassinada por Krug com algumas facadinhas enquanto Mari é estuprada “de forma limpinha, quase toda vestida” pelo vilão. Os demais parecem estar em um funeral, como se rezando para que suas almas sejam salvas, enquanto no original os vilões se deliciavam de forma doentia e perturbadora com o sofrimento das vítimas. Um pouco antes na mesma cena, Justin, o representante da geração Emo no longa, chora enquanto é forçado pelo pai à agarrar o peitinho de Mari. Não aprovo estupro mas é no mínimo curioso, um adolescente chorar por ser “forçado” à agarrar o peito de uma gatinha como Mari, mundo estranho esse de hoje …

Em um lance de sorte, enquanto Krug balbucia um discurso vilanesco, Mari pega uma pedra no chão e bate na cabeça do vilão, conseguindo fugir pela floresta até chegar ao lago e começar a nadar. Chegando no local, o bando maligno começa a praticar tiro-ao-alvo na água, já que a menina parece ter criado um motor nas costas e em segundos já chega à metade do percurso. Um tiro à acerta nas costas e ela tomba, enquanto o sangue toma a àgua. Duas coisas chamam a atenção nesse momento, uma delas o fato de que os vilões vão embora deixando o corpo à deriva. Se sequestraram as duas meninas para não dar pistas de seus desaparecimentos, qual o motivo de deixar um corpo à deriva em meio ao lago ? Criminosos brutais e cruéis com medo de se afogar ?

O segundo fato constrangedor da cena se deve à Sadie chorando enquanto vê o corpo da vítima, algo que até agora não entendi. No original, em nenhum momento os vilões mostravam traços de humanidade, apenas adoravam cada momento de tortura que afligiam, no remake eles têm lapsos de consciência ?

Se a tal cena da floresta já é vergonhosamente uma versão extremamente picotada da original, em que as meninas eram forçadas até mesmo a urinar na frente de seus agressores, a parte seguinte em que os pais se vingam dos assassinos é uma piada de muito mal-gosto.

Assim como no filme de 1972, o bando chega até a casa dos pais de suas vítimas em uma terrível coincidência tentando se refugiar de uma tempestade. Justin, como sempre, começa a dar um ataque e se sentir mal, pedindo para ir ao banheiro. É bom devotar algumas linhas sobre ele, provavelmente o personagem mais insuportável do remake. No original, o rapaz parecia estar sempre chapado (e estava!) como uma fuga da opressão e mal-estar que sentia ao ver o pai e o tio fazerem tanta maldade, perdido entre aceitar e fazer parte daquilo ou se rebelar e ajudar as vítimas. No remake, nada disso acontece porque Justin é um guri xarope, extremamente chorão e covarde desde o primeiro momento, que só sabe passar mal para não ter de enfrentar a terrível realidade que o cerca, um autêntico “emo”, talvez inserido pela produção para que as platéias tivessem com quem se identificar.

Enfim, Justin descobre que está na casa dos pais de Mari e deixa uma medalha que pertencia à menina em cima de uma mesa na cozinha, afim de dar a pista para que a família descubra, posteriormente é abordado por seu pai que o diz para “não estragar tudo outra vez”, dando a entender que já descobriram que estão na casa de Mari, algo da qual o roteiro não se importa em mostrar como eles chegaram até a conclusão … telepatia talvez ? Decidido que Krug e seus comparsas passarão a noite na casa, o filme até “conserta” algo que era difícil de engolir no original, já que no remake a família possui uma casa auxiliar nos fundos para hospédes (algo que eu nem imaginava que existia!), enquanto no original um bando de desconhecidos mal-encarados passam a noite sob o mesmo teto da família Collingwood.

Mari, por mais incrível que pareça, está viva e tirou forças não sei da onde para conseguir se arrastar até sua casa, contendo o sangramento do ferimento de bala, provavelmente, com a força da mente. Chegando em casa, seus pais a recebem e a tratam premilinarmente. Jonh Collingwood, que é doutor, faz procedimentos de emergência, algo que fica claro, e diz que eles precisam de urgência para chegar até um hospital. No mesmo momento, a mãe acaba descobrindo a medalha e liga os pontos na hora, descobrindo que aqueles que abrigam foram os responsáveis pelo abuso da filha, inclusive matando na hora a charada que Justin deixou propositalmente a jóia para que eles descobrissem (outro caso de telepatia ?)!

