cinema de terror

Os filmes de horror baseados em fatos reais

Táticas de marketing no cinema são essenciais para que produtores vendam seu peixe e garantam o interesse do público. Ao longo dos anos, estas táticas evoluíram e novos métodos agressivos foram sendo introduzidos, dentre eles os filmes “baseados em fatos reais”. Apesar de alguns realmente fazerem jus à tagline, outros apenas tomam uma leve inspiração ou mesmo recriam completamente alguma história ou lenda apartir de relatos prévios. O “reais” de “baseado em fatos reais” normalmente é bastante questionável já que os próprios fatos não-ficcionais podem sofrer adultérios ou mesmo possam ser boatos completamente falsos, tornando novelizações baseadas neles pura ficção antes mesmo de serem feitas.

O poder de garantir que tal longa é baseado em fatos reais sobre nós, os espectadores, promove um interesse maior, já que garante que aquilo é apenas uma recriação de fatos que poderiam acontecer comigo, com você ou quem quer que assista tal filme. No cinema de horror, este “poder” é ainda maior já que se tratam de casos normalmente mexendo com o sobrenatural ou as facetas mais sombrias da natureza humana, sucitando um misto de curiosidade e espanto por fatos que aconteceram no “nosso mundo” e não são apenas obras da cabeça de algum diretor maluco ou escritor perturbado.

Vejamos quais filmes, dentro desta idéia, que podem ser considerados os mais marcantes e interessantes:

Gothic (1986)

A História do filme:

Este onírico, metafórico e provocante filme, dirigido pelo genial e controverso cineasta britânico Ken Russel, conta a história de Lord Byron (Gabriel Byrne) que convida o poeta Percy Shelley e sua noiva, Mary, junto de sua meia-irmã Claire e o médico de Byron, John Polidori para uma noite em sua mansão na Suiça. Eles contam histórias de fantasmas durante a noite e começam a presenciar eventos sobrenaturais da qual julgam manifestações físicas de seus próprios medos.

A História real:

Em 1816, Percy Shelley e sua futura esposa visitaram Byron em sua mansão. Devido ao dia chuvoso, ficaram dentro da casa conversando sobre possibilidades de reanimação dos mortos e contando histórias de fantasmas alemãs. Byron sugeriu que cada um escrevesse um conto sobre o sobrenatural. Desta sugestão, nasceram “Frankenstein” e o que depois se tornaria “The Vampyre”, escrito por Byron e readaptado por John Polidori.

A Sombra do Vampiro (2000)

A história do filme:

No debut de Elias Merhige como diretor de grandes produções (após a explosão do seu estranho e cultuado “Begotten”), “A Sombra do Vampiro” conta a história de Max Schreck (Willem Dafoe) e Murnau na realização do clássico expressionista “Nosferatu”, centrando-se no comportamento bizarro de Schreck, a visão de Murnau sobre o próprio filme e o fato de que acabou por fazer acordo com um vampiro real para atuar como Conde Orlok e garantir o máximo de realismo.

A história real:

Depois das filmagens de Nosferatu, muitas lendas surgiram sobre o comportamento estranho, o metodicismo e a personalidade de Schreck. Muitos que conviveram com o ator, afirmaram que ele se mantinha afastado dos demais, tinha um senso de humor estranho e uma habilidade marcante para atuar em papéis grotescos. Para adicionar mais mistério, o próprio certa vez afirmou que “vivia em um remoto e estranho mundo” e que passava seus dias caminhando por florestas escuras o que, provavelmente, possa ter sido uma brincadeira sobre os rumores que o cercavam.

Enigma do Mal (1981)

A história do filme:

Carla Moran, mãe solteira com três filhos, é assombrada por uma entidade que a agride e abusa sexualmente diversas vezes. Ela recebe ajuda de pesquisadores paranormais, que documentam e tentam prender o espírito que a atormenta.

A história real:

Em 1974, os pesquisadores Kerry Gaynor e Barry Taff investigaram um caso de uma mulher chamada Doris Bither, que vivia na Califórnia e contou ser violentada por uma entidade sobrenatural. Os dois dizem ter presenciado objetos se movendo, luzes que flutuavam pela casa e a aparição de uma silhueta humana mas não chegaram a documentar agressões físicas à mulher. Gaynor reportou que os ataques diminuiram quando Bither se mudou da casa.

Ils (2006)

A história do filme:

Em mais uma rendição da clássica história sobre uma família presa em sua própria casa por assassinos, um casal é ameaçado por um bando de invasores que os assustam fazendo barulhos, ligando a televisão no meio da noite, roubando seu carro e cometendo atos de tortura e violência sem motivos e nem grandes explicações (semelhante à outro filme que se diz baseado em fatos reais, “Os Estranhos”).

A história real:

O plot do filme se baseia no caso de um casal austríaco que foi torturado e morto dentro de sua própria casa por um grupo de três adolescentes. Apesar de não ser uma rendição literal do evento, Ils é fiel à natureza brutal do crime, levantando a questão de que “crianças” podem ser capaz de atos inimagináveis de violência apenas por diversão.

The Hills Have Eyes (1977)

A história do filme:

Uma família viajando pelo deserto ao sudoeste americano toma um atalho e acaba se deparando com canibais mutantes que vivem escondidos dentro das cavernas nas colinas.

A história real:

O filme, alegadamente, tem inspiração na lenda de Alexander “Sawney” Bean, um escocês do século 15 ou 16, líder de  um grupo de mais de 40 indivíduos que, supostamente, assassinaram e comeram um número em torno de 1000 pessoas, vivendo em cavernas por 25 anos até serem condenados e mortos por seus crimes. Este famoso caso não apenas inspirou o filme de Wes Craven, como também foi a base para o video nasty britânico “Raw Meat”. Entretanto, a maioria dos historiadores acreditam que Sawney nem mesmo existiu, sendo apenas uma lenda contada pelo povo local.

