Session 9 – Review

Diretor razoavelmente desconhecido, uma pequena produtora por trás, pouco dinheiro e uma boa idéia. Essa combinação já rendeu frutos inestimáveis no meio do cinema de horror/ficção científica, trabalhos seminais na formação do cinema fantástico foram feitos sem chamar tanta atenção, sem budget de super-produção mas sempre servidos de bons roteiros, atores talentosos e boa vontade.

Em tempos onde cinéfilos estão saturados de remakes e filmes onde o que valhe é derramar litros e litros de sangue na cara do espectador, Session 9 de 2001 é um oasis, uma miragem no deserto seco de originalidade do cinema americano. Não que o longa do diretor Brad Anderson se baseie em uma idéia totalmente nova e original mas sua qualidade é fazê-lo de forma competente e interessante, movendo o espectador para uma atmosfera densa e sombria na tradição de clássicos do horror psicológico como “O Iluminado” de Kubrick, brincando com o limite entre a insanidade causada pela pressão do dia-a-dia e a intervenção do sobrenatural.

A história se passa em um gigantesco hospital psiquiátrico abandonado (Danvers State, que realmente existiu e recentemente foi colocado abaixo), onde um grupo de trabalhadores especializados em remoção de amianto é contratado para limpar o local. Liderados por Gordon Fleming (Peter Mullan), a equipe ainda conta com Mike (Stephen Gevedon, um dos roteiristas) que demonstra ter um grande conhecimento e remorso por ter abandonado a faculdade de direito quando jovem, Phil (David Caruso), o braço direito de Fleming, amargo por ter perdido sua namorada para Hank (Josh Lucas), que passa o tempo inteiro o provocando por isso. Jeff completa o time, membro mais novo e sobrinho de Gordon.

Ao longo do tempo, os personagens principais são afetados de diferentes formas por sua estada no hospital. Gordon vive o estresse  por ser pai pela primeira vez, enfrentando problemas em casa também devido a falta de dinheiro, motivo pela qual prometeu entregar o trabalho pronto em apenas duas semanas afim de desesperadamente conseguir o trabalho. Mike vive com o drama de ter desistido de seu grande sonho, tornar-se um advogado, e acaba se envolvendo com a história do misterioso hospital através de fitas contendo sessões de psiquiatria de uma paciente, Mary Hobbes, que demonstra ter diversas personalidades e é questionada aparentemente por um assassinato. Phil, interpretado pelo veterano e conhecido ator de seriados de sucesso, David Caruso, é atormentado por ter perdido sua namorada para o colega de trabalho Hank, um irresponsável e satírico personagem que revela ter o sonho de abrir um Casino em Las Vegas. Jeff é chamado para ajudar seu tio e demonstra problemas com locais escuros, alegando ter uma doença chamda Nictofobia.

Em determinado ponto, Hank desaparece (supostamente fugiu para Las Vegas) e Phil decide chamar um outro trabalhador de uma compania rival, afim de completar o time para acabar o trabalho até o fim da semana. Gordon, visivelmente abatido e descontrolado, revela para o personagem de Caruso que bateu na mulher porque ela deixou uma panela de agua quente cair sobre ele. Preocupado com o estado mental do chefe e amigo, Phil acaba convencendo Mike que devem afastá-lo do trabalho, enquanto Gordon escuta a conversa do andar de baixo.

Neste momento, Jeff surge e alega ter visto Hank nas escadas de uma ala do hospital, deixando Phil nervoso e fazendo com que Gordon ordene todos à partirem para diferentes setores do hospital afim de achar o membro desaparecido. Mike aproveita o momento para ouvir mais das fitas contendo as confissões da paciente Mary, ouvindo sobre três personalidades distintas, incluindo Simon, uma voz masculina e ameaçadora que revela ter mandado a paciente assassinar uma pessoa. Enquanto cada membro da equipe procura Hank por diferentes lugares, uma estranha presença surge e assassina um a um, sobrando apenas Gordon.
Em flashback, descobrimos que o chefe do grupo matou toda a família no dia em que alegou ter batido na mulher, por ter ouvido a voz de “Simon” ordená-lo a fazer. Phil acaba descobrindo e é morto, levando Gordon ao desespero por ter assassinado sua família e seus amigos, enquanto ao fundo a fita da “sessão 9” de Mary Hobbes é tocada.

Apesar de Caruso ser o ator mais conhecido do cast, Peter Mullan é quem realmente merece grande destaque pela tensa interpretação de Gordon, um homem perdido entre a responsabilidade de cuidar de uma família e a falta de dinheiro para tal. A trama vai em um crescendo, levando o espectador a imaginar que Phil pode ter sido o responsável pela morte de Hank até a revelação final, sugerindo que a personalidade “Simon” acabou também por se manifestar no personagem de Mullan.