Lembra da “urgência” mencionada pelo pai para chegar até um hospital ? Bem, tudo o que ele faz é correr atrás das chaves da lancha que desapareceram enquanto a mãe recebe a visita de Francis. Se no original tal cena culmina na famosa “castração à dentadas”, aqui o fim do vilão é extremamente convencional, já que Emma o seduz até ele perceber a presença de Mari na sala. Para tentar compensar no “gore”, o papai John acerta uma martelada na cabeça e Francis tem sua mão deformada pelo triturador da pia. Sem sombra de dúvidas, mesmo três vezes menos sangrenta e explícita, a cena do original era bem mais impactante, a despeito de ser totalmente off-screen!

Esquecendo das necessidades de cuidado médico da filha, os papais Collingwood decidem partir em busca de vingança e vão até o cômodo onde Krug e Sadie estão dormindo. Chegando, são recepcionados pelo garoto-problema Justin que os entrega a arma do pai. Sadie acorda e leva um tiro no pescoço, enquanto Krug arruma um jeito de fugir pela janela. A namoradinha do vilão é morta posteriormente com um tiro no olho (em um CGI safado). Krug, talvez querendo achar seu irmão, volta à casa principal, algo da qual nem passaria pela cabeça de um assassino esperto e cruel como ele, com o risco enorme de ser pêgo pela polícia ou ser morto em alguma armadilha. Polícia essa que é 100% ignorada como opção pelos pais, já que surpreenderiam os criminosos caso tivessem a brilhante idéia de ligar e pedir ajuda … Será que não haviam telefones, celulares ou qualquer coisa, como em 99% dos filmes de horror modernos ?

Voltando à casa, John se defronta com Krug, apanha muito a ponto de quase ser morto quando está desacordado, após Krug lhe dar todo o tempo do mundo para bolar alguma idéia enquanto brada algum discurso imbecil. Justin, o emuxo revoltado, surge e aponta a arma para o seu pai. Nesse momento, no original, Krug faz uma enorme pressão emocional em cima do filho e o oprime a ponto de acabar cometendo suicídio. Na refilmagem, os produtores devem ter achado que era demais tê-lo morto já que as audiências teens iriam ficar chocadas e ele acaba ferido pelo pai, quando em um timing impressionante, a sra. e o sr. Collingwood acertam a cabeça de Krug e o deixam desacordado.

No plano seguinte, vemos a família fugindo através de uma lancha, junto de Justin (da qual o ferimento que parecia bem feio fora totalmente ignorado pelo roteiro), enquanto cenas de Krug preso à uma mesa são mostradas de forma intercalada. Quando corta para a tal cena, imaginei que o pai de Mari utilizaria seus conhecimentos médicos para torturar de todas as formas o vilão. Mas não, o roteirista preferiu fechar o filme com “chave de bosta” e incluir um dos momentos mais ridículos que já vi. A cabeça de Krug é colocada dentro de um microondas, começa a queimar e acaba por explodir … em um dos piores efeitos CGI possíveis, algo que soa tão falso como se fosse um daqueles videozinhos que acompanhavam os jogos no saudoso Playstation 1. O horror, o horror …

Na linha que segue fielmente a cartilha dos remakes anos 2000, Last House On The Left 2009 é um filme “limpinho”, com personagens bontinhos e fortões com o qual a platéia possa se identificar (mesmo os vilões). Krug, um dos pontos mais altos do original, interpretado de forma assustadora por David Hess da qual era um sujeito “normal” que poderia ser seu vizinho, aqui ganha uma forma canastrona e vilanesca no estilo hollywoodiano pelo marombado Garret Dillahunt, na veia “maldade é medida pelos músculos e altura do vilão”.

As meninas, no original, eram única e exclusivamente vítimas, lutando por suas vidas mas sem lapsos de super-coragem ou idéias rapidamente tomadas em situações extremas. No remake, Mari acaba como “protagonista”, onde Paige é uma completa zero à esquerda que logo logo acaba por ser morta.

Em alguns momentos (e talvez, de forma geral), a refilmagem é mais sangrenta que o original. Entretanto, uma das características do clássico exploitation de Wes Craven era a completa degradação moral das vítimas, o descaso total dos vilões com suas vidas e, posteriormente, a desumanização dos pais de Mari, cegos pelo ódio e pela vingança. Nada disso acontece aqui, trocando cenas de humilhação e todo tipo de violência psicológica por sanguinolência on-screen parecem suficiente para os produtores na tentativa de chocar o público, quando vivemos ás voltas de notícias diárias reais com todo tipo de violência contra seres humanos.