Henry: Portrait of a Serial Killer (1986)

A história do filme:

Henry (Michael Rooker) é um serial killer que matou diversas pessoas ao longo de sua vida. Vivendo junto de seu amigo e parceiro de crime, Ottis, ele acaba desenvolvendo um interesse amoroso na irmã do mesmo, enquanto continua praticando atos de crueldade e violência em uma das produções mais realistas e impactante sobre o tema.

A história real:

John Mcnaughton, o diretor e roteirista do longa, se inspirou na vida de Henry Lee Lucas que possuia um cúmplice chamado Ottis Toole e um interesse romântico na sobrinha Frieda Powell. Entretanto, o roteiro foca mais nas confissões de Lucas do que na realidade, já que o assassino aumentou severamente os números de pessoas que matou, em parte porque estas confissões lhe renderiam condições melhores na cadeia. O serial Killer foi condenado por 11 mortes, incluindo a de Powell.

Wolf Creek (2005)

A história do filme:

Duas turistas britânicas e um australiano saem em viajem na Autralia para acampar no parque nacional Wolf Creek. Quando seu carro quebra no meio da estrada, são ajudados por um caminhoneiro, o homem que futuramente irá torturar e executar os três viajantes.

A história real:

Escrito primariamente para ser totalmente ficcional, o roteiro acabou aderindo uma ligação com fatos reais quando seu escritor, Greg Mclean, soube de dois assassinos australianos que atacavam viajantes.

Um deles, Bradley John Murdoch, assassinou um jovem britânico e tentou sequestrar outro, em 2001 quando foi pego. O outro era Ivan Milat que capturava viajantes, oferecendo carona e os levando para a floresta afim de torturá-los. Ambos foram sentenciados a passar o resto da vida na prisão.

Contatos de Quarto Grau (2009)

A história do filme:

Em um a pequena cidade do Alaska, misteriosos desaparecimentos começam a ocorrer e a psicóloga Abigail Emily Tyler decide continuar sua pesquisa com pacientes que sofreram de insônia e amnesia após avistarem uma “coruja branca”. Abigail acaba avistando a misteriosa figura e se envolve em um caso de abduções alienígenas.

A história real:

Em 2005, o FBI enviou detetives para investigar casos em aberto sobre desaparecimentos e mortes em Nome, no Alaska. A conclusão da investigação era que “o excessivo consumo de alcool e o forte inverno na região” eram os motivos para que estes desaparecimentos acontecessem.

O filme fala sobre Abigail como sendo uma pessoa real mas não existe qualquer indício ou registro que comprove a existência de uma psicóloga com o mesmo nome nesta região do Alaska e nem mesmo o periódico científico onde o filme afirma que Abigail divulgava suas descobertas quanto ao caso. Mais neste artigo do site ceticismo aberto.

O Horror de Amityville (1979)

A história do filme:

A família Lutz se muda para uma casa onde um assassinato em massa ocorreu no ano anterior. Eles se deparam com diversos acontecimentos paranormais, entidades que tentam controlar George Lutz e acabam saindo da casa apenas 28 dias após comprarem.

A história real:

O casal Lutz contratou um escritor profissional para contarem o que viveram durante os dias que estiveram morando em Amityville, o que acabou gerando um best-seller e um dos filmes de horror mais famosos inspirado em um caso não-ficcional. Apesar de muito já ter sido especulado sobre a história e o fato de que a família Defeo realmente fora assassinada na casa, o próprio casal admitiu “por tabela” que a história tinha elementos adicionados para se tornar mais interessante ao leitor e, consequentemente, ao público que assistisse o filme. Mesmo com muitos pontos de interrogação nesta história, o caso Amityville continua despertando interesse e o filme ganhou diversas continuações e um remake, em 2005.

Cannibal Holocaust (1980)

A história do filme:

Um grupo de jornalistas parte para a Amazônia afim de fazer um documentário sobre tribos canibais e acabam sendo vítimas da fúria que despertam nos índios após cometerem atos imorais e violentos contra os nativos. O início do filme mostra um outro grupo de pessoas que foram até o local recolher as fitas e descobrir o que havia acontecido com o grupo anterior, em um estilo documental criado sob medida por Ruggero Deodato.

A história real:

Cannibal Holocaust não é baseado em uma história real e nem tampouco foi promovido como tal mas sua presença aqui é obrigatória porque se trata do primeiro filme a dar um passo à frente e se declarar como sendo a filmagem de um evento que realmente aconteceu. Esta “evolução” do “baseado em fatos reais” é uma tática ainda mais agressiva de marketing que acabou gerando vários frutos, criando alguns dos filmes independentes mais bem sucedidos de todos os tempos.

Gêmeos – Mórbida Semelhança (1988)

A história do filme:

Dois gêmeos ginecologistas (ambos interpretados por Jeremy Irons)  possuem o hábito de dividir suas conquistas amorosas. Entretanto um deles, Beverly , se apaixona pela última conquista. que acaba por descobrir o esquema entre os irmãos e rompe o namoro. Assim, Beverly acaba se tornando um dependente químico e compromete a vida de seu irmão, neste thriller assinado por David Cronenberg.

A história real:

Em 1975, o corpo de dois gêmeos ginecologistas fora encontrado em um apartamento, já em estado avançado de decomposição. A causa de suas mortes foi motivada pelo vício em barbitúricos, o que os levou a se excluírem socialmente. O por quê de tal ato permanece sem respostas.

O Exorcista (1973)

A história do filme:

Uma menina de 12 anos (Linda Blair) começa a apresentar um quadro mental instável, junto de fenômenos como sua cama sacudindo. Após sua mãe a levar em vários especialistas e nenhum apresentar conclusões satisfatórias, a hipótese de que ela está possuída por uma entidade maligna é levada em consideração e dois padres são chamados para realizarem um exorcismo, com o custo de suas próprias vidas.

