Review – A Hora do Pesadelo (2010)

*Este texto contém SPOILERS

Os remakes no cinema não são exatamente uma tendência nova, eles existem desde o início da sétima arte mas o que mudava eram as motivações para que estes fossem feitos.

Nas décadas iniciais do cinema, remakes eram comuns como sendo atualizações tecnológicas de filmes feitos em um período onde poucos recursos estavam disponíveis e, as vezes, até mesmo contavam com atores que haviam feito parte do cast da versão original. Ou seja, filmes que originalmente surgiram no cinema mudo eram refeitos com som, filmes em preto e branco eram refeitos com cor e pouca coisa em termos de roteiro era mudada, para manter fiel a idéia de uma refilmagem estritamente baseada nos novos artifícios que surgiam.

Depois, o remake ganhou o papel de ser uma re-imaginação de um filme, uma versão atualizada e que tomava liberdades poéticas dentro da idéia original. Dessa forma, filmes que originalmente eram ambientados em uma determinada época e eram escritos dentro dos modismos que eram comuns aos seu gênero, ganhavam versões mais adultas e maduras, dentro de uma linguagem mais próxima do ano de seu lançamento e tornando uma idéia antiga novamente interessante ao público.

Foi assim que clássicos como “A Mosca da Cabeça Branca” e “The Thing”, filmes cinquentistas de sci-fi, ganharam atualizações bem mais adultas e violentas, dentro de uma estética mais agressiva e menos “camp” através de diretores fãs dos originais.

Não apenas dentro do cinema fantástico, remakes também deram versões definitivas para filmes como Scarface que, nas mãos de Brian de Palma, redefiniu as produções do estilo.

Nos anos 2000, o fenômeno retornou com força e ganhou terreno dentro do cinema de horror e dividindo a opinião dos fãs do gênero. Se na década de 70 e 80 remakes tinham o papel de reimaginar uma idéia, as novas refilmagens pareciam estar confusas quanto ao seu papel, sem saber exatamente para que lado seguir.

Para tornar a situação mais delicada, muitos destes remakes eram de filmes nem tão antigos assim, ainda frescos no imaginário do publico e idolatrados por uma legião de fãs (em alguns casos, já saturados pelas diversas continuações).

A saga dos zumbis de Romero, Massacre da Serra Elétrica, Sexta-feira 13, Halloween … nenhum destes remakes de filmes consagrados encontrou unanimidade entre os fãs e alguns receberam críticas pesadas ora por fugirem demais da idéia central do original, ora por refilmarem cena por cena.

E, para se somar à esta confusa e irregular leva, Freddy Krueger é o mais novo ícone do horror moderno a dar as caras no mundo das refilmagens e, provavelmente, não sera o último.

Um dos problemas inicias de “A Hora do Pesadelo” era justamente que seu vilão não era um mascarado que poderia ser interpretado por qualquer um, possuia uma face já imortalizada ao longo de uma enorme franquia. Robert Englund não aceitou participar, deixando um pepino na mão dos produtores e a dúvida de quem poderia interpretar esse novo Freddy.

A solução veio com Jack Earle Haley, ator com respeitável currículo, encarnaria o papel do famoso monstro dos sonhos. E esta escolha trazia junto consigo um anuncio que o novo Krueger seria muito mais sério e sombrio que a piada em que se tornou ao longo de 8 filmes. Boa notícia ? ótima, pensavam os fãs da série.

Com a chegada de um novo ator e uma nova premissa, a maquiagem clássica do vilão teve de mudar e a equipe de produção adotou um visual mais realista, baseado em como uma pessoa real ficaria com a face queimada e menos em criar um tom vilanesco como era originalmente.

Com o filme pronto e muita expectativa sobre esse tom mais sério, era hora de revelar ao mundo o que o novo Freddy tinha a dizer … será que ele tinha algo a dizer mesmo ?

A Hora do Pesadelo 2010 é um remake previsível e extramemente confuso, oscilando entre a reimaginação de um clássico e refilmagem cena por cena. Se por um lado a origem do vilão ganha mais ênfase e a idéia implícita no original de que Freddy seria um pedófilo aqui se torna óbvia, o filme envereda por um caminho de remontar o original com novos atores, muito bla bla bla, sustos falsos e pouquíssimos momentos memoráveis.

