As Muitas Faces de … Tom Savini!

O Savini iniciante:

Deathdream (1974)/Deranged (1974)

Após retornar da missão como fotógrafo na guerra do Vietnã, Savini estava mais determinado do que nunca a realizar seu sonho de ser especialista em maquiagem e efeitos especiais no cinema. Seus dois primeiro trabalhos na nova empreitada foram em duas produções canadenses em 1974, dirigidas por Bob Clark e Alan Ormsby (sendo Ormsby roteirista de Deathdream também).

O primeiro, baseado em uma história de W.W. Jacobs, é protagonizado por um soldado recém chegado do Vietnã (alguma ligação com o passado recente do próprio Savini não deve ser mera coincidência) após ser dado como morto pelo exército americano. Andy, o soldado, é recebido com grande alegria pela família pasma pelo seu retorno mas começa a agir de forma estranha, desenvolvendo hábitos noturnos e retirando sangue de outras pessoas com uma seringa, afim de conter a perda de sangue que sofre.

Savini desenvolve algumas de suas futuras marcas registradas como o deterioramento da pele de Andy, se transformando em uma espécie de zumbi decrépito, com olhos expressivos e assustadores, algo que iria aperfeiçoar ao máximo em sua futura parceria com George A. Romero.

Já Deranged é uma biopic de baixo orçamento sobre a vida de Ed Gein, hoje considerado um pequeno cult movie, bastante gráfico e visceral. Muito disso está no trabalho de Tom Savini, desta vez cuidando da maquiagem dos assassinatos e dos corpos que Ed Gein mantinha em sua casa.

Martin (1977)

A primeira colaboração entre Tom e Romero foi com Martin, um conto sobre um vampiro adolescente vivendo junto de um tio supersticioso que sabe de seu segredo e a necessidade de se alimentar de sangue, até descobrir o amor e ver seu relacionamento acabar de forma trágica, diferindo severamente do tom clássico dos filmes de vampiro, com um olhar mais humano e triste, apesar de ironizar os clichês do estilo.

A participação de Savini se concentra mais nas mortes, gargantas cortadas, muito sangue do que em maquiagens pesadas relacionadas à corpos decrépitos ou decomposição, como mostrou nos dois primeiros filmes em que trabalhou, além de um pequeno cameo como ator.

O Savini famoso:

Dawn of the Dead (1978)/ Day of the Dead (1985)

Após Martin, a parceria entre Savini e Romero ganhou força e o diretor confiou ao futuro mestre da maquiagem a responsabilidade de cuidar dos efeitos especiais do filme que dava continuidade à sua saga de zumbis, Dawn of the Dead.

Não apenas trabalhou na parte técnica como também atuou em Dawn como o motoqueiro Blades (os sobrinhos dele também trabalharam em cameos como zumbis). Seu estilo já conhecido acabou ganhando forma final neste segundo episódio da trilogia original de Romero, com a maquiagem carregada, tons azuis e esverdeados na pele, machetes enfiadas em cabeças, feridas expostas e muito sangue em um trabalho de maquiagem em mais de 300 pessoas, com a ajuda de oito assistentes (um deles, Joseph Pilato, atuou no filme como um policial e seria o antagonista em Day of the Dead), construindo cenas memoráveis como a própria morte heróica do personagem do maquiador.

O estilo de Savini no filme não primava tanto pelo realismo, uma idéia difundida pelo próprio Romero, com tons claros de sangue e o uso de bases acizentadas como indicativo da deterioração dos zumbis, com mais detalhes naqueles que ficariam expostos em longas tomadas ou teriam participação mais ativa em cena, algo que contrasta com o realismo da maquiagem de Giannetto De Rossi no clássico de Lucio Fulci, Zombi 2 (a “continuação” não-oficial do filme de Romero), lançado apenas um ano depois.

Dawn of the Dead foi o responsável por alçar o maquiador ao topo, até ficar conhecido como um dos principais artistas no segmento, com um trabalho memorável e que lhe garantiria presença no próximo episódio da trilogia de Romero, Day of the Dead.

Em 1985, após outros diversos trabalhos renomados, Tom retornou para trabalhar com o diretor que o fez famoso na terceira e última parte de sua saga dos mortos-vivos. Desta vez a equipe do mago da maquiagem contava com um jovem Greg Nicotero, futuro nome de respeito no meio, que também trabalha como ator no filme.

Uma curiosidade é que Romero chegou a contatar Savini para ser o responsável pelos efeitos e maquiagem ainda em A Noite dos Mortos Vivos mas, devido sua necessidade de partir para o Vietnã, acabou tendo de recusar a oferta.

Friday the 13th (1980)/ Friday the 13th: The Last Chapter (1984)

O envolvimento de Tom Savini com o fenômeno slasher Sexta-Feira 13 foi decisivo para aumentar ainda mais sua fama, tendo participado de diversos filmes decisivos para o gênero, desde que começou sua carreira.

Talvez este primeiro episódio tenha sido um dos mais marcantes em termos de participação de um artista de maquiagem, com cenas antológicas como a morte do personagem de Kevin Bacon, o machado na cabeça de Marcie e a decapitação de Pamela Vorhees na cena final.

Outra contribuição valiosa de Savini foi a adição da aparição de Jason no lago na cena final, algo que foi inspirado pelo susto no fim de Carrie, de Brian De Palma.

Tom retornou à série na parte IV, considerada uma das melhores sequências do original, trabalhando na icônica aparência de Jason na cena final e os já tradicionais assassinatos violentos do matador mascarado.

Maniac (1980)/ The Burning (1981)/ The Prowler (1981)

Na era dos slashers, Savini trabalhou sem descanso nos dois primeiros anos da década de 80 em alguns dos títulos mais famosos da melhor safra do estilo.

Em 1980, junto de seu trabalho icônico no primeiro Sexta-Feira 13, ele também proveu a maquiagem e efeitos especiais para Maniac, uma pequena jóia extremamente violenta e exagerada, sendo até mesmo considerado um representante do splatter pela profusão de sangue em cena. Novamente também fez uma ponta, memorável, na cena mais infame onde seu personagem tem a cabeça estourada por uma espingarda, enquanto transava com uma mulher em seu carro antigo, tudo isso em camera lenta com riqueza de detalhes. O próprio maquiador revelou que, para esta cena particularmente, tomou inspiração das fotos que tirava em sua participação na guerra do Vietnã.

Um clássico dos slashers, The Burning, foi o próximo trabalho para Savini, desenvolvendo os efeitos especiais para a matança promovida pelo perturbado Cropsy, incluindo a antológica cena onde um grupo de adolescentes é morto em uma canoa, com o uso de uma tesoura de jardinagem.

Em mais uma pequena jóia do estilo, The Prowler, Savini novamente faz um bom trabalho criando efeitos especiais para as violentas mortes do filme de Joseph Zito.

1 comentário

  1. Tom Savini, sou louca por ele o Greg Nicotero, são incríveis e maravilhosos, sou tão fascinada pelo trabalho deles. Queria um dia poder ser como tais… Sonho!

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