A história real:

William Peter Blatty leu um artigo reportando um caso de exorcismo em um menino de 13 anos de idade em Maryland no ano de 1949. Apesar de ser uma história bastante adulterada, possívelmente para proteger a família envolvida, foi a inspiração para que Blatty escrevesse o best-seller que resultou em um dos filmes de h0rror mais bem sucedidos. O caso, supostamente real, que inspirou “O Exorcista” não possui nem de perto os detalhes escatológicos e violentos que são descritos no livro e filme.

O Exorcismo de Emily Rose (2005)

A história do filme:

O filme acompanha o julgamento de um padre pela morte de uma menina chamada Emily Rose, durante um exorcismo. Através de flashbacks, é possível assistir a história de Emily e as manifestações sobrenaturais que se abateram sobre ela.

A história real:

Apesar de mudar os nomes e alguns elementos, o filme é inspirado pelo caso da jovem alemã Anneliese Michel que, em 1968, começou a demonstrar sintomas estranhos como paralisia, auto-flagelação e visões. Em 1975, dois padres performam um exorcismo por 10 meses seguidos até Anneliese morrer de fome em julho de 1976. Os pais da menina e os padres foram julgados por homicídio culposo, sendo sentenciados por 6 meses na cadeia. Fotos da menina e uma suposta gravação de audio podem ser encontrados pela internet.

The Girl Next Door (2007)

A história do filme:

Em 1958, duas adolescentes que, após perderem os pais em um acidente de carro, vivem com sua tia Ruth, uma psicopata sádica. Sem conhecimento da vizinhança, as duas meninas enfrentam atos de tortura e punição nas mãos de sua tia e seus três filhos.

A história real:

O filme foi baseado em um livro de Jack Ketchum que, por sua vez, foi baseado em uma história real sobre uma menina chamada Slyvia,  torturada brutalmente e assassinada pela mulher que estava com sua custódia, junto de outras crianças do bairro. Este é um dos raros casos onde a história real é mais impactante e violenta que a versão novelizada, já que Slyvia sofreu abusos de todos os tipos e morreu de hemorragia cerebral, atada em um porão por meses. O filme “An American Crime” é também baseado na história, desta vez literalmente, contando com detalhes o fato real que inspirou Ketchum.

A Última Profecia (2002)

A história do filme:

O reporter John Klein se perde enquanto dirige e acaba em Point Pleasant onde se encontra com uma lendária criatura chamada Mothman. Ele acaba descobrindo que suas aparições são relacionadas com tragédias que estavam para acontecer e isso tem relação com um disastre que viria a acontecer em uma ponte na cidade.

A história real:

Foram reportadas diversas aparições de uma criatura alada em Point Pleasant durante 1966 e 1967. Em dezembro do último ano, a ponte que ficava acima do rio Ohio despencou e se criou-se a crença de que as aparições de Mothman antecediam desastres futuros.

A Maldição dos Mortos Vivos (1988)

A história do filme:

Um antropologista americano Dennis Alana é contratado por uma empresa farmaceutica para adquirir uma amostra de uma droga usada no Haiti em rituais de voodoo, com um suposto poder de reavivar os mortos.

A história real:

O filme é uma versão “aumentada” de um livro do canadense Wade Davis contando suas experiências com a zumbificação haitiana. Segundo suas anotações, um pó local possuia uma toxina que induzia um estado de “morte” em indivíduos posteriormente ressucitados através de um transe hipnótico por um “mestre controlador”. Um dos casos mais famosos tratava de um homem que viveu como um zumbi durante dois anos na década de 60. Até hoje, a veracidade destes relatos é discutida.

Mar Aberto (2004)

A história do filme:

Um casal divorciado sai em viagem para um mergulho em grupo até ser deixado para trás pelo barco por um erro, no mar cercado por tubarões.

A história real:

Em 1998, o casal Tom e Eileen Lonergan desapareceram no mar australiano após um compania de mergulho acidentalmente deixa-los para trás. Levou dois dias para a equipe perceber que os dois haviam sido deixados no mar e, após diversas buscas, os corpos nunca foram encontrados. Pertences encontrados pelo mar não mostram sinais de um ataque por tubarões como no filme.

O Massacre da Serra Elétrica (1974)

A história do filme:

Um grupo de jovens viajando por uma zona rural acaba caindo no território de uma família de canibais, incluindo Leatherface, vestindo uma máscara feita de pele humana.

A história real:

O remake de 2003 ajudou a perpretar a idéia, através de sua campanha de marketing, que “O Massacre da Serra Elétrica” era baseado em fatos reais, levando diversas pessoas a acreditarem que a história do filme realmente havia acontecido. Entretant0, a inspiração inicial de Tobe Hooper nasceu apartir de uma visita à uma loja que vendia serras-elétricas, fantasiando a idéia de sair com uma matando pessoas por aí. Parte da idéia para a criação de Leatherface e da “decoração” da casa da família Sawyer surgiu do psicopata Ed Gein, que assassinou duas mulheres na década de 50 e fazia ornamentos caseiros utilizando ossos e pele humana.

Gein inspirou outros dois personagens famosos do cinema, Norman Bates de “Psicose” e o Buffalo Bill, o serial killer de “O Silêncio dos Inocentes”.

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CUIDADO! Não leia este blog, banido em 25 países!!!

The Beast In Heat

“Cuidado: Este cassete contem cenas perturbadoras e não é apropriado para ser visto por crianças. ESTRITAMENTE PARA ADULTOS”

Blood Feast

“Uma Advertência: Se você é pai ou guardião de um adolescente impressionável NÃO O TRAGA ou PERMITA QUE ELE ASSISTA ESTE FILME”

Cannibal Girls

“O filme com o SINO DE AVISO – Quando soar, feche seus olhos se estiver enjoado!”

Cannibal Ferox

“Devido a específica e aterradora natureza deste filme, esta área não está graficamente ilustrada para evitar ofensas”

Last House on The Left e Don’t Open The Window

“Para evitar o desmaio, repita: É apenas um filme”

*Caso clássico da picaretagem italiana, até mesmo o artifício promocional de um cartaz de outro filme foi reutilizado.

