Meu Top 10 de 2010

Olá, amigos e amigas que frequentam este meu pequeno blog sobre cinema. Acima de tudo, deixo o meu obrigado às pessoas que visitaram e aquelas que incluiram o Rewind, Please em seus favoritos, foi um ano interessante e sendo sincero, este foi o meu primeiro blog a dar certo. Infelizmente, por total falta de tempo, na reta final de 2010 tive de abandonar um pouco essa função para me dedicar à vida real fora do sombrio e fértil reino do horror em troca dos banais e chatos afazeres do dia-a-dia. Aproveitando, peço desculpas por essa falta de atualização e faço uma pequena promessa de ano novo de que voltarei a escrever aqui neste espaço de uma forma mais rotineira do que ocasional.

Nessa época, é comum aos blogs sobre cinema a realização de listas e mais listas sobre os melhores e piores do ano. Normalmente, eu sou isento à esse tipo de coisa por uma questão simples mas relevante; como vocês podem perceber pelo conteúdo do Rewind, Please, não sou o maior entusiasta de filmes recentes e, pra falar a verdade, dedico mais o meu tempo para assistir cinema aos filmes antigos que ainda não vi do que para os lançamentos que lotam as prateleiras das locadoras. Mas, ano novo, vida nova, pensei que o primeiro post de 2011 poderia valer o esforço de revisitar 2010, outro ano tão medíocre para o cinema fantástico.

Para minha surpresa, consegui achar 10 títulos interessantes que deram vida à seguinte lista …

10. – Machete

O amalucado filme de Robert Rodriguez foi circundado por uma enorme aura de hype antes de seu lançamento. Não era para menos, o fake trailer que deu origem ao longa, presente no irregular Grindhouse, era espetacular e arrasador, prometendo basicamente tudo o que se esperaria do próprio projeto Grindhouse. Entretanto, Rodriguez demonstrou um certo desdém pela pérola que tinha em mãos, divindo o seu tempo para filmar “Pequenos Espiões 4” (???) e a versão longa de Machete acabou ficando aquém do esperado, se levando demais a sério e esquecendo a ação non-sense e “kick ass” que o trailer prometeu. Apesar disso, ainda assim foi interessante ver Danny Trejo sendo o anti-herói latino acabando com os vilões yankees naquele típico clichê de filme B … b de bagaceiro!

9. – Hatchet 2

A sequela de “Hatchet” é basicamente o que eu esperava, o exploitation “moderno” com litros de sangue derramados na tela e um bando de personagens burros para aniquilar. Mas, assim como o original, este filme carrega um charme de produção barata e suja, a lá Old School, que o torna bem mais atrativo que o lixo despejado por Platinum Dunes e suas similares a cada ano. Sim, o roteiro é redundante, mais do mesmo, tem participações especiais de medalhões, esbarra em querer se levar a sério demais em alguns momentos mas esta lá Victor Crowley, sua máscara de látex e o splatter. Ah, e retorna com um artifício raríssimo nos dias de hoje, continua exatamente do ponto em que o primeiro terminou.

8. – Frozen

Não, eu não compartilho com todo esse hype em cima deste longa mas é preciso dizer que se trata de uma grata surpresa. Frozen, assim como “Mar Aberto”, por exemplo, coloca o espectador em uma situação real, com um pretexto simples mas aterrorizador; ficar preso à própria sorte em um carrinho daqueles que levam ao topo das montanhas para esquiar (isso tem algum nome específico aqui no Brasil ?), junto de duas outras pessoas. As tensões crescem, decisões erradas são tomadas e tudo vai se tornando uma bola de neve (trocadilho infame, não ?), até eclodir em um final que pode até ser previsível mas é satisfatório. Não concordo com a euforia da crítica especializada, ao comparar esse filme com Jaws, mas é preciso salutar um longa que consegue manter uma idéia tão simples e anti-cinematográfica sem se tornar chata ou inconclusiva.

7. – I Spit On Your Grave

Quando fui assistir essa refilmagem, pensei se tratar de mais uma re-imaginação “soft”, burra e sangrenta de um exploitation clássico setentista (Last House on The Left ?), mas me surpreendi positivamente. Este remake carrega várias mazelas modernas de seus semelhantes (vilões limpinhos e saídos de agências de modelos, produção clean) mas mantém uma das características primárias de todo e qualquer exploitation nessa linha que é encontrar sua força na degradação moral dos personagens, sem querer ser um “flagrante da vida real”, algo que era suprimido no original. É também preciso ressaltar a forte atuação de Sarah Butler e aquela deliciosa veia apelativa e sensacionalista que só os filmes de “rape and revenge” sabem fazer com tanta maestria, tornando I Spit On Your Grave remake uma experiência divertida (em um sentido maníaco, é verdade), sem assumir pretensões maiores do que realmente é.

