As Muitas Faces de … Leatherface!

Em 1974, o estreante Tobe Hooper acabava de lapidar o filme independente que viria a ser o mais bem sucedido até o momento. Junto dele, Hooper deu a luz à um dos vilões mais dementes, nojentos … e reverenciados mundo a fora: Leatherface.

O “cara de couro”, filho pródigo da famosa e demente família Sawyer, dedicou a vida para eliminar pessoas que passassem por sua propriedade, junto de sua icônica serra-elétrica e seu belo sorriso.

Vejamos quem deu vida ao vilão e as transformações em sua aparência ao longo dos anos …

O Massacre da Serra Elétrica (1974)

“O original é sempre o melhor” dizem os fãs mais extremistas e, no caso do nosso vilão da vez, tem toda a razão. Este foi o Leatherface mais próximo de uma “realidade”, um homem demente, um tanto infantilóide, sendo usado pela família canibal como o “açougueiro” de carne humana.

Interpretado por Gunnar Hansen, o Leatherface original tem uma aparência física de um homem “normal”, desleixado e sem porte físico de atleta, ressaltando que o que fazia dele um monstro era a mente e não um aspecto monstruoso ou algum artifício sobrenatural.

O islandês Hansen merece um adendo sobre sua história. Nascido em Reykjavik, se mudou para os EUA com 5 anos de idade, viveu em Maine até completar 11 e se mudar para o Texas. Contrariando as expectativas de um homem mais conhecido por interpretar um vilão em um filme independente, Gunnar se formou em pelo menos duas faculdades diferentes. Após terminar os estudos, fez alguns bicos como operador de computadores até que soube de um jovem diretor de cinema que gostaria de filmar em sua cidade natal, no verão de 1973.

Motivado por alguns trabalhos como ator que fez ainda na faculdade, Gunnar assumiu o papel após ser entrevistado por Hooper e Kim Henkel.

Após o filme, o islandês co-estrelou o longa “Demon Hunter” que lhe rendeu uma má experiência e a decisão de não se envolver mais com atuação, recusando até mesmo papeis oferecidos por Wes Craven para “The Hills Have Eyes” e o próprio Hooper para “Eaten Alive”. Posteriormente se dedicou à carreira de escritor, trabalhando por vários anos como editor de revistas, escreveu roteiros para documentários e livros, incluindo alguns sobre o filme que o tornou uma estrela cult.

Apesar de ter se afastado da atuação, Hansen não aguentou por tanto tempo e decidiu voltar a ativa com a paródia “Hollywood Chainsaw Hookers” dirigida por Fred Olen Ray e contando com a participação da musa Linnea Quigley. Apartir deste filme, trabalhou em outras diversas produções B e é figura carimbada em convenções de horror, muito requisitado pelos fãs.

Gunnar também manteve o respeito quando recusou o convite para reprisar o papel de Leatherface no remake de 2003, alegando não concordar de forma alguma com a idéia de refazer um clássico como este. Atualmente, com 63 anos, mora nos Estados Unidos e seu ultimo trabalho como ator foi em Won Ton Baby, lançado neste ano.

O Massacre da Serra Elétria Parte II (1986)

Após 12 anos, Hooper enfrentava dificuldades em sua carreira e deicidiu retornar à marca que o fez famoso. Esta sequência, muito contestada por fãs e crítica, se baseia mais no humor negro e exagero de filmes como Re-Animator e Return of The Living Dead, do que no realismo e estilo de documentário do original.

Aqui Leatherface, agora carinhosamente chamado de “Buba”, não muda tanto em relação ao primeiro filme, em termos de aparência, com uma máscara muito semelhante (incluindo a famosa cena em que arranca a pele da face de um homem e a coloca como uma máscara). Apesar de no filme original demonstrar ser retardado, na parte II isto é mais utilizado para garantir o tom cômico do filme, enquanto originalmente era um aspecto sombrio.