Sacrifice! Aka Man From Deep River

“Cuidado: Para sua própria saúde e segurança, NÃO ENTRE no cinema até estar emocionalmente e fisicamente preparado para testemunhar os mais terríveis atos de tortura”

Cannibal Holocaust

“Este filme contém cenas de natureza terrível e não deve ser visto por aqueles com disposições nervosas”

Men Behind The Sun

“O filme que eles tentaram banir … versão sem cortes”

Faces of Death

“Prepare-se para a ultima experiência. Este video cassete vai mudar sua atitude para com a vida”

Drive-in Massacre

“Cuidado!!! DRIVE-IN MASSACRE foi classificado por um juri de filmes independentes como muito aterrorizante para ser visto por pessoas normais que frequentam os cinemas. Por esta razão, é sugerido que aqueles de vocês com severas disordens emocionais ou disfunção coronária crônica NÃO assistam este filme. O risco é inteiro seu”

Nightmares in a Damaged Brain

“Cuidado: Não para quem desmaia ou pessoas com problemas emocionais”

Mark of The Devil

“Banido em 19 países!”

Snuff

“Os atores e atrizes que dedicaram suas vidas para fazer este filme nunca mais foram vistos ou ouvidos de novo”


As Muitas Faces de … Leatherface!

Em 1974, o estreante Tobe Hooper acabava de lapidar o filme independente que viria a ser o mais bem sucedido até o momento. Junto dele, Hooper deu a luz à um dos vilões mais dementes, nojentos … e reverenciados mundo a fora: Leatherface.

O “cara de couro”, filho pródigo da famosa e demente família Sawyer, dedicou a vida para eliminar pessoas que passassem por sua propriedade, junto de sua icônica serra-elétrica e seu belo sorriso.

Vejamos quem deu vida ao vilão e as transformações em sua aparência ao longo dos anos …

O Massacre da Serra Elétrica (1974)

“O original é sempre o melhor” dizem os fãs mais extremistas e, no caso do nosso vilão da vez, tem toda a razão. Este foi o Leatherface mais próximo de uma “realidade”, um homem demente, um tanto infantilóide, sendo usado pela família canibal como o “açougueiro” de carne humana.

Interpretado por Gunnar Hansen, o Leatherface original tem uma aparência física de um homem “normal”, desleixado e sem porte físico de atleta, ressaltando que o que fazia dele um monstro era a mente e não um aspecto monstruoso ou algum artifício sobrenatural.

O islandês Hansen merece um adendo sobre sua história. Nascido em Reykjavik, se mudou para os EUA com 5 anos de idade, viveu em Maine até completar 11 e se mudar para o Texas. Contrariando as expectativas de um homem mais conhecido por interpretar um vilão em um filme independente, Gunnar se formou em pelo menos duas faculdades diferentes. Após terminar os estudos, fez alguns bicos como operador de computadores até que soube de um jovem diretor de cinema que gostaria de filmar em sua cidade natal, no verão de 1973.

Motivado por alguns trabalhos como ator que fez ainda na faculdade, Gunnar assumiu o papel após ser entrevistado por Hooper e Kim Henkel.

Após o filme, o islandês co-estrelou o longa “Demon Hunter” que lhe rendeu uma má experiência e a decisão de não se envolver mais com atuação, recusando até mesmo papeis oferecidos por Wes Craven para “The Hills Have Eyes” e o próprio Hooper para “Eaten Alive”. Posteriormente se dedicou à carreira de escritor, trabalhando por vários anos como editor de revistas, escreveu roteiros para documentários e livros, incluindo alguns sobre o filme que o tornou uma estrela cult.

Apesar de ter se afastado da atuação, Hansen não aguentou por tanto tempo e decidiu voltar a ativa com a paródia “Hollywood Chainsaw Hookers” dirigida por Fred Olen Ray e contando com a participação da musa Linnea Quigley. Apartir deste filme, trabalhou em outras diversas produções B e é figura carimbada em convenções de horror, muito requisitado pelos fãs.

Gunnar também manteve o respeito quando recusou o convite para reprisar o papel de Leatherface no remake de 2003, alegando não concordar de forma alguma com a idéia de refazer um clássico como este. Atualmente, com 63 anos, mora nos Estados Unidos e seu ultimo trabalho como ator foi em Won Ton Baby, lançado neste ano.

O Massacre da Serra Elétria Parte II (1986)

Após 12 anos, Hooper enfrentava dificuldades em sua carreira e deicidiu retornar à marca que o fez famoso. Esta sequência, muito contestada por fãs e crítica, se baseia mais no humor negro e exagero de filmes como Re-Animator e Return of The Living Dead, do que no realismo e estilo de documentário do original.

Aqui Leatherface, agora carinhosamente chamado de “Buba”, não muda tanto em relação ao primeiro filme, em termos de aparência, com uma máscara muito semelhante (incluindo a famosa cena em que arranca a pele da face de um homem e a coloca como uma máscara). Apesar de no filme original demonstrar ser retardado, na parte II isto é mais utilizado para garantir o tom cômico do filme, enquanto originalmente era um aspecto sombrio.

Gunnar Hansen não retornou para o papel e, no seu lugar, entrou o texano Bill Johnson que trabalha frequentemente em produções B de horror e comédia e fazendo dublagens em jogos de videogame.

Este segundo filme conta com o mago Tom Savini comandando os efeitos especiais.

Leatherface: O Massacre da Serra Elétrica III (1990)

Através de um novo contrato com a New Line, a mais nova franquia no pedaço deveria ter ganho diversas continuações na mão da produtora, começando pela parte III (e terminando nela também).

Apesar de ser um filme mais sério e próximo do original, esta terceira parte toma muitas liberdades poéticas e acaba não sendo nem tão assustadora como o original e nem mesmo inova, prejudicada também pela mutilação praticada pela New Line para tirar um “X-rated” dado pelos censores americanos.