O filme transita com naturalidade entre o clima pesado que cria, demonstrando as vidas conturbadas do grupo de trabalhadores através de flashbacks e conflitos internos na equipe. Assim como na antiga tradição de longas nesse estilo, Session 9 não escancara a intervenção sobrenatural, preferindo se concentrar na degradação mental dos personagens e a influência do imponente prédio nesta situação.

Apesar de poder ser interpretado como um caso claro de insanidade, o plot central pode sugerir diversas interpretações como a real presença de uma entidade trazida pela paciente Mary Hobbes e que passou a habitar o local. Ao fim, na gravação, “Simon” conta ao doutor que habita os fracos e machucados, levando a crer que Gordon era o elo mais fragilizado devido aos problemas pessoas que enfrentava, um outro ponto de encontro entre a produção americana e o clássico “O Iluminado”, permitindo o debate sobre a dubiedade da história. As cenas excluídas (presentes no dvd) ajudam a elucidar a existência de uma manifestação demoníaca já que mostram uma entidade escondida entre as paredes do hospital, espreitando o time. No dvd, há também um final alternativo onde uma mendiga presencia os assassinatos e acaba entregando Gordon Fleming à polícia.

O trabalho do diretor Anderson é um ponto central no resultado assustador e atmosférico de Session 9, o ritmo é lento (sem exageros) e vai crescendo sem a necessidade de sustos falsos e cenas gráficas, também sem utilizar “monstros”, apenas apostando em momentos de tensão da qual os personagens vivem enquanto trabalham no hospital. Outro êxito total de Anderson é a filmagem em um estilo “old-school”, sem a irritante tendência das câmeras tremidas e os cortes videoclipeiros, uma das pragas do cinema atual. A cor desbotada ajuda também na criação de uma atmosfera sombria e sufocante.

A falta de caras conhecidas no elenco é outro ponto positivo, permitindo dar credibilidade aos personagens e ao espectador simpatizar sem dar uma idéia concreta de quem vai ver ou morerrá ao fim do filme. Além de Mullan, o cast é relevante, com boas atuações de Caruso até o curioso e inteligente personagem de Stephen Gevedon,Mike, importante no roteiro para explicar a história do hospital ao espectador.

É uma pena que tal produção não tenha ganho muita atenção no Brasil (não foi lançada por aqui, um caso explícito do descaso de nossas distribuidoras), já que internacionalmente foi bem comentada e carrega uma nota alta na database IMDB. Para corrigir esta injustiça, procure assisti-lo e tirar suas próprias conclusões sobre um dos melhores longas de horror psicológico da década de 2000.

4 comentários

  1. eu gostaria de saber que filme é este daquela boneca com as boxexas vermelhas que esta bem no canto direito que está na faixa bem no inicio da pagina eu assisti o filme quando eu era pequena mas nao encontro lembro que era de terror

  2. EXCELENTE FILME DE SUSPENSE PSICOLÓGICO! EU NÃO DIRIA QUE ELE LIDA COM O SOBRENATURAL, POIS COMO EU ACREDITO EM ESPÍRITOS E FREQÜENTO A FEDERAÇÃO ESPÍRITA, OBSESSÃO É UM ASSUNTO ABSOLUTAMENTE NATURAL!
    NA MINHA CONCEPÇÃO, TRATA-SE DE UM CASO DE OBSESSÃO TANTO NO CASO DA PACIENTE MARY QUANTO NO CASO DE GORDON (PETER FLAMMING – MAGNÍFICO! ELE FEZ UMA TOTAL IMERSÃO NESSA PERSONAGEM).
    AS ENTIDADES MALÍGNAS INDUZEM PESSOAS FRACAS E MACHUCADAS A COMETEREM ASSASSINATOS E DEPOIS ELAS NÃO SE LEMBRAM DE NADA…ISSO É MUITO COMUM.
    POR ISSO, PESSOAL, SIGAM O CONSELHO QUE O NOSSO MESTRE JESUS NOS DEIXOU: “ORAI E VIGIAI”…É A ÚNICA MANEIRA DE NÃO DEIXAR O PORTAL DA NOSSA MENTE ABERTA A ESPÍRITOS INFERIORES (QUE NÃO DEIXAM DE SER NOSSOS IRMÃOS…SOMENTE ESTÃO EM UMA ESCALA EVOLUTIVA MENOR DO QUE A NOSSA).

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