Os cenários, personagens e situações foram polidos, para saírem da realidade suja e maltrapilha do filme de 1972 e entrarem para a realidade limpinha, organizada e pasteurizada dos remakes atuais, uma troca que não acrescenta nada à história, apenas tira tensão e o clima opressivo que dava o tom do original.

E imaginem só, além de perder quase duas horas assistindo essa porcaria, perdi mais de 30 minutos para escrever sobre ele … vá entender!

Review – Never Sleep Again: The Elm Street Legacy (2010)

Depois de assistir o remake de A Hora do Pesadelo, passei a ter um interesse renovado na série clássica de Freddy Krueger, um vilão da qual nunca fui tão fã.

Procurando informações sobre dvds dos filmes da longa franquia, achei um que me chamou a atenção, um tal de “Never Sleep Again”, da qual eu nunca havia ouvido falar. Com a ajuda do Google, descobri que se tratava de um documentário sobre a série com duração de 4 horas (!!!), enfocando do original até “Freddy x Jason”, contando com diversos atores, diretores e membros do cast que trabalharam na longa franquia “Nightmare on Elm Street”.

O documentário impressiona não apenas por sua duração mas também pelo cuidado e entrega que os realizadores demonstram,  feito de fãs para fãs, já que esmiuça cada detalhe nos filmes, presenteando o espectador com diversos pontos de vistas e explicações sobre a mitologia da série.

De início, somos presenteados com uma animação em stop motion fantástica, com um clima oitentista, sem CGI ou efeitos modernosos, recriando cenas clássicas presentes nos filmes, uma bela apresentação com clima nostálgico.

Os filmes são abordados de forma cronológica, iniciando pelo original e um pouco do background de seu criador, Wes Craven, em especial contando de onde tirou a idéia para a história de “A Hora do Pesadelo” e porque escolheu a tal “Elm Street”, a famosa rua onde Freddy viveu e faz suas vítimas, curiosamente a rua onde o presidente Kennedy foi baleado e morto. Além disso, Craven fala sobre dificuldades que enfrentou para conseguir financiar seu filme até chegar a New Line, pequena produtora que acabou explodindo com o sucesso da produção, fazendo referências ao mockumentary Refeer Madness e Pink Flamingos de John Waters.

O processo de casting ganha bastante atenção no documentário, passando a limpo a escolha de atores como John Saxon e um desconhecido Jonny Depp (que parece ter recusado a participar), com uma atenção especial sobre Heather Langekamp (Nancy) e, claro, Robert Englund, o homem que dá face a um dos ícones do horror moderno. A maquiagem de Freddy também ganha um capítulo a parte, com um interessante comentário do maquiador David Miller sobre formular a idéia inicial para a maquiagem do rosto do vilão baseado em uma pizza!

Um detalhe interessante sobre a abordagem ao filme original é a clara intenção dos realizadores de evitar que “Elm Street” fosse um genérico de “Sexta-Feira 13”, sempre apostando na idéia de fazer um filme mais profundo psicologicamente e sem investir no assassino como personagem principal, apesar de ainda ter características em comum com os diversos slashers da época.

A parte focada no segundo filme guarda um detalhe interessante, a discussão sobre um assunto que era tabu na fanbase da franquia há anos, uma teoria de que o filme possui uma inclinação homoerótica com cenas de nudez masculina, uma certa aproximação “sensual” entre o protagonista e o vilão e o fato de que, nesse filme, era um homem a vítima frágil e não uma mulher como usualmente acontecia nos slashers, além de o ator Mark Patton ser homossexual assumido na época.

Outro ponto que é bastante aborbado é a dissatisfação de alguns produtores e do próprio “pai” da franquia, Wes Craven, com o final que traz Freddy para o mundo real, considerado como indo contra a mitologia do original.

O terceiro filme ganha bastante destaque no documentário, como a melhor sequência da série,  além de abordar as tensões que ocorreram no set pela falta de experiência dos atores e do diretor Chuck Russel. Nesse ponto, a fama mundial de Freddy como ícone pop também é discutida, por ter se tornado um personagem mais cômico e diverso e menos sombrio como foi concebido.