Agora Leatherface dos outros dois filmes está morto, o que temos aqui é uma versão “junior” do homem, amparado por novos membros da família Sawyer como o maluco Tex (um desconhecido Viggo Mortensen) e até mesmo a filha do vilão morto (não me pergunte quem é a mãe !!!) que herdou os instintos assassinos do papai.

Neste terceiro capítulo, Leatherface Jr. é encarnado pelo lutador profissional R. A. Mihailoff que, assim como os outros dois atores que deram vida ao monstro, é figura constante em convenções.

O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno (1994)

Mesmo depois de duas continuações bastante contestadas, é o quarto filme da série que foi considerado o patinho feio por ser, genuinamente, horrível.

Escrito por Kin Henkel, foi promovido como sendo um retorno às raízes do original, uma “verdadeira” continuação para o clássico original, nas palavras dos produtores. O resultado foi tão ruim que a distribuidora decidiu colocar na geladeira e só foi lançar, limitadamente, em 1997. Diz a lenda que Renée Zellweger e Matthew McConaughey chegaram a ameçar judicialmente a Columbia Pictures caso o longa fosse lançado.

Ignorando as partes II e III, este quasi-remake apresenta Leatherface como um travesti (!!!) perturbado, interpretado pelo ator Robert Jacks. Mas as coisas pioram quando entra em cena McConaughey como um membro da família Sawyer, em uma atuação asquerosamente histérica e horrível (não é por mal que ele tenha lutado tanto para que “O Retorno” ficasse na obscuridade).

Robert Jacks, nascido na California, atuou neste filme e em “Todo Mundo em Pânico” de 2000, falecendo no ano seguinte com apenas 42 anos. Ele era um amigo próximo de Viggo Mortensen e media quase 2 metros!

O Massacre da Serra Elétrica (2003) e O Massacre da Serra Elétrica – O Início (2006)

O Massacre da Serra Elétrica foi um dos primeiros filmes icônicos de horror a ganhar um remake nos anos 2000 (a despeito da parte IV que pode ser considerada um remake ou, ao menos, um reboot do original) e, posteriormente, uma prequela.

A aparência de Leatherface foi renovada com uma máscara estilizada, com um longo corte dividindo o cabelo e feições mais ameaçadoras. O ator que o interpreta nestes dois filmes é um fisiculturista (perceptível, né ?), seguindo aquela moda dos remakes de bombar qualquer vilão como se isso fosse uma característica assustadora por sí só.

Tal ator, Andrew Bryniarski, não é um novato no mundo do cinema já que encarnou alguns papéis em produções conhecidas como “Batman Returns” e “Pearl Harbor”. Foi ele que também deu vida à Zangief no infame live action de “Street Fighter” em 1994.

As Muitas Faces de … Jason Vorhees!

Na imensa franquia Sexta Feira 13, o cultuado assassino passou de vilão para protagonista em pouco tempo. Seu carisma (ou a falta dele) acabou gerando uma legião de fãs que desapropiaram a máscara de hoquei do esporte que lhe dá nome e a transformaram em sinônimo de Jason Vorhees. E quando Jason está sem a máscara, nos momentos de lazer ? Como ele se parece ?

Ao decorrer da série, se tornou comum que Jason revelasse seu rosto no climax do filme. O problema é que sua aparência foi mudando ao longo da franquia, variando pelos maquiadores envolvidos até a necessidade de mudar seu aspecto pelo fim do filme anterior.

Sexta Feira 13 Parte I (1980)

Se este é o único filme da série onde o maníaco mascarado não é o vilão, ele aparece no finalzinho para mostrar seu rosto ao mundo. Vemos Jason aqui como uma criança deformada, com a pele enrugada e cheio de plantas o cobrindo, já que a imprensão dada é que estava submerso durante anos dentro do lago. Apesar da aparência feiosa, este Jason está mais para um ser humano deformado do que uma criatura do inferno, como viria a acontecer nas ultimas continuações.

O responsável pela maquiagem, Tom Savini, foi também o responsável pela aparição do futuro vilão neste filme, influenciado pelo susto que “Carrie” dá ao espectador no fim do filme.

Sexta Feira 13 Parte II (1981)

A segunda parte é o primeiro filme na qual Jason é o vilão e, como forma de esconder a face, usa um … saco de batatas (!!!) na cabeça. Entretanto, nos trinta segundos finais do filme, revela sua face ao reaparecer no clássico clichê do susto final, tendo seus braços cortados.

Aqui Jason segue a linha de maquiagem do primeiro filme, mais próximo de um ser humano deformado. Neste caso, nosso vilão ostenta uma cabeleira, barba e tem a pele toda deformada, quase um “hippie” que nasceu em Chernobyl.

Uma curiosidade sobre o filme é que Jason é interpretado por dois atores diferentes: Warrington Gillette como o vilão sem máscara e Steve Daskawisz como o mascarado.

Sexta Feira 13 Parte III (1982)

A Sexta Feira 3D é importante por introduzir a famosa máscara de hóquei, que Jason “rouba” de uma das suas vítimas. Nela, também temos o maior tempo de exposição do rosto do assassino e ele mudou radicalmente (o que só não é absurdo porque se trata do truncado e confuso universo da franquia), passando a ser careca, cheio de cicatrizes, um dos olhos disforme, além da falta de alguns dentes.

Jason assume uma aparência mais “filme de terror” nesta sequência, lembrando um ogro, com feições mais vilanescas e começando a se distanciar da aparência de um ser humano deformado.

Apesar dos pesares, essa é a aparência que mais acho interessante.

Sexta-Feira 13 – O Capítulo Final (1984)

Considerado o melhor filme da série por muitos (eu me incluo nestes “muitos”), o Jason da parte IV novamente muda bastante sua aparência, assumindo cada vez mais um rosto monstruoso. Se no terceiro filme as feições eram mais vilanescas, aqui o assassino apresenta um rosto muito mais deformado, como se estivesse sendo corroído, com um olhar disperso e triste. Pode parecer piração minha mas esse Jason parece muito mais uma criatura disforme que mata por irracionalidade, um “Frankenstein” serial killer, do que um assassino “mal absoluto” no estilo de “Michael Myers”. Sua aparência lembra também, em uma pequena escala, a de John Merrick em o “Homem Elefante”.

