Review: Evil Dead 2013

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Faz um bom tempo que não escrevo nada para o Rewind, Please. E devo continuar sem fazê-lo. Porém, minha conjuração que trará, mesmo que brevemente, o blog do mundo dos mortos é produto de um profundo desgosto. Revisando as postagens, eu descobri que, para todos os remakes que resenhei, fui extremamente crítico. Não é o caso de ser um chato purista; todos os remakes feitos a partir da década de 2000 que assisti foram muito ruins. Talvez exista algum muito bom, melhor que o original, dando sopa por aí. Até agora, ainda é uma miragem para mim.

Existem duas premissas básicas hoje em dia para o cinema de horror – e digo cinema de horror porque deste mal padecem filmes mainstream e, até mesmo, os independentes. Você pode trabalhar em seu filme sob o frame de “horror psicológico” ou “torture porn”. Nada entre eles é permitido. São dois extremos do espectro; de um lado estão os genéricos suspenses que vão escalando em intensidade até um final sobrenatural “full time”. Do outro, está o roteiro bobo que usa qualquer desculpa para colocar um monte de adolescentes ou gente burra para morrer. No primeiro, temos os artifícios que subestimam as audiências como a personagem (invariavelmente) feminina que passa a ter visões e é sempre desacreditada pela família até que o próprio diabo apareça – e acredite, mesmo assim ainda haverá um personagem idiota para contestar a explicação sobrenatural para a mixórdia em que está vivendo. No segundo, temos um monte de gente morrendo; alguns filmes com mais sangue, outros mais explícitos, todos com uma overdose de câmera tremendo, jump cuts e sustos falsos.

Evil Dead 2013 é, basicamente, um torture porn. Porém, ele vai um pouco além; em sua composição encontramos elementos do “horror psicológico”. Há quem diga que o filme é o máximo que um grande estúdio hollywoodiano poderia chegar de um splatter. Eu, particularmente, já identifiquei aqui mesmo no blog a tendência de exagerar no sangue para maquiar falta de coragem dos roteiristas. A nossa bola da vez é toda pautada em cima do modelo do torture porn. Essa é sua base e o próprio início do filme deixa isto bem claro. Trata-se de um longa realmente recheado de charope Karo: tem muito sangue espalhado para todos os lados! A conexão com o Evil Dead original não poderia ser menor; basicamente, uma leitura rápida da sinopse do filme na wikipedia poderia garantir aos roteiristas do remake material suficiente para escrever a besteira que escreveram.

O original dispensa grandes discussões porque elas já foram feitas extensivamente pela internet. Foi o filme que foi porque possuía um time de pessoas, jovens e sem oportunidade no grande negócio hollywoodiano, com uma câmera na mão e muitas ideias incríveis na cabeça. A criatividade que dribla os aspectos low-budget da produção elevou Evil Dead à condição de cânone do horror no cinema. Desde as tomadas POV na floresta (um dos poucos elementos trazidos para o remake, de forma tímida) até um roteiro que manda a tradição de “tomar tempo desenvolvendo os personagens desinteressantes para que morram logo em seguida” às favas. jogando na cara do espectador uma sequência de tirar o fôlego já no início do filme. Ash, o grande herói de Bruce Campbell, surge só na metade final, causando surpresa já que o outro personagem masculino, por menos interessante que fosse, ainda parecia com mais cara de “mocinho” do que Campbell, que depois viraria cult nas sequências.

Já Evil Dead 2013 não sai da base, mantendo-se sempre preso a uma pletora de regras e clichês que pautam os torture porn. É sangrento, tenta ser “realista” (e o roteiro não poderia ser mais paradoxal neste sentido), já começa sinistro, com estes terríveis filtros azulados escurecendo a imagem e faz com que a audiência torça pelos “bandidos” enquanto têm síncopes de raiva devido às ações bestas dos personagens. A culpa nem é dos atores; se você for ensaiar um papel de um personagem que tem paralisia cerebral, você o fará de acordo com o paralelo com a vida real. Em Evil Dead 2013, todos os personagens (inclusive os demônios) possuem metade do cérebro paralisado. É muita idiotice reunida.

No original (prometo que cesso as comparações porque é até heresia), temos uma cabana normal no meio do mato e um grupo normal de jovens (ainda que “românticos”, para dizer o mínimo) a habitando. Até o momento onde o livro é capturado, temos uma história que poderia vir de um melodrama dos anos 50. O contraste é intencional; minutos depois temos o inferno, literalmente, acontecendo na frente das câmeras. O remake decide já começar com uma cena onde uma menina é queimada viva por um grupo de pessoas feiosas. Não há ambiguidade; ela está possuída pelas entidades que vão aparecer posteriormente. Assim, é claro, o remake já sai explicando o background, algo que o original nunca faz, em nenhum momento (apenas toca, muito por cima, com as gravações do professor). Aí, musiquinhas de piano do tipo “coisas ruins irão acontecer” a parte, o grupo tirado direto da agência de modelos chega na cabana. Tudo é azulado, tudo é sinistro. Logo logo, descobrem um porão com um monte de gatos mortos pendurados por ganchos, Lá no fundo, alguém avista o Necronomicon (que ganha outro título com mais cara de “coisa séria”, apesar das gravuras de álbum de black metal gravado em garagem).