Como liberdade poética, o filme de Samuel Bayer apenas cria um formato mais atual, munido de clichês do gênero como o casal que chega até o final do filme vivo e unido e cenas bastante difíceis de engolir com pessoas dormindo durante atividades como nadar (???). A melhor adição fica por conta da idéia de que os adolescentes que Freddy persegue são as crianças abusadas pelo mesmo enquanto vivo, que torna a motivação do monstro mais convincente.

Um dos momentos mais corajosos do filme é uma brincadeira a lá Psicose onde Kris, personagem que parecia tomar o rumo de protagonista é assassinada pelo vilão. Entretanto, para quem assistiu o original, sabe de antemão que a estrela é Nancy (queria ver Bayer ter colhão de matar a mesma, aí sim uma surpresa geral).

Os atores escolhidos para papeis importantes no filme são outro problema já que, na grande maioria do tempo, não são convicentes e pouco carismáticos. Se no original víamos Nancy e os outros personagens como adolescentes comuns presos à uma situação inimaginável, temos no remake personagens “fakes”, muito mais próximos de uma agência de modelos do que uma escola de atuação.

Nancy, a personagem central, é uma das piores coisas no filme, totalmente fraca e inexpressiva. Jack Earle Haley, no fim das contas, não faz tanta diferença já que poderia ser até Sam Worthington embaixo de toneladas de maquiagem e CGI, seria mais interessante se fosse um personagem “normal” do filme, o único ator em meio a toda patotada.

O próprio Freddy aqui sofre de uma tendência péssima dos remakes, uma mania de mostrar o vilão durante todo o tempo o que o desgasta ao longo de vários sonhos que os personagens tem (alguns desnecessários), prejudicando o ritmo e tornando a figura de Freddy mais próxima de um protagonista do que na ameaça dos adolescentes, como era no filme de Wes Craven.

E se A Hora do Pesadelo era um filme mais “atmosférico” que os slashers de sua época, seu remake trata de acabar com isso, impregnando o filme com sustos falsos a todo instante, em uma tentativa clara de fugir da responsabilidade criar um ambiente de tensão e fazer (tentar) com que o público pule da cadeira, o que pode funcionar durante algum tempo mas não sustenta um longa metragem.

A síndrome “Zombieween” também afeta a produção já que os roteiristas precisam mastigar para o espectador tudo sobre o vilão ao invés de manter um certo segredo sobre sua origem e torna-lo mais ameaçador, o mesmo que Rob Zombie fez com Michael Myers ao mostrar como um mero delinquente juvenil.

No fim das contas, colocando na balança os prós e contras, A Hora do Pesadelo pende mais para seus problemas e defeitos e não se justifica como remake já que não adiciona tanto ao original e é, de modo geral, um filme pior.

Podem não parecer justas as comparações mas, no caso de uma refilmagem que se preocupa mais em filmar o roteiro original com poucas mudanças, elas são válidas como forma de avaliarmos quem se sai melhor contando a história de Freddy Krueger.

Apesar de possuir algumas boas idéias esparsas, este mais novo remake só confirma o ceticismo geral da comunidade de fãs de horror quanto à este tipo de lançamento. Falta liga para o filme e seus defeitos claros como más atuações e exageros acabam fazendo com que o dvd do original seja uma melhor escolha.

E, em termos de reboot para a franquia, Wes Craven dirigiu em 1991 “O Novo Pesadelo” calcado em uma idéia muito mais criativa sobre metalinguagem do que todas as liberades criativas do remake somadas.

4 comentários

  1. Sou totalmente contra o seu comentario absurdo, só pq vc não gostou
    do REMAKE isso não significa qe todoss não vão gostar. Eu em particular
    adorei Achei ate mwlhor qe o ORIGINAL tudo naquela época era diferente
    hj em dia tudo mudou, ve se atualiza um pouco ta!
    Conheço varias pessoas qe sairam satisfeito do cinema falando boas sobre o filme.
    Por exemplo o dvd, estou a procura e onde eu ia comprar esta faltando no estoque
    compraram tudo qe tinha n o estoque e o cara da loja americanas disse é este novo filme esta sento bem dotado e muitas pessoas falando super bem desse filme ate compram todos qe estavam aki no estoque!

    1. Todos têm direito à sua opinião Angela, não é porque eu escrevi uma opinião negativa sobre esse filme que estou dizendo que você não possa gostar.
      Se esse tipo de filme não tivesse publico, não mais existiriam, isso não é segredo para ninguém.

    2. Filme triste e chato. Triste porque desgasta o clássico mais do que suas continuações. E chato porque não tem nada de novo. O autor do texto foi até muito condescendente com esse lixo.

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