Seu final neste filme é bastante pesado, após ser enganado por um alucinado Corey Feldman careca e ter sua machete enfiada sem piedade na própria face.

Sexta Feira 13 – Um Novo Começo (1985)

Depois do melhor filme da série, temos um slasher fraquinho com um indesejado twist-ending: Jason não é Jason, é apenas um imitador que usava uma maquiagem bizarra para se parecer com o vilão e, claro, a máscara por cima. Esta estranha idéia não deu muito certo e acabou afundando a idéia de ter um novo homem por trás da máscara, fazendo os produtores pensarem nas maiores maluquices possíveis para trazer o cultuado assassino de volta para os demais capítulos da franquia.

Seu rosto é do ator Dick Wieand.

Sexta Feira 13 – Jason Vive(1986)

Como o título entrega, Jason volta do mundo dos mortos para aterrorizar Crystal Lake e seus adolescentes babacas, deixando pra lá a idéia de um assassino “de carne e osso” e partindo para o sobrenatural (não que a série fosse muito realista …).

Com um argumento para reviver o vilão que só poderia vir da série Sexta Feira 13, Jason retorna como uma entidade sobrenatural, super-poderosa e praticamente invencível. Sua aparência, obviamente, assume um tom muito mais demoníaco,  semelhante a um zumbi bombado, cheio de larvas e teias de aranha cobrindo seu rosto quando acorda do túmulo.

Uma máscara de latex um tanto cheesy, é verdade.

Sexta Feira 13 – A Matança Continua (1988)

Com o pior subtítulo da série no Brasil, a parte VII esquece o herói Tommy Jarvis e introduz uma menina com poderes telecinéticos que liberta Jason do aprisionamento pela qual foi submetido por Jarvis na sequência anterior. Mais um bando de adolescentes idiotas, mais uma chacina de rotina, Jason (agora como Kane Hodder) é desmascarado pela paranormal Tina e se revela como um monstro, completamente diferente de suas faces nas partes II, III e IV e ainda mais estranho que no filme anterior.

Este Jason poderia facilmente se passar como um dos demônios kandarianos de “Evil Dead” e seria bom se Ash surgisse para acabar com uma franquia que já estava bem desgastada.

Sexta Feira 13 – Jason Ataca em Nova York (1989)

Apesar da possibilidade promissora de ter Jason atacando em uma grande metrópole, a parte VIII é uma retumbante propaganda enganosa, com o vilão matando geral dentro de um navio e passando apenas 22 segundos em N.Y.

Para tornar as coisas ainda mais estranhas, sua aparência novamente muda e agora parece ser inspirada em um espantalho ou coisa assim. E para mostrar que esta nova sequência era puramente uma forma de fazer dinheiro em cima da marca até mesmo a origem de Jason, recontada neste filme, contrariava aquilo que a mitologia da série já havia mostrado.

Sexta Feira 13 – Jason Vai Para o Inferno(1993)

Após um início impactante em que Jason é executado por diversos militares, o que temos aqui é uma criatura bizarra que se trata do coração do vilão, mais parecendo um verme com um rosto feioso, passando de corpo em corpo para tornar seus hospedeiros assassinos. Ou seja, fim da linha.

Apesar de pouco aparecer, Jason Vorhees em formato humano parece estar todo queimado, o que não faz tanto sentido se baseando no fim da parte anterior.

Jason X (2002)

Seguindo o  clichê do “vilão no futuro”, Jason é levado para o espaço e acaba se tornando um super-soldado bombado e “metalizado”, sua face aparece em um pequeno momento, mais parecendo o Toxic Avenger.

Ah, apesar de tudo, esta foi a face mais próxima do Jason dos quatro primeiros filmes.

Jason x Freddy (2003)

O embate de ícones não nos traz nenhum close da face de Jason sem a máscara mas, muito provavelmente, sua face deve ser semelhante a dos primeiros filmes pelas feições visíveis quando esta de lado. Este foi o filme que iniciou a moda de bombar ícones do terror, com o assassino mascarado musculoso e alto, seguido à risca por remakes de “Halloween” e “O Massacre da Serra Elétrica”. Me pergunto qual academia eles frequentam …

Sexta Feira 13 (2009)

No reboot da série, Jason volta as origens de uma face deformada mais próxima a um ser humano, com um dos olhos e a boca deformados e cabelos (semelhante à parte II), com uma das aparências mais humanas (e feias) do assassino.

Infelizmente, o reboot faz bonito na maquiagem do assassino mas erra em repetir clichês criados nas sequências originais, com um Jason maratonista e que possui teletransporte, o tornando “super-humano” de qualquer forma.


As 8 Casas mais Assustadoras dos filmes de horror

Filmes de casas mal-assombradas são um clichê no cinema de horror. Não apenas casas, mas todo o tipo de moradia possível já ganhou alguma assombração para contar sua história.

Nem sempre casas precisam ser o motivo da assombração para desempenharem um papel importante em um filme de terror, elas podem ser um personagem oculto, oprimindo os personagens ou mesmo criando uma ilusão de serenidade e aconchego que abriga um pesadelo dentro de sí.

8 – “A Casa da Família Sawyer” de O Massacre da Serra Elétrica (1974)

O clássico de Tobe Hooper não trata de uma casa mal-assombrada, muito menos de fantasmas e espectros de outro mundo mas sim de seres humanos insanos, canibais e deformados que caçam outras pessoas para saciar sua sede de carne humana. O filme que praticamente criou um gênero “slasher Redneck” não apenas vê em seus brutais personagens os únicos vilões mas convida o espectador a entrar em seus domínios, uma casa decorada com ossos humanos, com crânios em cima de movéis (baseada em uma verdadeira casa dos horrores, o lar de Ed Gein), um verdadeiro açougue humano em suas entranhas.