Apartir do quarto filme, o documentário enfoca bastante o aspecto mais “light” dado à franquia, se distanciando do tom sombrio e pesado do original e indo em uma direção mais comercial. Se no terceiro filme isso é aceito como uma nova direção, os três próximos são explícitos em termos de fazer dinheiro com o nome do personagem, algo que é discutido sem barreiras pelos realizadores e até, de certa forma, se mostram envergonhados pelo caminho que uma franquia originalmente de horror, vinha tomando. Apesar de serem capítulos normalmente preteridos pelos fãs da série (em especial, quem aprecia o antagonista sombrio do primeiro filme), é divertido ver como se deram cenas tão absurdas e efeitos cheesy através das lembranças bem humoradas das pessoas que trabalharam neles.

Foi só após o universo de “A Nightmare on Elm Street” virar uma zona, resultando até na morte de Freddy no sexto filme que Wes Craven decidiu colocar ordem na casa e voltar a cadeira de diretor com um argumento simples mas genial, evitando ter que seguir de onde o ultimo filme deixou e voltando às origens de horror. O retorno do criador da franquia é um ponto alto no documentário, analisando o impacto da volta de muitos atores do original (incluindo Heather Langenkamp interpretando … ela mesma!), com uma idéia completamente nova mas também uma homenagem ao original, que completava 10 anos na época.

Craven não apenas trouxe de volta ícones da série, como também reuniu uma equipe de peso para “New Nightmare”, o diretor de fotografia Mark Irwin, colaborador frequente de David Cronenberg, além de novos atores como Miko Hughes, estrela mirim imortalizada como Gage de “O Cemitério Maldito” e Tracy Middendorf, todos presentes sendo entrevistados.

Por fim, Freddy x Jason surge em pauta e são abordados os problemas que o filme enfrentou como os diversos roteiros rejeitados, a dificuldade para achar um diretor, a necessidade de reiventar ambas as franquias e o resultado de um projeto de anos que dividiu opiniões tanto dos fãs quanto dos próprios realizadores.

Como epílogo, somos apresentados à história da New Line Cinema, produtora que antes do filme original era uma pequena distribuidora americana e se tornou um dos principais estúdios de Hollywood, já fazendo parte do império Time Warner e um resumo do impacto que a série causou no mundo do cinema e na cultura pop geral, com considerações finais dos atores e diretores envolvidos.

O documentário não trata apenas dos filmes mas também de tudo que envolveu o “astro” Freddy Krueger no auge de sua popularidade como a divertida série de tv “Freddy’s Nightmares” devotando um capítulo inteiro à ela, contando histórias de diretores que trabalharam em episódios como Mick Garris e Tom McLoughlin, demonstrando que o “legacy” do título realmente faz sentido, indo além da franquia e trazendo ao fã curiosidades sobre todos os meios que o personagem se aventurou.

“Never Sleep Again” é o sonho de todo fã de A Hora do Pesadelo, um documentário espetacular feito com muita boa vontade de cada um dos envolvidos nesta longa franquia, contando histórias de bastidores, o impacto destes filmes em suas carreiras e a maneira com que cada um viu sua contribuição no vasto universo criado por Wes Craven.

Outro fator que precisa ser ressaltado é que cada um dos oito filmes revisados ganham a mesma atenção, mesmo os que não foram sucessos entre o público, algo que vai de contra-mão à tendência comum destes documentários de priorizar apenas os mais bem sucedidos e destinar pouquíssimo tempo para falar sobre as demais partes. Cada filme ganha seu momento, com apontamentos do que deu certo e errado, as frustrações e acertos …

Com participações de outras pessoas como o grupo de heavy metal Dokken e Alice Cooper, “Never Sleep Again” é a síntese perfeita e completa de uma série irregular, que continua a fazer fãs até hoje e tem lugar cativo como uma das principais franquias da história do cinema, liderada por um ícone moderno que certamente já pode figurar como um clássico do cinema norte-americano.

Seria fantástico para os fãs de horror se esta iniciativa louvável da produtora 1428 films, dirigida por Daniel Farrands (um especialista em documentários do gênero, por trás também do fantástico “His Name Was Jason” e “Halloween: The Shape of Horror”) e Andrew Kasch, acabasse fazendo com que outras séries clássicas de horror como “Evil Dead” e “Hellraiser” ganhassem seus próprios documentários neste mesmo padrão incrível de qualidade e dedicação, uma verdadeira produção de fã para fã. Recomendadíssimo!