Gunnar Hansen não retornou para o papel e, no seu lugar, entrou o texano Bill Johnson que trabalha frequentemente em produções B de horror e comédia e fazendo dublagens em jogos de videogame.

Este segundo filme conta com o mago Tom Savini comandando os efeitos especiais.

Leatherface: O Massacre da Serra Elétrica III (1990)

Através de um novo contrato com a New Line, a mais nova franquia no pedaço deveria ter ganho diversas continuações na mão da produtora, começando pela parte III (e terminando nela também).

Apesar de ser um filme mais sério e próximo do original, esta terceira parte toma muitas liberdades poéticas e acaba não sendo nem tão assustadora como o original e nem mesmo inova, prejudicada também pela mutilação praticada pela New Line para tirar um “X-rated” dado pelos censores americanos.

Agora Leatherface dos outros dois filmes está morto, o que temos aqui é uma versão “junior” do homem, amparado por novos membros da família Sawyer como o maluco Tex (um desconhecido Viggo Mortensen) e até mesmo a filha do vilão morto (não me pergunte quem é a mãe !!!) que herdou os instintos assassinos do papai.

Neste terceiro capítulo, Leatherface Jr. é encarnado pelo lutador profissional R. A. Mihailoff que, assim como os outros dois atores que deram vida ao monstro, é figura constante em convenções.

O Massacre da Serra Elétrica – O Retorno (1994)

Mesmo depois de duas continuações bastante contestadas, é o quarto filme da série que foi considerado o patinho feio por ser, genuinamente, horrível.

Escrito por Kin Henkel, foi promovido como sendo um retorno às raízes do original, uma “verdadeira” continuação para o clássico original, nas palavras dos produtores. O resultado foi tão ruim que a distribuidora decidiu colocar na geladeira e só foi lançar, limitadamente, em 1997. Diz a lenda que Renée Zellweger e Matthew McConaughey chegaram a ameçar judicialmente a Columbia Pictures caso o longa fosse lançado.

Ignorando as partes II e III, este quasi-remake apresenta Leatherface como um travesti (!!!) perturbado, interpretado pelo ator Robert Jacks. Mas as coisas pioram quando entra em cena McConaughey como um membro da família Sawyer, em uma atuação asquerosamente histérica e horrível (não é por mal que ele tenha lutado tanto para que “O Retorno” ficasse na obscuridade).

Robert Jacks, nascido na California, atuou neste filme e em “Todo Mundo em Pânico” de 2000, falecendo no ano seguinte com apenas 42 anos. Ele era um amigo próximo de Viggo Mortensen e media quase 2 metros!

O Massacre da Serra Elétrica (2003) e O Massacre da Serra Elétrica – O Início (2006)

O Massacre da Serra Elétrica foi um dos primeiros filmes icônicos de horror a ganhar um remake nos anos 2000 (a despeito da parte IV que pode ser considerada um remake ou, ao menos, um reboot do original) e, posteriormente, uma prequela.

A aparência de Leatherface foi renovada com uma máscara estilizada, com um longo corte dividindo o cabelo e feições mais ameaçadoras. O ator que o interpreta nestes dois filmes é um fisiculturista (perceptível, né ?), seguindo aquela moda dos remakes de bombar qualquer vilão como se isso fosse uma característica assustadora por sí só.

Tal ator, Andrew Bryniarski, não é um novato no mundo do cinema já que encarnou alguns papéis em produções conhecidas como “Batman Returns” e “Pearl Harbor”. Foi ele que também deu vida à Zangief no infame live action de “Street Fighter” em 1994.

1 comentário

  1. Sempre fui um amante do massacre da serra elétrica(na verdade,á gasolina) e me junto ao bando que diz que o retorno é um lixo!O filme marcou tanto minha adolescência,que hoje possuo uma coleção de motosserras!O segundo filme de 1986 tinha umas partes bem legais que foram cortadas,como a que Leatherface dizima um time de futebol americano em um estacionamento e mais outras duas muito bacanas que deixariam o filme muito mais interessante!

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