O efeito é tão impressionante que é possível até imaginar o cheiro da casa, restos de pessoas apodrecidas e um maníaco doentio como anfitrião. E o pessoal nas filmagens pôde REALMENTE sentir esse horror enquanto o filme era rodado, já que a casa estava isolada para que as cenas que acontecem a noite no filme pudessem ser gravadas, o Texas vivia o seu famoso verão escaldante e a equipe teve de passar por 32 dias em um forno humano, sem poder ligar ventiladores e nem mesmo que a casa fosse aberta para ser ventilada!

Isso para não falar do cheiro da carne podre e de esqueletos de plástico queimando, na clássica cena do jantar …

Cena na casa maldita:

No momento em que Pam entra na casa e se depara com crânios, ornamentos feitos com ossos e é levada por Leatherface para conhecer seu “açougue” cheio de pedaços humanos em conserva, tudo isso enquanto é impalada em um gancho de açougue.

Vale a pena comprar ?

Se você estiver acostumado a encontrar pedaços de pessoas espalhados por sua casa e considerar um abajur feito de pele humana como um bom enfeite, talvez faça negócio com os Sawyers.

7 – “Black Wood Castle” de Castle of Blood (1964)

Você deve saber que uma das regras que os filmes de terror nos ensinaram é que não se deve aceitar passar a noite em um lugar longe da civilazação, habitado por alguém misterioso e aparentemente simpático que oferece gratuitamente a sua morada.

As coisas pioram quando você é um reporter cético e é convidado por um misterioso Lord Blackwood para provar que o sobrenatural existe, em seu enorme castelo gótico e cercado de densas sombras, cheio de espíritos que precisam se alimentar de sangue humano … no dia do halloween!

E é isso que acontece neste bom filme italiano de Antonio Margheriti, colocando a figura do imponente (e belo) castelo como lar de almas penadas sedentas por vingança misturado à hipnótica e misteriosa trilha sonora de Riz Ortolani.

Cena na Casa Maldita:

O momento onde Foster, o repórter, desce as escadas até a cripta do castelo e encontra uma criatura esquelética se levantando do túmulo apenas com a luz de velas iluminando o local.

Vale a pena comprar ?

Apesar de grandioso e imponente, não apenas não vale a compra como não está a venda e nada que você faça vai mudar a mente de Lorde Blackwood. Se passar no Halloween por lá, provavelmente poderá ficar de graça a noite, com o custo adicional da possibilidade de não sair vivo.


6 – “A casa de Belasco” em Legend Of The Hell House (1973)

Esta casa, designada pelo adorável Emeric Belasco (um pervertido com fantasias sexuais mortais) em 1919, vai além das demais da lista porque foi construída com o intuíto de ser mal-assombrada. Como ? um santuário com corpos enterrados foi construído dentro dela com a idéia de criar um campo de forças sobrenaturais possibilitando todo tipo de fenômeno como mesas se mexendo sozinhas e locais que pegam fogo sem motivo.

E para piorar tudo, temos um pequeno gato preto que dá as boas vindas aos visitantes com o simpático hábito de mutilar pessoas com suas garras.

Este filme britânico dirigido por John Hough baseado em um livro de Richard Matheson trata sobre repressão sexual, parafilias bizarras e fantasmas assassinos.

Cena na Casa Maldita:

A medium Florence Tanner vai até a insólita capela no coração da casa para tentar avisar os espíritos sobre uma maquina que Lionel Barret, o protagonista, criou para livrar a casa das entidades. Chegando lá, é recebida por um enorme crucifixo caindo em sua cabeça, que a esmaga instantaneamente.

Vale a pena Comprar ?

Se você possui algum tipo de repressão sexual ou alguma fantasia bizarra que envolva amputação, fique bem longe da mansão Belasco!

5 – “Seven Doors Hotel” de The Beyond (1981)

Neste clássico “blood feast” de Lucio Fulci, o hotel supracitado, situado na Lousiana, é o local onde o espancamento, crucificação e corrosão de um artista local acusado de bruxaria abre uma das sete portas da morte que permite o trânsito de mortos entre o nosso mundo e o inferno.  Muitas décadas depois, uma mulher decide reabrir o hotel e faz uma reforma geral, causando a reabertura da porta infernal e tendo de enfrentar desde zumbis até aranhas demoníacas comedoras de faces.

A história conta que o hotel foi construído exatamente em cima de uma das portas e o sangue e sofrimento do artista morto foram suficientes para permitir a abertura da mesma, neste filmaço de Fulci, considerado por muitos como um dos melhores filmes de horror italianos.

Cena na Casa Maldita:

A tétrica e impactante cena onde todos os zumbis criados desde a reabertura da porta infernal se juntam na sala para matar a misteriosa garota cega, são destruídos pelo seu fiel companheiro canino até o momento em que o cachorro é possuído e estraçalha sua jugular.

Vale a Pena comprar ?

A julgar pelo final do filme, se você acabar zanzando cego entre o mundo dos mortos e dos vivos, não se preocupe porque alguém pode reabrir a porta novamente em um futuro muito distante.


4 – “The Bly House” de The Innocents (1961)

Na obra prima do terror psicológico dirigida por Jack Clayton, com a participação de Truman Capote como roteirista, temos a Bly House, uma lindíssima mansão britânica, com direito a enormes cômodos e até mesmo um lago particular.

Diferente do castelo Blackwood e da Casa de Belasco, esta mansão não oferece uma imagem tétrica e horripilante … até que a noite caia e o escuro tome conta, é claro.


No filme, a casa tem um papel decisivo, em especial pelos seus diversos locais “secretos”, suas instalações diversas e o lago particular também ganha seus momentos, como aparições de fantasmas ao seu redor. Mas certamente o ponto alto são as imagens de tirar o fôlego da Bly House na penumbra total, provocando uma tensão no espectador pelo que espera a simpática (e perturbada) personagem de Deborah Kerr.