6. – Inception

Eu certamente seria o primeiro a criticar severamente este filme, muito em função do nome de Christopher Nolan associado á ele, já que o considero um diret0r médio extremamente supervalorizado pelos intelectualóides. Mas tive de queimar minha língua, com esse bom filme de ficção científica em seus moldes clássicos, sendo nerd sem ter medo de se assumir assim, com toda sua complexidade e cenas dúbias (levadas a sério demais), com algumas cenas beirando o campy (para uma megaprodução!) mas com excelentes efeitos especiais e um cast de qualidade (com destaque para os nomes desconhecidos que completam o time de protagonistas do filme, excetuando os já conhecidos Leonardo Di Caprio – mais uma vez competente -, Ellen Page e Marillion Cotilard). Apesar de muita gente com síndrome de underground estar criticando o longa, é uma megaprodução divertida e que entretém, lembrando os antigos filmes na fase “pipoca” de Steven Spielberg.

5. – Red

Eu sou mais um de saco cheio das milhares de produções que reunem um cast all star (muitas vezes, decadentes) para fazer um filme de ação engraçadinho e medíocre MAS Red o faz com propriedade, sendo uma experiência divertida e simpática, apoiado no elenco cheio de estrelas mas com um ar canastrão que vale o ingresso. Talvez Red não devesse constar em quinto lugar nessa lista, na frente de filmes como Machete (que era a minha maior expectativa do ano), Inception (…) mas confesso que me divertiu mais que todos esses que ficaram para trás.

4. – Never Sleep Again: The Nightmare On Elm Street Legacy

Ok, este tecnicamente não é um filme mas vale muito mais que boa parte do que foi lançado esse ano, incluindo o remake do “clássico” referenciado no título. Em suas 4 horas de duração, o documentário esmiuça toda a série, incluindo os piores e mais vergonhosos capítulos, conseguindo criar um novo olhar para as infames sequências da franquia de Freddie Krueger. Confesso que passei a dar mais atenção até mesmo para o original após assistir esse documentário, o que evidencia a qualidade desta fan-made declaração de amor ao legado de Wes Craven e sua criação mais famosa.

Review

3. – Piranha 3D

Eu ainda não entendo porque vi tanta gente reclamando do gorefest de Aja, incluindo muita gente que faz questão de evidenciar seu amor por b-movies cheios de efeitos cheesy e violência desproporcional. Piranha é o exemplo daqueles meteóricos momentos em que grandes estúdios financiam produções low-budget por natureza, com uma chuva de sangue, diálogos toscos e efeitos especiais hilários. Sim, eu também acho que a profusão de CGI não é bem-vinda mas se trata de um filme anarquico, tosco e esquecível, diversão passageira. Nem tudo se resume à Christopher Nolan tornando personagens de quadrinhos em metáforas para a sociedade capitalista e caótica bla bla bla!

2. – A Serbian Movie (Srpski)

Junto de A Centopéia Humana, Srpski era a grande sensação no “submundo” da industria cinematográfica. Mas, diferentemente de seu companheiros, o filme sérvio resistiu ao hype e se mostrou um sólido exercício em horror explícito, aliando imagens gráficas à total degradação moral, como manda o manual dos bons exploitations nesta veia mais séria e agressiva. E não esqueçam que seus realizadores nunca quiseram entrar na competição de “o filme mais ultrajante de todos os tempos”, apensa quiseram fazer um bom filme de horror. E conseguiram!

Review

1. – Video Nasties: Moral Panic, Censorship and Videotape


Assim como “Never Sleep Again”, este não se trata de um filme mas, sem duvidas, é o lançamento do ano para quem se interessa pelo nebuloso e complicado momento dos video nasties e seus impactos na conservadora Grã-Bretanha dos anos 80. Além do documentário principal, o dvd ainda traz uma análise para cada um dos filmes que entraram na lista, os que ficaram de fora e um video apenas com aberturas de fitas VHS de várias distribuidoras da época, ouro para os nostálgicos.

Tudo nesta montanha de material é interessante, cada um dos seus 540 minutos, para observar o quão significativo o cinema pode ser, desde ser considerado um formador de serial killers até poderosa ferramenta política, através de subversões da verdade, fatos inventados e muito sensacionalismo.

Para coroar, tudo é pensado com cuidado, até sua embalagem é feita sob medida para lembrar as big-boxes que guardavam os VHS na época. “Video Nasties: Moral Panic, Censorship and Videotape” cheira a mofo … e isso é MUITO bom!

Desejo um feliz 2011 à todos que visitam o blog e espero, assim como vocês, que tenhamos um ano melhor no cinema que 2010!

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