Aí um dos palermas da turma, que mais parece uma espécie de “Kurt Cobain” com constipação, descobre umas inscrições escondidas no livros e as recita. A entidade começa a se mover dentre a mata. Uma das personagens mais insuportáveis do remake é, logo, a protagonista, Poupo o spoiler, é isso mesmo. Viciada em drogas (algo que deve ter sido toque da roteirista ou revisora de roteiro Diablo Cody), ela vai com os amigos e o irmão para a cabana, a fim de se livrar da dependência, coisa que, com uns 20 minutos, já não faz mais diferença nenhuma. Perdia na mata, ela acaba sendo atacada pela “floresta” e é presa por alguns galhos. Quem viu o original, pensou saber o que aconteceria. Não; a brutalidade do estupro das vinhas é trocada por uma figurinha fantasmagórica que vomita um troço preto. O troço preto penetra a mocinha e aí ela passa carregar o mal. Lembra quando, no original, precisava de uns líquidos pretos para que alguém ficasse possuído? Eu não lembro.

A partir daí, o filme começa a derramar seus galões de sangue. Cortes expostos, tiros, mordidas, vômito, lacerações e sangue. Muito sangue. Já frisei o suficiente? Mesmo com todos os indícios possíveis de manifestação sobrenatural, com direito a vozes demoníacas e aberturas súbitas de portas e janelas, a patota segue a achar que são sintomas da abstinência. Uma personagem tem a cara de pau de dizer “ela está psicótica”, depois da mocinha vomitar litros de sangue na cara dela. Lembra do “horror psicológico”? Este é o elemento obrigatório no estilo. Quem disse que a periferia do cinema de horror não pode ser promíscua?

Os personagens vão morrendo ou sendo possuídos. Os dois homens do grupo apanham e apanham muito. Tomam tiros de calibre 12, sofrem cortes profundos, apanham com pé de cabra, são perfurados por pregos, são cravejados por agulhas na face e, minutos depois, estão conversando, de pé, lúcidos, como se nada tivesse acontecido. Decepar membros é moleza! Existe uma expressão americana utilizada quando cineastas requerem que as audiências deixem para lá embasamentos na realidade. Evil Dead 2013 é como se a “suspension of disbelief” fosse, ela mesma, roteirizada e filmada!

Perto do fim, aprendemos que bastava o irmão chatíssimo ter enterrado a personagem possuída para ela voltar ao normal. Ele, um jovem normal que deveria gastar seu tempo na vida da cidade transando, fumando erva e estudando para a faculdade, cria, sozinho, um rudimentar mas complexo desfibrilador caseiro para reviver sua irmã. Ela morre. Frase dramática e música em tom menor seguem. Ela revive e o final feliz se aproxima. Só que um dos personagens retorna como demônio e o irmão se sacrifica, explodindo a cabana. Aí o “twist” politicamente correto se dá; com os homens mortos, é a histérica e chata ex-possuída que vira a heroína, cortando ao meio uma entidade profundamente poderosa, com uma serra elétrica – olha mãe, ela é o Ash, só que do sexo frágil. Parabéns Evil Dead 2013 pelo ambivalente comentário social.

Como vocês podem notar, não escrevi o nome de nenhum dos personagens porque, de fato, não lembro de nenhum deles. E eu assisti o filme há uns 30 minutos atrás! Admito: não estou a fim de procurar na internet. Não há nada neste remake que não tenhamos visto em outros. Tem muito sangue mas em termos de gore, perde feio para outras chatices, do tipo O Albergue. Com uns 50 minutos, eu já estava implorando para que acabasse para ir embora do cinema mas a joça tinha mais uns quarenta minutos de sofrimento. Vi gente dita entendida de cinema de horror elogiando o filme. Eu não entendo nada de cinema de horror mas, com auxílio dos meus olhos, ouvidos e neurônios, cheguei a conclusão que este filme é, na medida de todos os outros, uma bela merda (acho que este é o primeiro palavrão que uso aqui no blog).

Enfim, se não viu, não veja, Se já viu, desista. Eu já desisti; o cinema americano parou de tentar há muito tempo. Agora, nem sei mais qual clássico eles vão estuprar até porque os mais conhecidos já foram, todos, para a magnífica fábrica de blockbusters que serão esquecidos em 5 minutos após sair do cinema. Dá dinheiro, até mesmo para pagar críticos para dizerem que o filme está a par com a grandiosidade do original. Para chegar a tal conclusão, sem ser pago, é preciso comungar da paralisia cerebral dos personagens do filme. Fique longe desta porcaria!

2 comentários

  1. velho na moral ! “C TA MAIS PUR FORA QUE BUNDA DE INDIO ” o filme está perfeito tem a mesma atmosfera do original , c ta querendo o que ? que a produção fosse a mesma de 30 anos atras ? EVIL DEAD REMAKE É TÃO TENSO QUANTO O ANTIGO.

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