Cena da casa maldita:

A perturbadora cena em que Deborah Kerr vai fechar uma janela e se depara com o espírito do caseiro Quint, que logo desaparece em meio à escuridão da noite, deixando-a confusa e assustada.

Vale a Pena Comprar ?

Se você for morar com um casal de crianças estranhas, sendo que uma delas foi expulsa do colégio sem explicações, que recitam poemas bizarros e costumam brincar de esconde-esconde, evite a estadia na Bly House.


3 – “Dakota Building” em Rosemary’s Baby (1967)

Baseado em um livro de Ira Levin, Roman Polanski dirigiu uma das maiores obras primas do horror de forma com que o torna um dos filmes mais assustadores de todos os tempos sem a aparição de nenhum monstro ou fantasma.

O lugar que abriga a seita diabólica liderada por velhinhos simpáticos é o Dakota Building, um edifício real situado em Nova York, construído em 1880, sendo frequentado por muitas pessoas famosas como Boris Karloff e Judy Garland.


Apesar de não ser exatamente ameaçador em termos de aparência, o fato de ser o lugar onde uma seita de adoradores do demônio reside já seria o suficiente para ser evitado. Para piorar, Rosemary é atormentada por estranhos barulhos e conversas que escuta através das paredes.

Ah, e para não dizer que não mencionei, John Lennon foi morto saindo deste mesmo hotel, em 1980. Brrrr.

Cena na Casa Maldita:

Apesar de o estupro demoníaco ser a cena mais emblemática do filme, é no momento final em que o insuspeitável apartamento do casal Castevet abriga o filho do diabo onde o Dakota Building se torna o centro do apocalipse.

Vale a Pena Comprar ?

Se você é um homem solteiro, evite de levar a namorada para passar uma noite no Dakota, em especial se ela costuma tomar chá de raíz de Tanas …

2 – “A Mansão Vitoriana” de The Changeling (1981)

Se você  procura o arquétipo de casa mal-assombrada, a mansão de “The Changeling” é sua melhor opção. Enorme, escura, velha, com um piano pronto para tocar sozinho e cômodos trancados da qual você não terá acesso são algumas das características que foram oferecidas ao personagem de George C. Scott.

Ao longo do filme, descobrimos que o fantasma de um filho deficiente e renegado assombra a velha mansão a procura de justiça contra aqueles que o abandonaram.


Cena na Casa Maldita:

O momento em que o dr. John Russel esta lendo e é perturbado por uma bolinha jogada pela escada. Russel pega a bola e a leva até um rio na cidade para se livrar dela até chegar em casa e ser recebido pela mesma bola caindo pela escada.

Vale a pena comprar ?

Se você tiver tempo para solucionar um mistério de 70 anos atrás envolvendo uma família influente e um filho renegado, negócio fechado.

1 – “Overlook Hotel” de The Shining (1980)

Jack Torrance era um escritor a procura de um emprego para poder se sustentar enquanto finalizava seu mais novo livro. Um enorme hotel, fechado no inverno, estava precisando de um caseiro para cuidar até a reabertura no verão. Parecia o emprego perfeito, simples, apenas seguir algumas regras e ter a liberdade de um lugar enorme para poder viver e acabar de escrever seu livro. O que poderia dar errado ?

Este é o problema para Jack, seu filho era um “iluminado” e mexeu com as entidades que residiam no local, provocando sua possessão e descontrole total para matar sua família, mantendo um ciclo de anos e anos.

O Verdadeiro "Overlook": Stanley Hotel

O Overlook é o lugar perfeito para que fantasmas atormentados façam suas vítimas, construído sobre um cemitério indígena, com diversos cômodos, salões de festas antigos, quartos em que não se pode entrar, corredores extensos, afastado da civilização.

Se as entidades fazem o trabalho de enlouquecer Jack, o hotel é decisivo por seu clima de opressão total, filmado de forma brilhante pelas câmeras Steadycam, acompanhando os personagens em planos fechados e sem permitir um ângulo de visão extenso ao espectador.

Até mesmo cenas antológicas como o momento em que o garçom interpela Jack no banheiro, não teriam tanto impacto se não fosse pela decoração com um vermelho forte ao fundo e cores carregadas que permeiam todo o lugar.


E, se ainda não é suficiente, o hotel tem um enorme labirinto, palco da cena final de “The Shining”.

Cena na Casa Maldita:

O clássico momento em que Jack visita o misterioso quarto 237 e descobre o porquê da recomendação de mantê-lo fechado. Ou o momento em que visita o bar e Lloyd libera a bebida por conta da casa. Ou o momento em que vai ao banheiro com o garçom. Ou quando quebra a porta com o machado e diz a antológica linha “Here’s Johnny”. Ou … impossível escolher!

Vale a pena comprar ?

Talvez no verão valha a pena passar uma noite ou duas mas no inverno, é bom se certificar de nunca ter problemas com bebida, não ter traumas familiares no passado e que seu filho não seja um medium. Ah, se nada disso adiantar, lembre sempre de ter uma bateria reserva para o carro limpa-neve.

Trailers From Hell

Joe Dante, diretor de clássicos como “The Howling” e “Piranha”, agora ataca também na internet através do site Trailers From Hell, uma espécie de arquivo virtual de trailers criados pela equipe do site para filmes b, exploitations e filmes antigos.

A diversão fica por conta de que esses trailers capturam os melhores momentos de cada filme, incluindo divertidos e estrondosos letreiros com informações e comentários dos realizadores e da equipe do site (incluindo Dante!) em 2 minutos e meio de video.

E essa equipe não se resume apenas aos “gurus” do site mas também gente como John Landis, Mick Garris, Rick Baker, Larry Cohen, Mary Lambert, Jack Hill e muito mais.

E o que é melhor, claro, tudo de graça!

O formato inclui dois videos para cada filme, um sendo o comentário e outro o trailer editado pelo site.